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Vem de longas datas o estranho hábito de se criar elefantes albinos, por monarcas de Camboja, Laos, Tailândia e Mianmar, sendo tratados como entidades sagradas pelos povos do Sudeste Asiático e, era rigorosamente proibido se desfazer, mesmo a qualquer vontade ou custo! Até hoje e em todo mundo, se fala acerca desses raros animais, porém com significado diverso da Ásia, para receber conotação jocosa da grande maioria das nações civilidades, por tratar-se de coisa grande, pesada, majestosa, dispendiosa e não presta para nada!

Nos idos de 1971, o governo militar brasileiro de Médici, inventou um campeonato que envolvesse todos os quadrantes do Brasil. Aproveitaram a criação da Loteria Esportiva, em 1969, que era incentivada pela revista Placar e importantes jornais, para saciar o desejo do pobre poder ser rico, do dia para a noite... Sob o bafo da conquista da Taça Jules Rimet, em pleno estádio Azteca, o capitão brasileiro, Carlos Alberto, levantada à cobiçada troféu do futebol do mundo e a ditadura decretava o PIN – Plano de Integração Nacional onde o futebol também era agraciado com construções de estádios de futebol para os estados mais pobres. A mistura de futebol com política do partido governista, ARENA, não deu certo. Contudo, em cal e pedra foram erguidos vários estádios pelo país afora.

Novamente, o país foi balançado na conquista de sediar a Copa do Mundo 2014, todavia fecharam os olhos para os resultados da África do Sul, inventando novos estádios a preço de ouro!  A partir desta semana, deverão consumir mais dinheiro público, para mantê-los operando até porque, o exemplo do Estádio Mané Garrincha mostra não ter times para jogarem. A farra futebolística tem custo total em torno de 33 bilhões de reais, e nesse custo vultoso, nossa ‘canarinha’ desmoralizou todos, amargando histórica lavagem de 7 x 1 da campeã Alemanha e, 3 x 0 da Holanda, ou seja: dez gols em duas partidas.

Os paquidermes brancos, com serviços a remendar em suas estruturas, estão aí para quem quiser olhar de longe, sim, porque ainda vai consumir mais verba pública para ficar conclusa, ainda de pouca serventia à população. No futuro, nossos filhos e netos terão de suportar os encargos de uma Copa do Mundo desastrosa e sem taça!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Jogos da Copa do Mundo, edição 2014 era temida no Brasil e no exterior, decorrente de seguidas manifestações públicas de um bando de mascarados, desocupados e violentos, para quebrar, roubar e incendiar tudo que aparecesse pela frente fosse do patrimônio público ou privado. Mesmo com estádios ainda inconclusos, as partes mais importantes foram inauguradas e suficientes para as partidas do esporte rei, a exemplos dos gramados, vestiários, iluminações, cabines de imprensa, cadeiras numeradas, e precariamente os acessos dos veículos, em grande número, das cidades brasileiras. Depois das críticas diárias da imprensa em geral, o poder público se uniu em torno da polêmica segurança estatal, alcançando os níveis: federal, estadual e municipal.

Os artistas do maior certame mundial de futebol foram chegando devagarzinho e a hospitalidade do povo brasileiro trouxe um clima seguro e cordial com as boas vindas de todos! As torcidas, com discreta reserva de cores, tranquilamente, passavam pelas cadeiras numeradas, nas lanchonetes fixas e em simpáticos carrinhos de sorvetes circulantes, para baixar a alta temperatura brasileira. Bandeiras sem os mastros tremularam a pouca altura e as vozes agudas do povo eram potencializadas pelas emissoras de televisão, rádios e os telões nas praças e ruas. A unidade absoluta nas torcidas era somente na passagem da ola, uma onda humana pela paz! Felizmente, até agora, nenhuma briga envolvendo torcedores foi vista pelas câmeras de filmagem, dentro das arenas futebolísticas ou nas vias de acesso dos torcedores.

Em meio à normalidade, inesperada violência adentrou as quatro linhas do gramado, no jogo Brasil e Colômbia, o lateral colombiano, Juan Camilo Zúñiga Mosquera acertou joelhada traiçoeira, fraturando vértebra da coluna do jogador brasileiro Neymar. O árbitro espanhol Carlos Velásquez, bem perto do lance, simplesmente usou o comando banal de “segue o jogo”. Nem simples admoestação verbal fora feita ao criminoso Zúñiga, que já tinha acertado as travas da chuteira, em cima do joelho de Hulk, escapando de ser outra vítima do monstro colombiano. Aliás, em outras Copas mundiais, os árbitros internacionais contratados pelo órgão organizador do certame, sempre têm errado barbaridades tão importantes e visto, em detalhes, pela internet mundial. Oficialização dos recursos do famoso tira-teima debaixo das traves e jogadas nas linhas riscadas na grama foram mais que suficientes para provar o crime.

Por muito menos, o craque uruguaio Luis Suáres, mordeu o ombro do jogador italiano Giorgio Chiellini, e a FIFA, imediatamente, baniu o morcego jogador de todos os ambientes dos estádios de futebol, aplicando a pena de ausência em nove jogos e uma multa salgada de US$ 112 mil. Essa postura, no entanto, não se repetiu no tratamento do rumoroso e grave caso envolvendo Neymar, que mesmo com pesada divulgação mundial, ficou abandonado às traças. Somente a fanhosa Delia Fischer, porta-voz da fracassada FIFA, afirmou que ainda vai pedir à CBF documentos necessários para abrir sindicância e que, somente depois dos resultados, ainda será submetido à processo.

Final da novela futebolista: Neymar, sob cuidado médico e fora da Copa no Brasil. O criminoso Zúñiga continuará esgravatando garras afiadas até outro crime de lesão corporal praticar. A FIFA continua omissa e o árbitro Carlos Velásquez com cegueira patológica. A gente vai continuar cobrando providências sem promessas sérias e legais.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Um sábado diferente madrugou para todo o povo brasileiro, foi unânime em torcer pela seleção canarinha de tantas glórias e amor. Sim, porque amar não é somente no relacionamento amoroso. Tanto o futebol como o carnaval são momentos amorosos com o time e a escola, sejam importantes para ricos e pobres e, custe o que custar!

Depois do tradicional café da manhã, seja em casa, na padaria, no hotel ou na barraquinha, lá vem à multidão vagando pelas ruas e calçadas, fazendo hora para chegar à abertura dos portões da arena de futebol em Belo Horizonte. Sim, era um horizonte belo que sediava um jogo de futebol envolvendo dois países amigos e tradicionais em Copa do Mundo. Não tolero o apelido de “copa da FIFA”, me cheirando a falcatruas, desvios de verbas, corrupções e outras mais deploráveis.

Diferentes roupas, predominando o verde, amarelo e azul, cores oficiais brasileiras em qualquer campo, desde um pequeno broche até uma fantasia completa, passando por um chapéu, óculos sem lentes, camisas, calças, bermudas, chinelos e sapatos. Aliás, víamos também brasileiros com todas caras pintadas, que não se conhecia ao longe. Os heróis entraram em campo e nosso hino nacional foi cantado inteirinho, até nossas lindas crianças, sem levar em conta, o besteirol da FIFA que limitava o tempo do nosso brado!

Acomodados no renovado Mineirão, eis que um empate sem graça se tornou tenebroso para os derradeiros minutos do jogo decido, cada qual acreditando na sua crença religiosa. Os minutos de desempate também foram embora como fossem segundos e o Brasil ficou calado! Do alto da minha laje, nenhum barulho se ouvia, tanto quanto nenhum carro transitava pelas ruas. Os pênaltis foram anunciados e as legítimas escolhas dos cinco jogadores feitas pelo competente Felipão. Os pratos e bandejas dos aperitivos foram encostados e os drinques grudavam nas mãos geladas pela incerteza. Até lagrimas rolavam pelo rosto frio do medo! Tudo porque futebol é um jogo como outro qualquer, certeza mesmo, apenas um ganhar e outro perder. E brasileiro nenhum quer ser vencido, principalmente, em nossa casa e com nossas famílias. Chegou, enfim, a hora dos pênaltis, oportunidade que depende da sorte!

