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Ainda estamos no derradeiro dia da folia carnavalesca, mas já tem gente que acorda cedinho, para lavar o rosto tirando o suor e, bem abrindo os olhos para a quarta-feira ingrata de brincadeira nos quatro dias no reinado de Momo!  Sim, antigamente eram apenas três dias, e hoje tem cidades que esticam por semanas inteiras com bandas e blocos contratadas a preço de ouro.

Meu impulso festivo levou-me à casa de veraneio da família, em Camboinha, contratamos uma bandinha de metais que marcaram o ritmo para o passo no terraço da praia indo, desde minhas queridas netinhas Vitória, Ritinha e Valentina, até o decano do grupo, desembargador Rivando Bezerra Cavalcanti. Homem exemplar, sisudo, respeitado e inteligente, na pública reverência feita pelos magistrados, advogados, promotores e o povo em geral.

Confesso que nesta terça-feira amanheci com meus braços, um tanto quanto doídos, aí me lembrando que dançara à vontade com duas netinhas, por vez, nos meus braços, quando sessentão não tem preparo físico para tanto...

Costume bem nordestino, uma baita feijoada com todos os ingredientes disponíveis soltava o cheiro característico que abria a vontade de forrar o estômago, para suportar as doses de uísque, cachaça, a cervejinha estupidamente gelada, e outras bebidas.

Falar em aroma, nos idos de 1961, o então presidente Jânio da Silva Quadros, acolheu recomendação do jornalista Flávio Cavalcanti, para baixar Decreto Presidencial para proibir a lança-perfume da marca argentina Rhodia, que por isto foi batizada de ‘Rodouro’, deixando saudades para os mais velhos daqueles tempos.

Agora, o leitor deve perguntar: ‘e as cinzas?’ São consequências inevitáveis do próprio tempo, outros da vida loucos pelo término do carnaval, temendo o que acontecerá no pós-carnaval. Como estamos em 2014, não podemos riscar do calendário que existem em nossos olhos, ouvidos e gargantas, duas bombas chiando nos ouvidos: Copa do Mundo e as Eleições para presidente, governadores e deputados.

As cinzas da quarta-feira, chamada de ‘ingrata’, tendem a sofrer com os ventos fortes soprando contra a insegurança, violência, corrupção, ganância, mentira e, em resumo, a miséria do brasileiro. Este, naturalmente se rende ao que já fazem sem querer: jejum e abstinência! Na antiquíssima tradição do Médio Oriente jogavam cinzas nas cabeças, como forma de profundo arrependimento ao nosso bom Deus, deixando a marca de uma cor fria.

Quarta-feira de cinzas está aí, bem pertinho de todos nós, para o que der e vier. Aliás, o circo, até já temos há muito tempo, com milhares de palhaços! Falta apenas o precioso pão que é cinicamente negado ou trocado, por votos impuros vendidos a qualquer preço. A terá-feira vai deixar, sim, muitas saudades por suspender seus vitais efeitos, apagando a luz do dia para mascarar o azul celestial, com cinza apática da tristeza, inconsequente e imprevidente.                                                                                                                                                                                                                      (*) Advogado e desembargador aposentado

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Nos saudosos tempos do meu pai, Hilton, não existia supermercados, hipermercados ou, poderosos e sofisticados shoppings dos dias atuais. Naqueles tempos, o que vi na condição de menino de calças curtas, eram opções às antigas, com poucas mercearias que, se contavam nos dedos de uma mão e, as poucas feiras livres da minha cidade. As mercearias eram geralmente instaladas, em esquinas tradicionais e movimentadas, com um balcão simples de madeira separando os despachantes de produtos e, do lado de fora, os fregueses. O pagamento era à vista ou, com quitação no final do mês, valendo como documento um simples caderno pautado ou caderneta capa dura, onde se anotava tudo e mais alguma coisa. Contudo sem formalidades legais, valendo mais do que os cartões eletrônicos dos nossos dias.

