Tradução José Filardo

AlterNet / Por Jodie Gummow

Enquanto lamentamos sua morte, é preciso lembrar que a cruzada de Mandela pela justiça social, muitas vezes o levou a se opor às políticas dos Estados Unidos – e que essa luta contra o imperialismo continua viva hoje.

À medida que chovem homenagens após a morte do ícone anti-apartheid, Nelson Mandela, é importante que nos lembremos de que, como parte de sua cruzada permanente pela justiça global, Mandela era um ativista de longa data e crítico apaixonado de muitas políticas e ideologia americanas.

Mais importante, ao contrário de outros, ele estava disposto a se levantar e falar contra a sua implementação e até mesmo apoiar a oposição a ela, diante de controvérsias.

Enquanto comemorarmos a sua morte, vamos homenagear algumas das frases mais memoráveis ​​de Madiba e dizê-las como realmente são. Tais palavras impactaram o ativismo americano e espera-se que venham a servir como um lembrete de que a luta tem que continuar.

1. Falando contra a guerra no Iraque

Em 2003, dois meses antes de os EUA invadir o Iraque, Mandela disse que qualquer ação militar contra o regime de Saddam Hussein, sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU seria ilegal. Ele também condenou Bush por minar as Nações Unidas, Huff Post publicou.

“É uma tragédia o que está acontecendo, o que Bush está fazendo. Mas Bush está agora minando as Nações Unidas. Se há um país que cometeu atrocidades indescritíveis no mundo, são os Estados Unidos da América. Eles não se importam com os seres humanos. Quem são eles agora para fingir que são os policiais do mundo, aquele que devem decidido pelo povo do Iraque sobre o que deve ser feito com o seu governo e sua liderança “, disse ele.

2. Chamando Bush e pequeno homenzinho

Falando contra a guerra no Iraque em 2003, Mandela denunciou Bush.

“O que eu estou condenando é que um poder, com um presidente que não tem nenhuma visão, que não consegue pensar direito, agora está querendo mergulhar o mundo num holocausto. Por que os Estados Unidos se comportam de forma tão arrogante? Tudo o que ele quer é o petróleo iraquiano. ”

3. Denunciando os Estados Unidos como uma séria ameaça à paz mundial

Embora inicialmente apoiasse a guerra no Afeganistão, Mandela, em seguida, criticou os Estados Unidos por suas ações:

“Os Estados Unidos cometeram erros graves na condução de seus negócios exteriores que tiveram repercussões infelizes muito tempo depois de as decisões foram tomadas … Se você olhar para essas questões, chegará à conclusão de que a atitude dos Estados Unidos da América é uma ameaça à paz mundial “, ele disse.

4. Expondo a hipocrisia nas relações Israel-EUA

Mandela também denunciou os EUA por sua postura hipócrita em relação a Israel, em entrevista à revista Newsweek em 2002:

“Nem Bush nem Tony Blair apresentou qualquer evidência de que tais armas existem [no Iraque]. Mas o que sabemos é que Israel tem armas de destruição em massa. Ninguém fala sobre isso. Por que deveria haver um padrão para um país, especialmente porque ele é negro, e outro para outro país, Israel, que é branco.”

Mandela também condenou Israel e seus apoiadores pelo tratamento ao povo palestino:

“Israel deve se retirar de todas as áreas que conquistou dos árabes em 1967, e, em particular, Israel deve retirar-se completamente das Colinas de Golan, do sul do Líbano e da Cisjordânia”, disse ele.

5. Recusando-se a seguir a linha dos EUA sobre Cuba

Em 1991, Mandela elogiou Castro e forjou uma amizade duradoura com o líder, apesar relação antagônica dos Estados Unidos com Cuba. Mandela defendeu a Revolução Cubana:

“Desde seus primeiros dias, a Revolução Cubana também tem sido uma fonte de inspiração para todas as pessoas que amam a liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano na manutenção da sua independência e soberania em face da cruel campanha imperialista orquestrada para destruir os ganhos impressionantes feitos na Revolução Cubana …. Viva a Revolução Cubana. Vida Longa ao camarada Fidel Castro”, ele disse.

Jodie Gummow é membro sênior e equipe de escritor em AlterNet.