De repente, e mais do que ligeiro, algumas vozes meigas começaram levemente a balbuciar: eu acredito! E a simples frase foi tomando assento pelos torcedores brasileiros no templo de futebol mineiro, com cerca de público em 53.331 mil pagantes onde os mascotes do Cruzeiro e do Atlético, única oportunidade de se unirem. Na divisão do tapete de grama verde, no meio do campo, também os coirmãos, Brasil e Chile se dividiam numa súplica fé. A bola, senhora da festa, foi colocada a poucos metros da trave do goleiro Os pênaltis começaram com vantagem para o Brasil com gritos estridentes de amor a nossa pátria. No final, precisávamos apenas, de um gol para Neymar conferir a pujança da nossa raça. E o frio deu lugar ao calor humano dos torcedores e torcedoras, perfilando de pés, na continência aos seus ídolos conquistadores da batalha suada, que chegou a ser uma vitória com muitos percalços.

Agradecer é muito pouco; o importante é que nossa gente, a exemplo de quem escreve, também acredite na seleção brasileira. Que venham os outros!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Nunca vi tantos feriados, dias santos, ponto facultativo e os famigerados ‘imprensados’, paralisando setores públicos importantes para uma população desvalida. É comum, nos dias de segunda ou sexta-feira, a pretexto de nada, principalmente, nos governos estaduais e os municipais, que usam e abusam de fechar suas portas!

Cerca de trinta dias estão nas datas das agendas e calendários, pintadas de vermelho, orientam e prepara o desenvolvimento na indústria, comércio, agricultura, serviços gerais para todo o ano, parecendo algo racional se não fossem a descompostura das autoridades públicas do Brasil. Entretanto, a população caladinha nem reclama dos exagerados dias de lazer. E assim é bom demais para quem sucumbe com anualmente falta de água para beber e dar aos bichos.

Agora mesmo, estamos em cima do clima junino, melhor festa popular nordestina, mobilizando as capitais e centenas de cidades interioranas contratando um batalhão de cantores, tais como Elba Ramalho, Fagner, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Bel Marques, Lucy Alves, Flavio José, Alcimar Monteiro, Frank Aguiar, Genival Lacerda, Capilé, Santana, Sirano e Sirino, Geraldinho Lins, Jorge de Altinho e as famosas bandas Mastruz com Leite, Magníficos, Banda Calipso, Limão com Mel, Gatinha Manhosa, Banda Encantu´s, Aviões do Forró, dentre muitas outras.

Tem também a rivalidade entre as cidades interioranas de Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, além do famoso Forró Caju de Aracajú. Em todas as festas, o portão é escancarado, onde democraticamente, gente rica e pobre se mistura para dançar o forró forrado e o xaxado arrastado, sem falar as tradicionais quadrilhas juninas, hoje um tanto quando imitando as escolas de samba cariocas.

A culinária junina é bem aceita na região e para os visitantes, destacando-se a pamonha, canjica, cuscuz, bolo de milho verde, pé de moleque, quebra queixo, queijo de coalho, rosquinhas, cocada e por aí vai... Já no departamento de bebidas, a cachaça nordestina é procurada em todo país, com os alambiques destilando a branquinha para esquentar as orelhas e abrir a dança no salão. Há quem misture a caninha com limão, açúcar, e pedaços frutas da época que vem a ser a famosa caipirosca, muito consumidas nas barraquinhas instaladas nas praças e ruas largas das cidades.  Sendo uma festa católica os santos, Antônio é tido pela competência de arrumar homens para as mulheres encalhadas, por isto é conhecido sendo o casamenteiro. João do carneirinho diz à superstição que no seu dia manda uma pessoa embaralhar as cartas três vezes e outra, ao cortar baralho, se o naipe for de ouro o desejo será realizado. E o terceiro santo, Pedro é o poderoso que leva as chaves do céu no cós e quem abre e fecha a torneira que leva água para o nordestino.

Atualmente as fogueiras, por falta de madeira e depredação da mata atlântica, foram substituídas por fortes canhões de luzes dando um colorado equivalente.

E sobre o trabalho, que vou dizer agora? Ora meus leitores, nas minhas veias correm o sangue vermelho dos nordestinos, e vou para o meio da rua, tomo um quentão e entro no salão arrastando os pés com minha mulher Fabíola, que dança muito bem. VIVA SÃO JOÃO!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Não se tem como julgar quem é mais forte, ao receber uma pancada no coração palpitante, se o homem ou a mulher. Acabou-se aquela história antiga de sexo frágil das meninas com direito de cada qual decidir, nos precisos limites do que deseje fazer!                Alguns chegam a dizer que coração é terra de ninguém e cada qual deve decidir abertamente, pelo gosto doce ou o amargo dos alimentos físicos e mentais. É de vital importância que o sangue quente seja fielmente bombeado para o âmago de cada pessoa, em todos os tempos da vida.  Agora, sem carinho, fidelidade, abnegação e, principalmente amor, jamais a alma poderia evitar a falência amorosa entre personagens.

Para o casal, fica muito difícil determinar quem foi o desencadeador do rompimento da convivência, desde um bom tempo. Imaginável, quando cada lado apresenta explícitas razões que comportariam incontidas lamúrias. Bem guardadas, é verdade, na simplicidade de uma mala de couro, ou mesmo, um cofre forte de intimidade com senha para cada um...

Félix e Alice deixaram-se enamorar, de forma tão profunda e exagerada, que caíram nos encantos de uma paixão febril, se é que se pode dizer que esta tem limites! No dia a dia não perdiam tempo na encenação duma verdadeira cerimônia teatral, utilizando desde as vestes, externas ou internas de cores fortes, joias, perfumes, cabelos penteados, unhas pintadas, talco, desodorantes e finalmente, as conversas em vozes macias como veludo.

O tempo passa velozmente, o peito cansa incontrolavelmente suas batidas fortes, atingindo desesperançados segundos da vida. As potentes badaladas do relógio da sala, não mais chegavam a ponto de conduzir o casal aos momentos de rotina se rendendo a mesmice do cotidiano, com conversas azedas, passeios repetitivos, ausências de carinho, abstinência das relações sexuais, tudo, como se fossem refeições diárias do tipo feijão com arroz. As aurículas e os ventrículos não se deixam apáticos continuando a impor o seu ritmo para mais apertar, na ânsia de fazer circular o necessário sangue do amor, quando se torna a convivência mal resolvida.

Trocas de olhares de fogo se entrelaçavam com especial cuidado, virando o pescoço e nariz arrebitado, como se houvesse falando a si mesmo e, defronte de um espelho em cima de balcão do banheiro. Ao chegar o rompimento, as sombras do casal se apagam, deixam um amargo seco na goela para dar espaço à indecisão no instante mágico e passageiro. Nítida era a possibilidade de ser apagada a luz do casal, deixando marcadas cicatrizes nas entranhas. Sem conserto, a vida íntima fica encerrada com os olhos secos sem deixar escorrer uma única lágrima... Aí, tanto o espelho como o coração têm consequências iguais quando se afastam do foco para olhar o infinito inacessível.

Noutra cadência de batidas o coração desprezava o lixo amoroso, imprestável para os dias atuais, embora guardados nas lembranças que não voltariam mais, por deixar de ser importante. A desilusão aprofunda quando amigos, de forma desavisada, insistem na recordação indesejável de um sonho que se transformou em pesadelo sufocante.

