Um sábado diferente madrugou para todo o povo brasileiro, foi unânime em torcer pela seleção canarinha de tantas glórias e amor. Sim, porque amar não é somente no relacionamento amoroso. Tanto o futebol como o carnaval são momentos amorosos com o time e a escola, sejam importantes para ricos e pobres e, custe o que custar!

Depois do tradicional café da manhã, seja em casa, na padaria, no hotel ou na barraquinha, lá vem à multidão vagando pelas ruas e calçadas, fazendo hora para chegar à abertura dos portões da arena de futebol em Belo Horizonte. Sim, era um horizonte belo que sediava um jogo de futebol envolvendo dois países amigos e tradicionais em Copa do Mundo. Não tolero o apelido de “copa da FIFA”, me cheirando a falcatruas, desvios de verbas, corrupções e outras mais deploráveis.

Diferentes roupas, predominando o verde, amarelo e azul, cores oficiais brasileiras em qualquer campo, desde um pequeno broche até uma fantasia completa, passando por um chapéu, óculos sem lentes, camisas, calças, bermudas, chinelos e sapatos. Aliás, víamos também brasileiros com todas caras pintadas, que não se conhecia ao longe. Os heróis entraram em campo e nosso hino nacional foi cantado inteirinho, até nossas lindas crianças, sem levar em conta, o besteirol da FIFA que limitava o tempo do nosso brado!

Acomodados no renovado Mineirão, eis que um empate sem graça se tornou tenebroso para os derradeiros minutos do jogo decido, cada qual acreditando na sua crença religiosa. Os minutos de desempate também foram embora como fossem segundos e o Brasil ficou calado! Do alto da minha laje, nenhum barulho se ouvia, tanto quanto nenhum carro transitava pelas ruas. Os pênaltis foram anunciados e as legítimas escolhas dos cinco jogadores feitas pelo competente Felipão. Os pratos e bandejas dos aperitivos foram encostados e os drinques grudavam nas mãos geladas pela incerteza. Até lagrimas rolavam pelo rosto frio do medo! Tudo porque futebol é um jogo como outro qualquer, certeza mesmo, apenas um ganhar e outro perder. E brasileiro nenhum quer ser vencido, principalmente, em nossa casa e com nossas famílias. Chegou, enfim, a hora dos pênaltis, oportunidade que depende da sorte!

De repente, e mais do que ligeiro, algumas vozes meigas começaram levemente a balbuciar: eu acredito! E a simples frase foi tomando assento pelos torcedores brasileiros no templo de futebol mineiro, com cerca de público em 53.331 mil pagantes onde os mascotes do Cruzeiro e do Atlético, única oportunidade de se unirem. Na divisão do tapete de grama verde, no meio do campo, também os coirmãos, Brasil e Chile se dividiam numa súplica fé. A bola, senhora da festa, foi colocada a poucos metros da trave do goleiro Os pênaltis começaram com vantagem para o Brasil com gritos estridentes de amor a nossa pátria. No final, precisávamos apenas, de um gol para Neymar conferir a pujança da nossa raça. E o frio deu lugar ao calor humano dos torcedores e torcedoras, perfilando de pés, na continência aos seus ídolos conquistadores da batalha suada, que chegou a ser uma vitória com muitos percalços.

Agradecer é muito pouco; o importante é que nossa gente, a exemplo de quem escreve, também acredite na seleção brasileira. Que venham os outros!

(*) Advogado e desembargador aposentado