Não existia competição entre feiras populares e mercearias, muito embora a maioria das coisas estivesse presente nas prateleiras e mesas dos dois estabelecimentos concorrentes. Invariavelmente, a maioria dos comerciantes adotava, em seu estabelecimento, um gato de estimação que era tido até, como membro da família, tamanho o apego. Na verdade, era a forma simples de espantar ratos e baratas que apareciam nas saídas dos esgotos. Todavia, o gatinho que nunca é bobo, sempre arranjava um local prazeroso, a exemplo dos sacos e pacotes de mercadorias, terminando por se amoldar para dar uma boa soneca. Daí os preguiçosos eram comparados com os gatos e se diziam que essas pessoas “dormiam mais do que gato de mercearia!” Mas bem que ele botava os ratos para correr e, quando seu dono chegava, miava e entrelaçava seu corpo entre pernas anunciando o dever cumprido.

Ainda hoje meu forte é ir às feiras, cada qual com um dia marcado, abertas ao público, a começar pelos primeiros raios do sol nascente, lá por volta das cinco horas da matina, quando começava o movimento dos feirantes em colocar as coisas nos devidos lugares. Tem uma feirinha pequena, perto da praia de Tambaú, aqui na minha cidade de João Pessoa, onde sempre compro as frutas da época e, como agora mesmo, estamos na safra da jabuticaba, da pinha, do umbu, da uva, dentre outras, entrei na onda.

“A como é que está o preço desse umbu, minha senhora?” perguntei a uma senhora morena simpática e gorda, que atendia. “Cada latinha é quatro reais”, completou a feirante. E se eu escolher as unidades, quanto seria: “o mesmo preço, meu senhor!”. Experimentei a fruta, coisa que os supermercados não permitem, e assim fiz, selecionando cada umbu, ao final levando três latinhas, ainda com direito a um “agrado” que é tradição nas feiras colocar um punhado de frutas, além do que foi pago.

As pessoas mais humildes, sempre deixam as compras da feira para o final das tardes, quando os preços ficam mais baixos, e os feirantes vão arrumando o que sobrou das vendas, economizando os gastos, principalmente, com alimentação. É a conhecida hora da xepa e do término dos trabalhos. Meu tempo parou na atualidade, terminei minha viagem sentimental sem volta, usei meu precioso tempo para ganhar o tesouro em ficar com a gente boa das feiras livres do meu país!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Este ano, os veraneios das belas praias nordestinas foram espichados para primeira semana de março. Isto porque, as férias escolares, oficialmente, terminaram em 31 de janeiro, em seguida, iniciando as aulas e os pagamentos de mensalidades da estudantada de todos os níveis. Tudo por conta do reinado de Momo, que ficou para a primeira semana de março de 2014.

Atualmente, os blocos de ruas não têm o que despender com muito esforço para colocar suas alas bem vestidas, carros alegóricos, batucadas, orquestras de frevo e, em muitos Estados, o carnaval passa como se fosse um simples feriado normal.

Mesmo com dificuldades, milhares de reis Momos e suas respectivas Rainhas, em todo país, concorrem eleições para abiscoitar a faixa, a coroa real, o cetro, sem falar na roupa bordada de cores fortes cintilantes sacudindo os guizos pregados na manga do paletó vermelho.

A História diz que parece ter sido na Espanha, a figura de um boneco que terminava queimado, amenizando o impacto da morte de Jesus Cristo, propiciando a ressurreição, dentre muitas historietas.

Há  também a estória do Rei Momo ser filho do Sono e da Noite, e era tido como o Deus da festividade, sendo brincalhão, descontraído, atrevido, irreverente, sarcástico e tinha mania de ridicularizar os demais deuses. Por esta razão foi expulso do Olimpo e despachado para a Terra onde encontrou espaço suficiente para institucionalização do Carnaval. Todo mundo pergunta o porquê da exigência do Rei Momo ser gordo, quando era apenas para simbolizar muita fartura e bebedeira, conforme a mitologia grega registra. Contudo, a exigência técnica impõe, no mínimo, 120 quilos de peso aos candidatos. Somente em 1910, no Rio de Janeiro, o palhaço negro Benjamin Oliveira incorporou-se ao espírito do Rei Momo e desfilou no carnaval carioca.

Ainda na cidade maravilhosa, do Rio de Janeiro, o recorde de maior vencedor de eleição para Rei Momo, é destaque para Abrahão Reis, com quatorze conquistas, de 1958 a 1971. A oficialização do concurso somente deu-se em 1968, em lei estadual, vencendo Moraes Cardoso.