O dia amanheceu sob os efeitos de um sol de verão. Apagou-se a sonhada fantasia de ambos, agora acordados, se abraçando na cama macia com lençóis e travesseiros cheirosos de puro linho. Troca de olhares, um tímido sorriso e, a vida abriu espaço para continuar!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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De quatro em quatro anos, os brasileiros acordam mais cedo para se prepararem para o certame internacional de futebol este, só concorre com o nosso carnaval, em termos de presença, animação e circulação monetária.  Agora chegou bem perto o início da esperada segunda Copa da FIFA, sim, porque a primeira fora em 1950, numa decepção inconcebível pela multidão de torcedores espremidos como uma sardinha em lata. O choro pela derrota para o Uruguai era visível aos naquelas épocas. A esculhambação chegou ao máximo, quando não cuidaram com o troféu Jules Rimet, o qual terminou derretido e vendido no ferro velho do Rio de Janeiro! A escolha do Brasil para sediar, novamente, uma Copa passa por outros detalhes bem mais importantes que os de antigamente, levando-se em conta os governos de lá para cá, quando não se leva a sério os desprendimentos de verbas públicas e seu acompanhamento, para o povo saber!

 

Nosso país manteve sua extensão continental, abrindo novos campos de futebol, além do que passara pelo funesto ano de 1950 para chegar em 2014, correndo atrás da bola sem rumo certo, na brincadeira do que é muito sério e caro. E, por nada não, deveriam ter começado com os trabalhos, logo ao dia seguinte ao anúncio pirotécnico. O início de tudo recorda a História brasileira do nosso futebol, foi em 31 de julho de 2007 quando dirigentes da CBF levaram em mãos, à sede da FIFA em Zurique, na Suíça, toda documentação necessária à aprovação do nosso querido país. A burocracia da Fifa logo aprovou, em 30 de outubro de 2007, a data festiva da formalização da escolha do Brasil e suas dezoito cidades espalhadas com justificável vaidade. Contudo nada se fez naqueles tempos...

 

Em 2014 imagino que a FIFA não examinou, como devido, as condições das exigências apresentadas, formando uma brincadeira instalada no Palácio do Planalto, com as autoridades esbanjando assinaturas em ordens de serviço com toneladas de papeis, alguns dos quais, ainda jogados em gavetas e arquivos, tirando proveito para mostrarem suas caras na imprensa brasileira, como se fossem heróis do nada!

 

Esta polêmica Copa do Mundo escolheu as doze melhores arenas brasileiras: Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Cuiabá e Manaus. A maioria estando inacabada sem as responsabilidades devidas. Obras estruturantes e de acabamentos travaram as mobilizações das vias de acesso, aos estádios. Um detalhe importantíssimo é a precariedade dos empregados em geral, que não falam idiomas como o inglês, o francês e o espanhol e, mesmo as placas de sinalizações nos estádios foram poucas e mal sinalizadas.

 

De qualquer forma, meu sangue de brasileiro não permite trair o berço que me acolheu desde recém-nascido! Eu e minha família vamos, sim, de verde-amarelo torcendo como possível for, bradando com todo pulmão num grito de guerra pela vitória plena da terra brasileira. Os que seguiram por caminhos violentos e tortuosos, na condução ao crime de lesa pátria, terão oportunidade de sentir e padecer pela força do povo enfurecido. O Brasil não merece seus filhos apunhalar pelas costas! Vamos à vitória, gente boa, é BRASIL!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Em todo mundo, onde reina a democracia, as Cortes Supremas oscilam o número de componentes, os quais aguentam até o final do mandato ou, o tempo bastante para ser útil ao trabalho. Para destaque temos a Supreme Court of United States, sediada em Washington e composta por apenas nove Juízes que ficam nos seus respectivos cargos até a morte ou, a aposentação por falta de condições.

O nosso Brasil independente, desde 1808, somente teve seu Supremo Tribunal de Justiça, através da Constituição Republicana de 1891, com a instalação formal ocorrida em 28 de fevereiro daquele ano, sob a presidência interina do ministro Sayão Lobato, o Visconde de Sabará. As históricas balançadas da nossa Corte Maior se destacam na tormenta do Estado Novo, com nomeações à vontade pelo então presidente de Getúlio Vargas, o que mais nomeou ministros, no total de vinte e um, não se submetendo ao crivo legal do Senado Federal. Mais tarde veio o Golpe Militar de 1964, o presidente do STF, e o ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa, em audiência, com o general Castelo Branco, na condição de presidente do regime militar instaurado, teria dito que não admitia repressão que ameaçasse o julgamento de qualquer membro. Daí veio o episódio conhecido como “O Caso das Chaves”, onde o STF fecharia suas portas, entregando as chaves ao Palácio do Planalto.

Atualmente, nossa Corte Especial completou 123 anos de atuação sob o regime republicano, com onze ministros escolhidos pelo presidente da República e submetidos à sabatina do Senado Federal, sobre qualquer matéria, exigindo-se, além do saber jurídico, reputação ilibada dos candidatos. Inclusive, pasmem, a História brasileira nunca registrou a independência do Parlamento para recusar indicados! Há quem diga que a sabatina é apenas um ‘faz de conta’. A única restrição de acesso ao STF é o limite de idade, entre trinta e cinco  e sessenta e cinco anos de vida, e os setenta anos para aposentadoria compulsória.

Um ministro diferente logo marcou como sendo o primeiro negro na História da nossa Corte Suprema: Joaquim Barbosa logo foi alçado ao cargo de presidente, abrindo a voz para dizer ser contra o ‘foro privilegiado para autoridades’ e a restrição ao costume de ‘despachar com advogados’, para ser uma exceção.

Memorável mesmo foi o processo judiciário, logo denominado de mensaleiros, abrindo importantes espaços na mídia nacional e internacional, envolvendo gente fina, a exemplo de políticos, banqueiros, empresários, funcionários graduados, dentre outros. Grande maioria foi recolhida à cadeia da Papuda pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, corrupções ativa e passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha e gestão financeira fraudulenta. Também foi Barbosa quem bradou e fez eco no plenário da STF, para não deixar o processo galgar um fim incerto e prescrito aos criminosos.

Hoje, demonstrando visível cansaço da vida e do judiciário federal, na simplicidade de dizer a quem ouvir, anunciou que renunciaria ao cobiçado cargo de Presidente do STF. Motivos não foram claramente explicados. Sabe-se que poderia se aposentar para cocorrer à Presidente da República, com condições amplas de eleger-se, mas não o quis neste momento político. Diferente de outros, o cidadão Joaquim segue a vida sem retoques, lavando as mãos limpas de quem ama a sua pátria! FICA, JOAQUIM!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Em passagem rápida pelo nordeste fervendo, enquanto completava o tanque de combustível do meu carro, um velhinho de rosto enrugado, roupa surrada e um sapato rasgado de tanto andar, estirou-me a mão grosseira e rajada com fissuras do tempo, ao pedir uma ajuda para matar a fome sua e dos familiares! Incrível, que nos anos 2014, os países subdesenvolvidos ainda são alvo de intermináveis guerras civis, matando uma enormidade de pessoas inocentes, sem saber o porquê da abominável matança.

Então, logo estendi minha mão, sem apertá-lo com a força natural usada, com medo de lhe fazer as fissuras abrirem impiedosamente. Fitei seus olhos no brando sentimento da confiança e da amizade. Dei um valor razoável, para chegar até a semana seguinte... Olhei para o chão seco, empoeirado e rachado pela falta do chamado ‘precioso líquido’. Paguei a conta do posto de diesel e segui viagem imaginando a triste realidade. Onde 1,1 bilhão de pessoas fazem necessidades ao ar livre, por falta absoluta de água potável, saneamento e condições de higiene. Ninguém ousa imaginar que alguém possa viver normalmente, sem água potável. Nestas condições a UNICEF sobressalta dizer que, a cada quinze segundos, uma criança morre com sede e com fome!

O confronto entre as guerras civis ávidas de soberbo poder, e a batalha pela negligência pública da sede e suas consequências são assemelhados, quer na duração do tempo, quanto ao número próximo de mortos! A subsecretária da ONU para assuntos humanitários, Valerie Amos, em recente visita à Síria, invocou a comunidade internacional das nações para acudir 9,3 milhões de sírios que passam fome e padecem de doenças. “Estou particularmente preocupada com relatos de pessoas morrendo de fome”, disse agitada, Valerie, na cidade de Damasco.

As batalhas intermináveis por água e alimentos, a exemplo do Banco Mundial, cujo presidente Jim Young Kim, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, previu para daqui a cinco anos ou dez, o descontrole climático. Seria a ultrapassagem aos limites da tolerância das geleiras que aumentam o descongelamento a todo tempo. Realmente já sentimos na pele, e no bolso, a escancarada irresponsabilidade das autoridades de todo planeta, com abandono às obrigações da população.

Nosso Brasil, atualmente travestido de roupagem moderna, procura alcançar promessas acima dos milagres, onde a seca nordestina, verdadeiramente, é uma guerra sem trégua de água, comida e remédios! E não há quem consiga apagar as altas labaredas da guerra intestina dos brasileiros, oscilando entre a riqueza bilionária de uns poucos e a pobreza fatal e irrecuperável das remunerações públicas pagas, na forma de Bolsa Família, Bolsa Preso, Vale-Cultura e outras mais...

Em nosso sofrido nordeste, o sol continua muito forte, sua água potável é invisível, cada vez mais sendo reconhecida, para tornar-se o líquido do século, tal e qual as lágrimas do desencanto lavando o rosto da desilusão.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Houve tempo em que as Confederações, Federações, Juntas Esportivas municipais e clubes eram regulamentados e fiscalizados, desde o nascimento dos clubes amadores até os poderosos profissionais, de todas as modalidades existentes. Era o soberano Conselho Nacional de Desportos, órgão federal criado pelo Decreto-Lei n.º 3.199 de 14 de abril de 1941 com ementa assim lastreada: “Estabelece as bases de organização dos desportos em todo país.” Esta histórica obra, nasceu da competência e determinação do jurista e professor paraibano, João Lyra Filho, que teve o mérito de ultrapassar o país mergulhado no Estado-Novo de Getúlio Vargas, normalizando o esporte brasileiro. Dedicou-se ao esporte e lançou vários livros especializados, a exemplo do consagrado Introdução ao Direito Desportivo: Rio de Janeiro, Edição Pongetti, em 1952, ainda hoje bem consultado.

Na sequência dos tempos, e já na era democrática, foi editada a Lei n.º 6.251, sancionada em 8 de outubro de 1975 fixando o CND como órgão supremo de organização desportiva do País e, derradeira nos desportos do Brasil. Ou seja, era uma instância administrativa, com ares de judiciária, dotada de verbas públicas e direito à expedição de Resoluções que resolviam qualquer parada. Embora sisudo, foi pela pena do Presidente Ernesto Geisel, no governo militar, a sanção do Decreto-Lei 80.228, de 25 de agosto de 1977 mantendo o CND como órgão normativo e disciplinador do Desporto Nacional. Na condição de modesto representante na Paraíba, tive o prazer de conhecer e trazê-los até meu estado, os Presidentes, a exemplo do Brigadeiro Jerônimo Bastos, César Montagna, Giulite Coutinho e Manuel Tubino, homens compromissados com o desporto.

Lamentável que uma página negra da História, conduziu até o Google em apagar o passado do órgão público desportivo brasileiro, por excelência, trocado que fora por um ministério de escolha político-partidário. A perda do CND deveu-se à campanha sórdida para reduzir a interferência estatal nos desportos e, abrir as portas para a iniciativa privada. Chamavam até de ‘entulho esportivo’ as leis e decretos então vigentes. Para remediar, vieram as Leis n.º 8.672 de 6 de julho de 1993, chamada de Zico, e as Leis Pelé com duas edições: Lei n.º 9.615 de 24 de março de 1998 e um remendo, em 15 de maio de 2003, sob a Lei n.º 10.762 de 15 de maio de 2003. Salvo o discutido “passe livre”, nada de novo aconteceu, os escândalos foram facilmente descobertos, desnudando os ventres dos dirigentes esportivos, inclusive, até direito à instalação da CPI do Futebol nos idos de 2001 incriminando dezessete cartolas no elástico placar de 12 x 0 no Senado Federal. Até hoje, está sepultada e continua na lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, apropriação indébita, evasão de divisas e outras mais.

Com leis infrutíferas, até a nova pérola do futebol brasileiro: Neymar, foi apanhado pelo escândalo da sua transferência para o Barcelona. Apenas o então presidente do Barça, Sandro Rosell, pagou o pato, deixando para o clube catalão abrir o jogo e apresentar ao mundo os vultosos R$ 286 milhões, contra a versão do Santos em serem apenas R$ 130 milhões!

Nas vésperas da Copa da FIFA 2014, nosso país se desmantelou todo, sem um órgão público que tivesse pulso forte, como o saudoso Conselho Nacional de Desportos, e o povo protesta infortunado sem ter qualquer resposta!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Ao contrário dos que se alegram com a passagem festiva do dia dedicado às mães, acordei cedo e tristonho, sem vontade de nada... Li os jornais diários e as revistas semanais e, por fim, liguei a televisão para sintonizar os mais variados programas disponibilizados. Contudo, nada fez o 11 de maio de 2014 se tornar uma animada reunião familiar e de aderentes! Como de outras vezes, cada filho de dona Adélia se recolheu em suas próprias casas e os almoços foram comprados em restaurantes e entregues por velozes motoboys, driblando veículos pesados e acelerados.

Da laje onde moro, com minha mulher e filhas solteiras, descortinei a imensidão do mundo, com o azul emoldurado do céu dando a impressão de encontro com as águas salgadas da linda praia de Tambaú. Fitei o olhar, durante um bom tempo, até o que a vista enxergou, rebuscando na saudade temporal da vida, a visão da mãe querida. Ela não perdia as leituras detidas dos meus cadernos pautados, com dissertações e redações colegiais!  Sempre tinha uma ou outra que a professora Adélia folheava para revisar... “Ah, meu filho, você sempre fala sobre meus precipitados cabelos brancos, somente admitindo um toque sutil de shampoo azul em atenção a você!” Seria o que hoje se parece com ‘luzes invertidas’.

Nas minhas viagens ao Rio de Janeiro, nos anos setenta, pessoalmente e ainda solteiro, escolhia, nas mais elegantes lojas especializadas em senhoras idosas, os vestidos de finais de semanas para irmos almoçar em casas de pasto. E a conversa seguia, com a incontida alegria dos meus pais que, mesmo idosos, não conversavam sobre doenças e medicamentos.

Na condição de filho único, sempre procurei dar conforto especial à dona Adélia, alucinada pelas festas natalinas, quando sempre fiz questão de comprar um presentinho para cada um da família. Com salário ínfimo de professora de Desenho, Caligrafia e Educação Moral e Cívica, transferi os jetons que recebia do Conselho Regional de Desportos da Paraíba, para completar os gastos de fim de ano. Falar nisso, a ceia era posta e todos olhávamos para o céu na súplica pelo bem estar de todos...

Sem direito ao “Dia das Mães”, me reservei a ficar sozinho, tentando avistar a lembrança melancólica de uma vida passada, abrindo o computador para dedilhar o teclado mágico, na tentativa de trazer para o papel o sentimento puro de quem não esqueceu, nem esquecerá, as imagens do passado.