Assim como no regime imperial brasileiro, também no Carnaval, houve profundas modificações, como a exposição de nudismo em carros alegóricos das escolas de samba, do Rio e de São Paulo, com disputas acirradas pelas letras e músicas, além da infelicidade da penetração do tráfico, ali e acolá, se envolvendo abertamente, no comércio criminoso da cocaína.

Neste difícil instante para o inseguro Brasil, avaliar o que é bom ou ruim no Reinado de Momo, é impossível, quando falta autoridade nos governos, federal e estadual, para impedir os mascarados do Black Blocs, incendiando, quebrando, furtando, roubando, furando, ferindo e até matando sem motivação! 2014 é ano de muitas mudanças, sejam o que for...

(*) Advogado e desembargador aposentado

 

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Minha pátria amada nunca esteve tão fragilizada e perigosa, como nesses tempos de aguda convulsão social, castrando o direito de ir e vir em todas as direções. Jornais diários, que pegamos cedinho de cada dia, enchem nossas mãos ensanguentadas com as notícias de primeira, porque na violência premeditada e covarde, não tem mais espaços para fatos requentados.

E no balanço parecido com uma náufraga embarcação do destino, ninguém sabe explicar para onde segue o desgoverno, sem nome e sem rótulo que sugerisse algo de bom para os brasileiros.

Sim, estamos em 2014, ano eleitoral completo, que mais se ajusta como eleitoreiro, diante da escolha de Presidente da República e seu Vice vinculado, Senadores, Deputados Federais, Governadores e seus Vices amarrados e, finalmente, os Deputados Estaduais. Já houve tempo que os vices eram autônomos e poderiam ser eleitos junto com o titular de outro partido adversário. Estes se davam muito bem, na convivência político/administrativo de ambos, apenas com a preocupação do vice, que desejava, torcia e rezava para o titular ser cassado ou falecer...

No que pese as normais legais vigentes, o estatuto partidário é um texto sem graça e sem utilidade, a contar do trampolim para outros partidos com toda bagagem de votos. O pior mesmo é o desinteresse de todos para deixar rolar as águas que faltam no nordeste e as que ficam retidas e enlameadas no cone sul do país.

Ainda ontem, tivemos o trágico resultado de mais uma violência estúpida que fora autorrotulada de “protesto” que, na verdade, vem a ser um grupo de mascarados, drogados, desocupados e armados, depredando, incendiando e roubando, sem nenhum escrúpulo ou medo de matar, em pleno Rio de Janeiro.

O jovem cinegrafista da BAND, Santiago Andrade, fazia cobertura de um bando de loucos criminosos, no centro da cidade, quando fora atingido na cabeça por um “rojão”, e, por isso, acabou sendo removido ao hospital, todavia, não conseguiu resistir à morte encefálica.

Pois bem, a “princesinha do mar”, atualmente amedronta os próprios cariocas e ingênuos estrangeiros que por lá circulam, ousando pela falta de segurança pública que desmerece o caráter do povo brasileiro!

Em meio ao crime perpetrado, o povo pacato brasileiro, em todos os recantos, exige que as investigações cheguem à identificação e participação do monstro Fábio Raposo, que conduzira a bomba caseira mortal, com assistência a partido político sem controle.

Triste cenário ficou gravado com as imagens nacionais e internacionais da explosão na cabeça de um trabalhador em serviço, que tinha sido escalado para filmar a violência de vândalos baderneiros criminosos!

Enquanto tudo acontece, governantes e seus vassalos se escondem, fecham a boca e deixam a sujeita escorrer ladeira à fora.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Em pleno verão nordestino, depois do café da manhã, a partir das oito horas, começava minha caminhada a pé, pela beira mar. Era uma quase obrigação importante tanto para o físico quanto a mente, que os médicos recomendam, com inevitáveis paradinhas para ouvir as fofocas do dia! Depois de o sol esquentar, aí já perto do almoço, como mágica, aparecem centenas recipientes lotados de cervejinhas, estupidamente, geladas. Os tipos vão desde a mais barata e simples, que é a caixa de isopor, seguido das caixas térmicas, bolsas térmicas e, finalmente os coolers vistosos aguentando oitenta latinhas.