Perdoem-me, meus queridos leitores! A data das mães passou ligeira, me deixando incrédulo de transpor num branco impeditivo de qualquer gesto ou atitude de um filho que ama eternamente sua genitora se disfarçando no cinza que ainda não sou. Verdadeiramente, o que eu mais desejava na vida, me foi negado pela natureza. Foi novamente o anseio impossível de ter a presença da minha mãe Adélia, reaparecendo para poder compartilhar o almoçar familiar.

Valho-me do imortal Fohann Goeth, acudindo o que não consegui dizer: “As nossas paixões são verdadeiras fénixes. Quanto a mais antiga arde, renasce uma nova das cinzas da primeira.”

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Com a proximidade da Copa da FIFA e das eleições para presidente, senadores, governadores, deputados federal e estadual, o povo brasileiro se divide em grupos de torcedores e de políticos, com seus respectivos clubes e partidos dando nítidos e estranhos comportamentos. Chega ao cúmulo o furto do leão Rawell, pesando trezentos quilos e comendo cinco quilos de carne, diariamente. Ele que vivia numa cômoda jaula de seu proprietário, em São Paulo, foi destaque nos órgãos de imprensa. Claro que o rei dos animais é difícil escondê-lo, tanto pelo tamanho, quer pelas suas garras e os dentes afiados. Foi encontrado em Maringá.

Acontecimento também selvagem foi o jogo de futebol valendo pela série B do brasileirão, entre Santa Cruz do Recife e o Paraná onde, após a saída dos torcedores do time adversário, pessoas ainda não identificadas, se postaram no andar superior das arquibancadas do Arruda, arrancaram dois vasos sanitários de vestiários para mulheres e arremessaram em cima dos paranaenses. Um faleceu no local e outros três feridos foram levados a hospitais recifenses.

Em recente viagem a Nova York, fiz questão de assistir jogo de basquete New York x Toronto, com cerca de trinta mil torcedores, a maioria absoluta com camisas distribuídas pelo time local e pacote de pipoca! Interessante ir aos bares/restaurantes e constatei que vendiam abertamente bebida alcoólica, em copos de plástico. Em todo mundo, os estádios de qualquer modalidade esportiva podem despachar e vender um bom chopinho gelado ou um uísque...

Seria o caso de imaginarmos a possibilidade dos torcedores de futebol encherem a cara em casa para chegar ao estádio, com alta dose de bebida alcoólica, tornando-se inconvenientes na possibilidade de poderem aumentar uma simples discussão para brigas com resultados funestos.

No aperreio das autoridades em geral vão terminar impondo filas enormes e a utilização dos conhecidos bafômetros, que servem para avaliação dos motoristas, que bem serviriam para os torcedores das seleções mundiais baixarem o fogo alcoólico. Sim, porque a Copa Itália de futebol decidida entre Nápoles x Fiorentina, às torcidas organizadas conseguiram uma sangrenta batalha com quatro gravemente feridos, segunda a imprensa italiana e mundial. Os famigerados sinalizadores aéreos eram disparados por todo estádio e, tudo isso, acontecera mesmo antes do jogo começar!

Por nada não, todavia nosso governo federal tem dado suficientes sinais para garantir a presença das forças armadas e demais contingentes federais e estaduais. Já as eleições majoritárias do país, ficam para depois, simplesmente, porque a Copa da FIFA 2014 está em poucos dias da festa futebolística e, as eleições só no final do ano, com o que restar de tudo...

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Não se fala mais em doenças populares como antigamente, a exemplo de espinhela caída, barriga d’água, tosse de cachorro, frieira, doidiça, gastura, arroto choco, remela, impinge, caganeira, veia quebrada, panariço e, dentre outras, bexiga lixa e gota serena. Essas doenças eram comuns no Nordeste, principalmente nos sertões longínquos onde se tratavam com plantas medicinais, orações para Nossa Senhora e Padre Cícero – também chamado de Padim Padi Ciço, simpatias, amarrações e até feitiços!

Meu avô Yvo me contou, certa vez, que os antigos temiam, ao torto e ao direito, amanhecer se coçando numas folhas de bananeira, por conta da bexiga lixa, doença decorrente de um ‘peido encanado’ que entrou diretinho nariz a dentro, numa quermesse... Eis que uma velha gorda, com preguiça de ir à fila dos dois banheiros da festa junina celebrada, um para homens e outro para as mulheres do recinto, tapeou o povo para entrar ligeirinha no pátio da dança, rodando sozinha como um peão envolvido numa pesada roupa em cores estampadas, parecida com as baianas rodando nas escolas de samba do Rio de Janeiro.

Vovô meteu os pés e se dirigiu para perto da cagona desengonçada quando se ouviu: tárátátátárá parecendo com uma girândola de bombas chilenas ou, o barulho do descarregar de uma pistola automática moderna. O velho não engoliu o pensamento, e nem o distribuiu de graça, do gás fedorento incensado pelo salão. Ainda tentou dar uma esculhambação na gordinha desajeitada, mas essa sumiu. Terminou por ir para casa lavar várias vezes o rosto com água fria, prenunciando ter contraído doença transmissível grave. Para ele, a festa tinha acabado.

O patriarca familiar mandou seus doze filhos, fossem meninos ou meninas, se afastarem dele e, somente minha avó Yaiá, tinha a nobre e singela missão de chegar perto do enfermo e aturar seu gênio acelerado, em constantes reclamações pela coceira do corpo inteiro. Meu avô superou com medicina urbana o mau que lhe deixara com marcas em todo corpo, para proporcionar esta crônica a quem dedico post mortem!

Hoje em dia, a população ficou esquecida da velha bexiga lixa dos tempos idos, que passou a se denominar, moderna e tecnicamente, varíola, no bom Latim, chamada de Orthopoxvi Variolae, doença infectocontagiosa que deixou a população temerária por anos a fio, hoje rigorosamente controlada e erradicada em 1970 por agentes médicos. A incidência e mortes por varíola ultrapassou o medo de doenças como a peste negra, a tuberculose e a AIDS!

Agora, em recente cruzeiro marítimo no exterior, numa festa em alto estilo no mar, a música de uma boa banda tocou com arrojo e, eis que de repente, assustado me vi na frente de uma velha gordona, com saia rodada e não é que se aproximou de mim e soltou um vergonhoso peido norte-americano!

(*) Marcos Souto Maior – Advogado e desembargador aposentado

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Não se fala mais em doenças populares como antigamente, a exemplo de espinhela caída, barriga d’água, tosse de cachorro, frieira, doidiça, gastura, arroto choco, remela, impinge, caganeira, veia quebrada, panariço e, dentre outras, bexiga lixa e gota serena. Essas doenças eram comuns no Nordeste, principalmente nos sertões longínquos onde se tratavam com plantas medicinais, orações para Nossa Senhora e Padre Cícero – também chamado de Padim Padi Ciço, simpatias, amarrações e até feitiços!

Meu avô Yvo me contou, certa vez, que os antigos temiam, ao torto e ao direito, amanhecer se coçando numas folhas de bananeira, por conta da bexiga lixa, doença decorrente de um ‘peido encanado’ que entrou diretinho nariz a dentro, numa quermesse... Eis que uma velha gorda, com preguiça de ir à fila dos dois banheiros da festa junina celebrada, um para homens e outro para as mulheres do recinto, tapeou o povo para entrar ligeirinha no pátio da dança, rodando sozinha como um peão envolvido numa pesada roupa em cores estampadas, parecida com as baianas rodando nas escolas de samba do Rio de Janeiro.

Vovô meteu os pés e se dirigiu para perto da cagona desengonçada quando se ouviu: tárátátátárá parecendo com uma girândola de bombas chilenas ou, o barulho do descarregar de uma pistola automática moderna. O velho não engoliu o pensamento, e nem o distribuiu de graça, do gás fedorento incensado pelo salão. Ainda tentou dar uma esculhambação na gordinha desajeitada, mas essa sumiu. Terminou por ir para casa lavar várias vezes o rosto com água fria, prenunciando ter contraído doença transmissível grave. Para ele, a festa tinha acabado.

O patriarca familiar mandou seus doze filhos, fossem meninos ou meninas, se afastarem dele e, somente minha avó Yaiá, tinha a nobre e singela missão de chegar perto do enfermo e aturar seu gênio acelerado, em constantes reclamações pela coceira do corpo inteiro. Meu avô superou com medicina urbana o mau que lhe deixara com marcas em todo corpo, para proporcionar esta crônica a quem dedico post mortem!

Hoje em dia, a população ficou esquecida da velha bexiga lixa dos tempos idos, que passou a se denominar, moderna e tecnicamente, varíola, no bom Latim, chamada de Orthopoxvi Variolae, doença infectocontagiosa que deixou a população temerária por anos a fio, hoje rigorosamente controlada e erradicada em 1970 por agentes médicos. A incidência e mortes por varíola ultrapassou o medo de doenças como a peste negra, a tuberculose e a AIDS!

Agora, em recente cruzeiro marítimo no exterior, numa festa em alto estilo no mar, a música de uma boa banda tocou com arrojo e, eis que de repente, assustado me vi na frente de uma velha gordona, com saia rodada e não é que se aproximou de mim e soltou um vergonhoso peido norte-americano!

(*) Marcos Souto Maior – Advogado e desembargador aposentado

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Me preparei para a festa da Páscoa me deslocando para a Capital Federal Norte Americana, quando já faziam cerca de dez anos de minha última estada na terra do Tio Sam. Encontrei uma efusiva presença de crianças, jovens e velhos, todos procurando os melhores recantos e oportunidades que a pesada publicidade norte-americana apresenta.
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Peguei uma baixa temperatura com direito a ver uma tênue camada de neve nos telhados e esparramando nas calçadas. Os três graus centigrados, na verdade, se apresentavam com a sensação térmica ficando abaixo do zero. Me encontrei com várias pessoas amigas que também se deslocaram até Nova Iorque, uma cidade que recebe o povo de todo o mundo, com o prazer de bem receber.


​​               Imitei os demais, e comprei um passe de ônibus com dois ambientes distintos: embaixo com ambiente fechado, e em cima aberto para o aproveitamento de ver os arranha-céus e prédios históricos agasalhando museus, teatros, ginásios polivalentes e as lojas para compras com abatimentos de até 60%. Meu primeiro compromisso turístico foi comparecer ao monumental ginasiumMadson Square Garden, um monstro que abriga algo em torno de trinta mil torcedores devidamente sentados, com cadeiras numeradas e respeitadas. De início, recebemos grátis a camisa do time local, New York Knicks, e uma caixa com pipocas. A cada setor haviam bares com lanches, bebidas, inclusive alcoólicas, banheiros sanitários e policiais de paletó e gravata. Uma organização que nunca foi vista pelo meu Brasil.


​​               Vestido com a camisa da torcida organizada do NY Knick, como é chamado calorosamente pelos seus vibrantes e fiéis torcedores, gritando e batendo palmas o tempo todo, para incentivar suas cores. No centro do ginasium, grandes telões dão um glamour para ver os replays das jogadas fantásticas de enterradas da bola dentro do garrafão. Bem como as defesas abafando os ataques do time de Toronto, adversário neste play-off  que só decidiu nos últimos segundos, quando o tempo de jogo foi concluído, com placar apertado de 95 para NY Knick e 92 para o Toronto Raptors.


​​               Dia seguinte me desloquei para a capital federal dos EUA, Washington DC, uma cidade limpa, ordeira e repleta de monumentos históricos, onde quase tudo tem nome de ex-presidente, guerras ou algum outro tema que faz referência a períodos da história dos Estados Unidos; destacando o “Lincoln Memorial” uma estátua do ex-presidente no topo das escadarias e o Capitólio, a casa do congresso norte-americano, o Obelisco e, a Casa Branca onde reside e preside o líder democrático Barak Obama e sua família, sem evidenciar escândalos que abalasse o poder presidencial.

​​               Outro destaque é o Salão de Automóvel, chamando atenção em pontos turísticos da cidade, a exemplo do observatório do EMPIRE STATE, em seu 86º andar, sendo montado o mustang amarelo.

Nesse encontro interessante com a turma do Tio Sam, me pertuba muito haver a inevitável felicidade do povo yankee, enquanto meu querido país desaparece em uma eterna crise institucional que se arrasta no sofrimento do povo brasileiro.



(*) Advogado e desembargadoraposentado

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Neste mundo, onde as mulheres se preocupam e usam com seus trajes extravagantes, perfumes, maquilagens e um quê de sensualidade nata, deixam os homens enxeridos se derreterem e outros tímidos, sem controlar a baba descendo pelos cantos da boca... Por nada não, mas admirar o belo é o mínimo que se possa fazer para o bem estar da saúde!

Historicamente, tivemos mulheres lindas inesquecíveis, desde a Pré-História até atualmente. Tomo como exemplo, a indomável, majestosa e determinada, Simone Lucie-Ernestine-Marie de Beauvoir ou, simplesmente, Simone de Beauvoir. Com seu destacado parceiro, Jean-Paul Sartre, intelectual, filósofo, escritor, crítico francês e, representante do existencialismo. Protagonizaram escandaloso caso extraconjugal naqueles tempos que se exigiam postura rigorosa para os casais!

“Não se nasce mulher, torna-se mulher.” Foi o libelo escolhido pela douta escritora, visando à liberdade ampla da mulher, se dedicando à filosofia, existencialismo e, escancarada e determinantemente, feminista francesa. Com 40 anos debruçou-se editando seu livro “Segundo Sexo”, em 1949. Mais adiante, com seu querido Sartre, fizeram muitas visitas, a exemplo do guerrilheiro Che Guevara, em Cuba nos idos de 1960. Sem dúvidas, foi o casal que muitos desejariam serem!

Na coqueluche atual, há quem compare Valesca dos Santos, jovem de 35 anos bem vividos, também simplesmente chamada de “Popozuda”, com as laureadas princesas históricas. Usando frases de efeito ela bateu forte: “Deu vontade de fazer faça! Não se arrependa” e ainda, “Ser vadia é ser livre”. No seu currículo técnico pousou nua na revista Playboy, edição de junho de 2009. É consagrada funkeira do Irajá, participado, em 2011, do concorrido reality show “A Fazenda”, dirigido pela Rede Record de televisão, em seguida, passeou pelas redes da poderosa TV Globo. Instalou um litro de silicone em cada bumbum e diz que não vai retirá-los. Já em 2014, Vanessa estourou o boom com o famoso “beijinho no ombro” e, também decidiu combater à violência sexual contra as mulheres, com forte dose de feminismo. Seu guarda roupa vale trezentos mil, cada aparição em torno dos vinte mil e, recentemente, encontrou-se com Gisele Bündchen onde saiu o famoso “Beijinho no Ombro”.

Pois bem. Numa prova de filosofia, recentemente aplicada na rede pública do Distrito Federal, um polêmico quesito indagou acerca de grande consagrada pensadora contemporânea, que viera a ser, Walesca Popozuda. Não pegou bem a indagação pedagógica e filosófica sobre a funkeira que imita Lady Gaga e Madonna. Claro que o nosso Brasil não é um país sério, para as coisas sérias, misturando avaliação didática em uma prova de filosofia para perguntar: “Segundo a grande pensadora contemporânea Waleska Popozuda, se bater de frente:” foi respondida na opção 1: “é só tiro, porrada e bomba”.