Sim, e as madames se arrumavam como podiam, num desfile de vai e vem de modas e muita maquiagem em todo corpo. Depois paravam para se deitarem ao sol sobre belas cangas de praia, estampadas e super coloridas, sem esquecer a tendência e grife do momento, sempre a mais cara. Os menos favorecidos da vida, não deixavam de ir ao movimento praieiro, injustamente sendo chamados de farofeiros, até porque a satisfação alegre é a mesma para todos.

Pois bem, numa dessas caminhadas matinais na beira mar, talvez exagerando no olhar, o desfile impecável do mulherio, não olhei bem para a linha d’água da praia e entrei apenas no volume que cobria só meus dedos dos pés e calcanhar. Aí pisei onde não devia... Era um ouriço-do-mar, que se parece com uma bola atolada na área molhada, com espinhos para todos os lados. Este, também era coberto pelas ondas mansas do mar secando, e senti como se tivessem aplicadas no meu pé, várias dezenas de agulhas de seringa! Apesar da dor, lavei meu pé direito dobrando-o até altura do joelho e tentei tirar o incômodo. Fui obrigado a chamar uma médica conhecida que, como uma mão de fada, utilizou pinça puxando devagarzinho os espinhos e, contando os mesmos. Aí eu dispensei a contagem do flagelo, mantendo apenas a retirada dos espinhos e seus venenos. Minha grande surpresa é que, passados mais de dois meses, meu organismo expeliu no meu pé, o derradeiro espinho!

O ouriço-do-mar se defende com o que dispõe, no entanto, são muito mais simples e inofensivos, se comparados com os espinhos da vida que deixamos evoluir em mentes frágeis, para se tornar um calvário insuportável. Quem padece de dor mental, pode também se entregar como dependente do mesmo que pode açoitar e perfurar a carne comandando o mal da flagelação. Sem solução prática, a psicose da dor vai se deixando invadir vagarosamente, para ser plenamente dominada e vencida.

Todavia, assim como os espinhos que tirei do pé, a vontade de viver é tudo que podemos fazer para apagar e destruir, imagens e sentimentos negativos. Uma espécie de dor diferente das demais, entretanto, sendo possível de reformulação, bastando com a mudança para um novo cofre forte, da mente de cada um.

Machado de Assis prelecionou: “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas”.

Imagino ser preferível a simples gargalhada, profunda e gostosa do amor, do que o choro convulsivo dos quem não têm coragem de amar a si e ao próximo.

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Chegamos a 2014 com previsões já conhecidas por todos, no momento onde o povo se divide entre prós e contras da Copa do Mundo, mormente, sendo a coqueluche das redes sociais no Brasil, espalhado por todo mundo. É gratuito, gira vinte e quatro horas ininterruptas e falam o que bem querem, sem censura qualquer.

Ninguém pode fechar os olhos para o maior acontecimento esportivo mundial, abaixo somente das Olimpíadas, que vem a ser “Taça Jules Rimet”, encomendada pelo presidente da federação ao artesão Abel Lafleur, em ouro maciço, e ficou pronta em abril de 1029.  Daí em diante, de quatro em quatro anos, o Brasil parou alegre ou chorando, como aconteceu em 1950, em pleno Maracanã.

A maioria pensa que somente houve um furto da “Jules Rimet”, ocorrida em 20 de dezembro de 1983, no Rio de Janeiro, quando a imprensa anunciou rápido, que fora derretida para venda. Uma vergonha de não esquecer, para todos nós!

Contudo, foi na enrustida Inglaterra, quando sediaria o certame mundial, em 1966 no Central Hall Westminster, em Londres, a preciosidade fora colocada junto a uma coleção filatélica, em 20 de março de 1966 e furtado sem pista para desmoralizar a famosa polícia Scotland Yard. Para surpresa de todos o herói foi o cão Pickles, que passeava com seu dono, David Corbertt, numa praça do sul da capital inglesa. Farejou algo numas plantas encobertas por jornais, que vinha a ser a “Taça Jules Rimet”, de volta à FIFA!

O grande perigo deste ano futebolístico e eleitoreiro são os baderneiros e vândalos, como os Black bloc, mascarados organizados do crime, que incendeiam, destroem e roubam nas principais ruas e praças do país. Por isto, além das redes sociais, também as jornalísticas já comentam a falta de transparência e insegurança do governo na gastança para Copa do Mundo.

Os turistas devem vir em escala menor do que a prevista, ante as ensanguentadas reportagens veiculadas em todo mundo.

Atualmente, os jogos de futebol não mais existem respeitos pela insegurança nos estádios, invadindo espaços livres para badernas e crimes. Sem capacidade elucidativa e profissional, a insegura justiça esportiva e, reiteradamente desmoralizada, é suplantada pela Justiça Comum, derradeira instituição a por fim as batalhas travadas nos gramados, nas arquibancadas e nas ruas e logradouros! Tenho certeza que a COPA FIFA vai acontecer, mesmo que o “tapetão” seja utilizado no fraco desempenho da justiça esportiva, superada pela determinada justiça comum. O direito internacional privado, complexo e pouco conhecido é restrito a resolver conflitos de leis no espaço definindo o que serve para indicar o direito, em conexão internacional com a lide sub judice, para aplicação no caso. A área internacional deixará mesmo a disputa entre justiças: esportiva e comum.

Prefiro ver a Copa 2014 pela televisão, com direito à segurança, replay dos melhores lances, salgadinhos e bebidas à vontade, com as melhores companhias!                                        (*) Advogado e desembargador aposentado

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A casa ia até quase no limite da calçada, separando um pequeno jardim de rosas, com pequena porta de única banda e com portinhola que era aberta para saber quem desejava falar. Ainda no restante da frente tinha um janelão que comportava três pessoas com os cotovelos acomodados em almofadas de algodão, para ver o sobe e desce das marinetes na ladeira da Rua Treze de Maio, da cidade de Campina Grande. Naqueles tempos, no início dos anos cinquenta, subia a Serra da Borborema para passar minhas férias escolares na casa de meus avós maternos. Contava os dias para chegar às delícias da garoa que começava depois do meio da tarde e esticava até às sete horas da manhã seguinte sob o império do sol nascente.

Eram tempos onde a escassa água era a dor de cabeça do povo, amenizado pelas carroças de rolimãs que vendiam baldes, vasilhames e latões com tampas. Este importante veículo sem motor era feito de pedaços de madeira maciça, num comprimento em torno de metro e meio, por cinquenta centímetros de largura. As rodas de possantes eixos de madeira com as pontas encaixadas em quatro rolimãs, duas encaixadas fixas atrás, e na frente outro eixo resistente que dava condições de desviar o carro dos obstáculos e das curvas das ruas. A simplicidade do freio ficava por conta de uma tábua fixada em duas dobradiças e uma mola de cada lado, aí o condutor pisava e o carrinho parava!

Num dia de muito trabalho na casa, Dona Silvina terminou a arrumação deixando almoço e janta só para completar os quitutes que preparava no fogão de ferro movido à lenha. O marido, Seu Miné, saiu para o trabalho e apenas o filho solteiro Adeíldo estava sentado na mesa para selecionar os papéis de suas atividades no Fisco.

Bateram à porta e a dona da casa, que estava passando por perto, foi atender, levando na mão um pedaço de pão, pois os pobres da seca sempre andavam pelas casas para pegar restos de comida! A portinhola foi aberta e Dona Silvina, de cara feia perguntou: “que é que o senhor quer aqui em casa”? A resposta de um vendedor de livros foi pontual: “Madame, peço licença para lhe apresentar uma coleção espetacular de livros de poesias brasileiras...” Ela nem deixou terminar a longa frase e foi logo dizendo: “Meu senhor, tenho o que fazer, o almoço está prá terminar e não tenho tempo para apreciar poesias não!”

E o diálogo entre a aspereza justificada da dona de casa e a insistência do vendedor, a fez bater a portinhola com muita força, quase pegando dedos e nariz do livreiro. Do lado de fora da casa, ela ouviu o vendedor dizer: “Ô mulher ignorante da gota...”.

Nossa heroína, silenciosamente, pegou uma trave de madeira que estava encostado à parede do lado da casa, abriu a porta e saiu de casa bradando: “Seu cabra safado, espere aí para eu lhe dizer quem é ignorante. Sou mulher, mas, não tenho medo de ninguém...” Nisso, o filho Adeíldo ouviu a discussão em gritos e saiu de casa para abraçar a mãe e trazê-la pra casa, com a tramela na mão.