Enquanto o professor anarquista, Antônio, cujo nome completo fora poupado, torna ridícula uma prova de Filosofia, transformou escola pública num circo mambembe, em plena Capital da República, para repúdio da absoluta maioria do povo brasileiro, pedindo apuração de responsabilidade, que nunca acontecerá!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Em meus tempos de escola eram obrigatórias várias disciplinas, dentre as quais as línguas portuguesa, francesa, inglesa e latina, esta última, a oficial do Império Romano e bem difundida por toda a Europa. Era um idioma que utilizava a ordem das palavras diferente de outros, a exemplo do português e, quando tinha de ler versão de texto, em cada palavra ia marcando um número em cima, com lápis grafite, para não estragar os livros na versão traduzida para a nossa fala. Hoje, tornou-se uma língua morta sendo observada, apenas, por pequena parte das celebrações católicas.

Uma frase curta mereceu especial atenção histórica, em todo o mundo, com apóstolos perguntando a Jesus: “Aonde vais?”. E em resposta dizia: “Volto à Roma para ser crucificado”. O primeiro filme épico de nome “Quo vadis”, lançado em março de 1913, na Hungria, pela Sociedade Italiana de Cinema, sendo diretor Enrico Guazzoni. Outros filmes utilizaram o mesmo título e enredo, a exemplo de 1951, com a MGM voltando ao tema bíblico, com o galã Robert Tayler, Deborah Kerr e Peter Ustinov, que balançavam os corações dos assistentes!

Atualmente, a frase latina ainda se mantém como se fosse ontem! É comum perguntar a qualquer chefe de nação “para onde vai?”. Entretanto, qualquer versão não contempla a verdade, a mais simples que pudesse ser. Veem, despudoradamente, com respostas esfarrapadas, fortes dosagens de mentiras, desvios de verbas, furtos, roubos e corrupções veladas, nos gabinetes luxuosos do poder, tidos como democráticos!

Na inocência popular, alguns ainda chegam chorando e balbuciando, na esperança do mendigar vergonhoso, que se aperfeiçoa com o dinheiro público na forma de dar para receber: um naco surrealista dos pobres sofredores. Diferente de Jesus, estes não têm para onde ir e muito menos comer e beber do milagre da multiplicação dos peixes e pães para amainar a fome impiedosa.

Aonde vamos ninguém tem condições de avaliar! O futuro é tão incerto quanto às nuvens que passam altas, por cima do meu sofrido nordeste, e não esperam para derramar o precioso líquido da vida. O cansaço da multidão tem limites para o amanhecer, e o ribombar dos trovões apenas assusta os poderosos, que se esquecem dos raios que caem nas cabeças dos maus!

É de Gandhi a frase emblemática que define os dias hodiernos: “No mundo, há riqueza suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para alimentar a ganância de cada um”.

Pelo sim pelo não, ninguém sabe para onde vai, e a sorte está lançada para todos, principalmente, para os políticos desbotados em suas próprias cores.

(*) Advogado e desembargador

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Sou dos tempos do “petróleo é nosso”, quando o presidente Getúlio Vargas pronunciou e logo a rapaziada passou a gritar essa forte frase de efeito e brasilidade. Embora ainda criança, balbuciava o slogan natural do momento e até chamava nomes feios com o velhinho ditador, a quem hoje me desculpo e rendo merecidas homenagens. Saudosamente ocorrera a desejada descoberta das reservas petrolíferas da Bahia, em 1936. Com pouca habilidade para autorizar a perfuração de poços, Vargas foi acusado de “não perfurar, e não deixar que se perfure”, pelo desaforado Monteiro Lobato que, simplesmente fora preso em 1941. Somente em outubro de 1953, o Petróleo Brasileiro S.A., conhecido por Petrobras, fora criado pela Lei n.º 2.004/53. São sessenta anos de monopólio, deixando rastros de escândalos sucessivos e sem solução!

De novidade, foi apenas a possível instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito, com vinte e sete parlamentares, no âmbito do Senado Federal, atitude sempre detestada e temerária para os governistas de todos os tempos. Neste 1º de abril, tudo pode acontecer, até mesmo nada! Eis que hoje é o consagrado dia da mentira’, coincidentemente ou não, quando será submetida à ansiosa leitura, pela Secretaria da Mesa e, em seguida remetido ao Presidente do Senado, Renan Calheiro, que ainda iria telefonar para os coleguinhas, líderes dos partidos... É também o aniversário de minha querida filha Raquel.

Na verdade, a população brasileira, apenas sabe que existe, sim, um buraco de U$ 1,18 bilhão relativo à supervalorizada refinaria Pasadena, na cidade do Texas, nos EUA. E a boa nova do ‘dia da mentira’, que é verdadeira, reside na iniciativa do pequeno Partido Popular Socialista (PPS), o qual protocolou, perante o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, requisição de informações à justiça norte-americana, relativas ao processo judicial envolvendo a Petrobras e a Astra Oil na questionada compra sobrevalorizada da refinaria de Pasadena.

Ainda em Brasília, o deputado Stepan Nercessian (PPS) pede, ao Procurador Geral da República, abertura urgente de inquérito civil público na caça aos responsáveis pelos bilhões, utilizando canais institucionais e formais na cooperação jurídica internacional.

Nesta data, nunca torci tanto pela escancarada abertura da CPI do Senado, pondo as mãos nos documentos jurídicos retirados pelo chão do abismo da refinaria belgo-americana de Pasadena.

Lamentavelmente, o petróleo não é mais nosso! O grito da independência já não se ouve como dantes, a justiça yankee vai decidir pelo fundamento da territorialidade nata, e a lama preta desce abaixo lambuzando muitas mãos, mexendo na escória do lixo encontrado em nosso país.

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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A natureza foi perfeita ao colocar cores em todos os recantos do mundo, evitando a prevalência do tom cinza tenebroso e amargo, que vem a ser uma mistura simples do preto com branco! Seria inimaginável a destacada convivência cinzenta com os homens da pedra lascada. Até porque, as plantas são verdes, as frutas maduras de tons amarelos, o mar encarrega de pintar azul, e o sangue do homem e dos animais, do vermelho. No mais, são misturas que fazem surgir artificialmente.

Importante os olhos reconhecerem as diversas tonalidades da vida em fator vital para ultrapassar as passadas no velho tempo! Já houve época em que as cidades interioranas do nordeste se dividiam entre o cordão azul e o cordão encarnado, sendo uma das atrações folclóricas dos festejos juninos. As moças namoradeiras se vestiam dessas cores, o pavilhão montado em plena praça pública da cidade, enchendo suas mesas para arrecadar bebidas e guloseimas da época! Bandinha municipal de música tocava pelas ruas da cidade, arrebanhando atrás um magote de crianças tentando manter o passo. No período de festas, os sábados seram do leilão, sempre com doação de pessoas mais abastadas.

Num belo dia, Zé Bolão, fazendeiro rico, vaidoso e barrigudo, gastou o tempo pelos lugares movimentados, como o cartório, a farmácia e a bodega do prefeito municipal. Desafiava qualquer um que topasse arrebatar a prenda do leilão: um peru cevado e bem temperado, com enchimento de farofa com azeitonas, bacon, passas e fios de ovos, para enfeitar a parte externa.