Ao entrarem de volta para o almoço, somente o gato preto brabo, de olhos amarelos, chamado Veludo, ousou de longe, dar um miado sombrio de solidariedade, contudo, não ousou encostar-se às pernas de sua patroa, carinho que todos os dias fazia, principalmente na hora das refeições.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Apesar da boa campanha pública de desarmamento com entrega de armas de fogo, o coldre é desconhecido de boa parte das pessoas. Resumidamente, se trata de um estojo de couro tratado que encaixa revolver ou pistola para ser conduzido por quem tem porte de arma, com utilização de cinto, ou na mão mesmo. É em torno desse acessório que o leitor vai ter uma inusitada surpresa.

O respeitado e conhecido escritor internacional, Cormac McCarthy, que abiscoitou diversos prêmios, inclusive o cobiçado Pullitzer, é autor de livros importantes como “A Estrada”, “Onde os Velhos Não Têm Vez”, “A Travessia”, “Meridiano de Sangue”, “Todos os Belos Cavalos”, vencedor do Oscar de melhor filme em 2008, dentre outros trabalhos. Avesso às entrevistas, por gostar de manter sua privacidade em quarenta anos de vitoriosa carreira literária.

Era bem chegado às mulheres de sua vida, tanto que lhes celebraram vários casamentos. Sua terceira união formal foi com a jovem Jennifer Winkley, que incorporou a si, o importante sobrenome McCarthy, da união tendo um filho e ficou no período entre 1997 a 2006. Cormac gostava muito de manter o respeito a sua personalidade e, se viu salpicar de longe, o escândalo que nada tinha a ver, até porque já acontecera a separação com Jenniffer, nos idos de 2006 agora, com 48 anos de idade com presumível maturidade, que não acontecera.

Diversos jornais de vários países registraram o caso escabroso envolvendo Jennifer e seu novo namorado, ela agora com 53 anos. Estavam em casa, certo dia, conversando assuntos variados, voltaram suas atenções para meras divagações a respeito dos alienígenas. Talvez, até seria bem vinda num debate científico do casal, se tivesse acontecido na cidade de Varjinha, ao sul do estado de Minas Gerais, onde os ETs andaram passeando por lá e foram vistos por três pessoas.

Infelizmente, tudo virou numa agressiva discussão sobre o complexo tema dos extraterrenos. Depois de demorado bate-boca, inopinadamente, a mulher saiu de casa por um bom tempo, depois voltando para seu amor, vestida com chamativo lingerie. Encarando o namorado, a mulher perguntou ao seu comparsa amoroso: quem é mais louco, você ou eu? O papo virou gritaria e Jennifer levantou a saia, meteu a mão na calcinha e, lá de dentro da vagina trouxe uma pistola de prata, da conhecidíssima marca Smith Wesson, modelo e calibre 765. Ato contínuo sacou o revolver apontando para a cabeça do amante que partiu para desarma-la, depois de renhida luta corporal, conseguindo jogar a arma no banheiro e, logo depois para o lixeiro da casa.

Aos policiais de Santa Fé, a pistoleira confessou que utilizou a arma de fogo, apenas, como um ‘acessório pessoal’ que lhe satisfizera o desejo de gozar numa demorada masturbação! Restou fichada com dados e fotos registrados na unidade policial, divulgado em todo mundo. Um novo namorado me parece ser difícil, não por está presa, mas por estar na mídia social do mundo, mais suja do que poleiro de pato...

E esse coldre humano improvisado em órgão interno genital feminino, com cerca de dez centímetros de comprimento e três de diâmetro, difundida em todo o mundo, ninguém avaliou sua textura e cor dos pequenos e grandes lábios da vagina. Sim, e será que a pistola tinha balas de prata igual as do Zorro?

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Sinceramente, não perco tempo em rever os jornais, televisões, twitters, facebook, instagram e outros instrumentos de comunicação social, nas bombásticas “retrospectivas” que tem gente letrada que chama garbosamente de “introspectivas” de 2013. Afinal, somente quem estivesse numa ilha deserta e, sem sinal de internet é que poderia se atualizar no passado recente.