Chegou a noitinha e seu Zé Bolão fora o primeiro a se aboletar numa cadeira de braços, mandou juntar quatro mesas e respectivas cadeiras para animar. Usava um blazer com estamparia xadrezada, da grife do saudoso “Mário Fofoca”, com direito ao estilo calça “boca de sino”, sapato-tênis suado e fedorento, que completava o cheiro enjoativo do perfume que comprara, na promoção, no mercado municipal. Os mais chegados, ousavam passar por perto dele, mas sempre tinham motivação para não ficar. O nome pomposo do pavilhão era Netuno, sugestão do padre Luiz, que ensinou ser o planeta mais longe do sol. Já seu Bolão completou: “oia, meninos, a distância do calor é grande, e vocês pode torrar meus parafusos que tenho na cabeça”!

O locutor de vaquejada, soltando um brado de puro mau hálito, anunciou o pregão do leilão da festa: “Boa noite a todos. Vamo ficar calado porque senão ninguém ouve as pedra do leilão.” Nosso herói rechaçou todos os valores gritados pelo locutor. Finalmente, foi anunciado vencedor do leilão, seu Zé Bolão, se encostando numa galega, pernas bonitas, entretanto, de dentadura suposta, dando risadas que só uma hiena louca... Danado que o vencedor do leilão não imaginava qual o prêmio. E a meninada, liderada por Mané Doidim, arrodeou o campeão e, perguntado pelo peru na mesa central, e o premiado esbanjou orgulho: “Vão lá seus bostas, satisfaçam a fome comendo aquele peru goguento!” Em poucos minutos restaram: ossos, sobrecu, bico seco e pés da ave.

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A depender da presença das chuvas que mantém as águas nos rios e reservatórios, o nordeste, tem deliciosas frutas de época, algumas até sendo exportadas para diversos países a exemplo da manga, laranja, goiaba, abacate e abacaxi, que são vistas, tanto em feiras livres quanto nos hipermercados. São frutas especiais de clima tropical, a exemplo do nosso Brasil que desfruta do privilégio, ao lado da Costa Rica, Filipinas, Tailândia, Índia, China e Indonésia. Demais países, não se adaptam em regiões de clima frio. Ananas Comusus é o nome científico da fruta brasileira que teve origem na América Latina. Há quem diga que o suco de abacaxi fora servido numa recepção para o poderoso Cristóvão Colombo, na sua chegada a Ilha de Guadalupe, localizada no Novo Mundo!

Nossa rica fruta se apresenta com casca grossa e espinhos, com uma calda suculenta de grande quantidade de água e fibras. Além do suco é também muito utilizado em sorvetes, cremes, geleias, bolos e outros alimentos. Desenvolvem boas quantidades de vitaminas A, B e C, por ser fruta cítrica, ainda protege o organismo de infecções e resfriados, com boa quantidade de sais minerais e, de quebra, ajuda à viscosidade do sangue. Finalmente, aviso aos gordinhos que não é fruta calórica. E minha Paraíba é o estado campeão com mais de trezentas mil frutas!

O nome abacaxi, em português, é originário da tribo indígena Tupi Guaraní que chamava de Ibacati, na sua língua original. Engraçada a gíria brasileira, deu interpretação como algo com muito risco, temerário, azarento e desagradável. Daí vem à gíria da carga de abacaxi significando suas origens de espinhoso e perigoso em descascá-lo, sem que tivessem possibilidade das farpas ferirem os dedos e mãos. O saudoso Chacrinha em seu programa semanal de televisão, quando o calouro cantava mal, tocava a buzina e entregava o prêmio de consolação, denominado “Troféu Abacaxi”.

Ainda hoje, recebendo de mão aberta, um cargo público comissionado para fiscalizar e punir legiões de aspones, em vez de parabéns, os cumprimentos são de pura gozação para o nomeado, por ter entrado numa fria ou numa gelada. E no mundo militar, policial e dos bandidos, estar com granada na mão é o mesmo que significar que entrou numa embrulhada!

Tem muita gente mandando e mamando no país, sem assumir as leis vigentes, é factível que a pesada carga de abacaxi nas costas poderá apodrecer, com o passar do tempo, confiando na sonolenta marcha processual administrativa e judicial, em todos os níveis.

Quem tem juízo, não se arrisca a pegar num abacaxi espinhento, que seria a mesma coisa de um descarte de sete seco num jogo Sueca de baralho. Na política também é assim, falta ética, legalidade e bons propósitos com o calor frenético da vaidade, orgulho, prepotência.

Super abacaxi vai queimar as mãos dos magistrados eleitorais que conduzirão eleições para Presidente da República, Governadores, seus respectivos Vices e Deputados. De olho nos fichas sujas, na compra escancarada de votos e nas distribuições de tudo que for interessante e de valor aos recebedores. Os pré-candidatos já estão, cuidadosamente, juntando suas respectivas cargas de abacaxi para passarem por cima de tudo e de todos. E saiam da frente que os caminhões abarrotados já vêm cheios e sem freios!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Desde menino, sempre compareci a estádios de futebol, alegria da grande maioria dos brasileiros. Naqueles tempos, os campos eram de pouca capacidade de torcedores, com exceção do eterno Maracanã, que fora edificado nas ‘coxas’ sem mesmo concluir obras de acabamento arquitetônico. Fixada a capacidade para 155 mil espectadores, sendo dividido assim: 93.500 sentados nas arquibancadas, 30 mil em pé nas gerais, 30 mil nas cadeiras cativas e mais 1.500 nos camarotes, sendo festivamente inaugurado em 16 de junho de 1950, num jogo amistoso entre as seleções, Carioca e Paulista, saindo vencedora esta última por 2 x 1, de virada!

Um mês depois da inauguração festiva, chega o final da Copa de 1950, com o histórico Maracanã suportando 203 mil pessoas, muito acima da capacidade máxima, se parecendo com uma sardinha enlatada, onde quem se levantou não conseguiu sentar. O jogão envolveu dois sul americanos: Brasil x Uruguai e os palpites davam quase cem por cento para os brasileiros. Surpreendendo o silêncio tumular, o apito final anunciou vitória dos uruguaios e, um choro convulsivo tomou a conta dos torcedores da canarinha, em 16 de julho de 1950.

Pois bem, neste final de semana, aqui na minha Paraíba, o Auto Esporte Clube, time tradicional dos motoristas, defendia primeira posição no paraibano de futebol, no Estádio Almeidão. No final do segundo tempo, após a marcação do gol esperado, um torcedor despencou do fosso, com três metros de altura, que separa o campo com as arquibancadas.  Resultado: não houve assistência médica eficiente e o torcedor faleceu, com o grito na garganta do gol de seu time de coração.

Dos novos e majestosos estádios brasileiros, acidentes graves aconteceram, especialmente: a Arena da Amazônia, com duas vítimas fatais no trabalho, um sendo cearense e outro português; a Arena do Corinthians com dois óbitos, um de Limeira e outro do Ceará; Arena do Grêmio com um paraibano de Juru e um baiano; Estádio Mané Garrincha, com uma morte de piauiense; Estádio Mineirão também com piauiense, todos decorrentes de falecimentos, no pleno exercício profissional, nos canteiros de obras. Danado é que ficou por isso mesmo, sem que a responsabilidade civil e criminal fosse aplicada, a quem de direito!

Também são vítimas letais dos estádios brasileiros, todos os que contribuem obrigatória e mensalmente, para encher os cofres dos governos Federal e Estaduais, com flagrante falta de transparência na aplicação da dinheirada nas polêmicas arenas futebolísticas.

Estamos em 2014, e ainda existem outras vítimas veladas dos nossos estádios de futebol, tudo a depender do resultado final do time brasileiro. É exemplar o desejo dos políticos que se candidatam a cargos públicos indo, desde o Presidente da República, passando pelos Governadores, Senadores e finalmente, os Deputados Federais e Estaduais, todos a depender da prestação de contas atabalhoada, guardada a sete chaves...

Quem está com as chaves do reino, debaixo do braço, lave logo o suvaco porque jogo de Copa do Mundo não é brincadeira!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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