Pior ainda são as previsões anuais publicadas em todo mundo, sempre com uma vantagem de 50% sobre o que vai ou não vai acontecer. Certa vez, na década dos anos sessenta, quando ainda existia o jornal católico “A Imprensa”, da capital paraibana, aprendi a escrever jornalisticamente, e tinha a agência de notícia UPI – United Press International que distribuía notícias, dentre estas, o famoso horóscopo, que demorou a chegar na editoria por problemas dos Correios e Telégrafos. O Diretor do jornal, escritor e jornalista, Agrimar Montenegro, ficou impaciente, e me vendo terminar minha coluna, não se conteve: amigo Marcos falta o Horóscopo para fechar as páginas do jornal e mandar à impressão! Veja se tem alguma saída! Demorei um pouco e respondi que iria telefonar para ver o que poderia fazer.

Não consegui nada do desejado horóscopo daquele dia, até porque, todos os jornais diários ou semanais, sempre veiculavam os prognósticos do dia seguinte! Aí o pessoal da impressão me pediu para colocar outra matéria no buraco para o serviço ser completado. Pedi cinco minutinhos e, como num passe de mágica, joguei a coluna ao linotipista de plantão, de sua vez mandou para o diagramador, finalmente botando a majestosa máquina Rotoplana para completar as páginas da edição.

Dia seguinte, o diretor de “A Imprensa” veio ao meu encontro e deu um abraço de parabéns pelo sucesso da edição completa, entretanto, não poupou a curiosidade sobre o meu prestígio! Danado foi que, naquela mesma data de circulação do jornal, chegou o horóscopo atrasado e foi questionado qual dos dois era o verdadeiro!

É fácil demais explicar: presságios e previsões escolhi na base dos 50% das probabilidades assim redigido: “você terá uma surpresa que aguarda há muitos dias; as finanças podem melhorar até final do ano; amor sem alteração mas é preciso cuidados especiais; no seu rol de amigos, tem invejoso na área; a sua saúde merece exames semestrais.” E pronto! O nó da questão é a certeza absoluta de que o horóscopo deve ter sido, nem bom nem mau, muito pelo contrário. E ainda tem muita gente que acredita nas previsões anuais, na sinuosa simbiose entre uma possível verdade que não se sustenta na primeira chuva forte.

O entendimento do imortal Mestre William Shakespeare preleciona para os hodiernos e os pósteros: “Nossas dúvidas são traiçoeiras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”.


(*) Advogado e desembargador aposentado

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Na noite de uma terça-feira, não era normal a animação contagiante de todos que estavam em casa de amigo. Os músicos se esmeravam para passar o repertório e as bebidas davam no meio da canela. Inesperadamente, o espocar de fogos de artifícios e uma majestosa girândola foram ouvidos por todos, e saímos para o meio da rua, olhar para o céu mudando a tonalidade de cor, nesta noite especial!

Meu companheiro Lourival, próximo da brincadeira musical, passou a língua por cima dos dentes superiores, dando nítidos sintomas da marca do inevitável cansaço boêmico. Foi quando o tecladista arpeja para soltar pingos metálicos como se fossem pétalas de rosas a grudar nos instrumentos musicais, parecido com confetes multicolores dos carnavais.

As vozes altearam mais ainda o tom, cada qual conjugando seu tempo de verbo para formar um vozeirão dissonante acompanhando o embalo da gostosa batida da bossa nova, do forrozinho, do axé e outros ritmos. Alguns, como Arlindo, preferiram tamborilar na mesa e marcando o ritmo no pé e, depois de muito bater no chão, estirou a perna e disse: este meu sapato é novo e de couro alemão, gente...

Apesar de garçonetes servindo incansavelmente à vontade, na medida visível que elas também tinham vontade de entrar no embalo, contudo, estavam ali para ganhar o pão nosso de cada dia. Na alegria estonteante de satisfazer os convidados, nova rodada de pratinhos com castanhas de caju, azeitonas, amendoim torrado, biscoitinhos salgados e batatinhas de vários sabores, forravam a barriga para engolir as próximas doses.

De repente, e mais do que inesperado, a pedido, a música brasileira cede espaço para um pedido extravagante: Smooth Operator, exagero musical inglês, versada em português pelo grande Eduardo Braga, seria assim: Operador Gentil. Por sinal, um nome sem impacto, senão no batuque diferente para adaptar à música na exigência da loura bonita, esvoaçante e de decote sensual, que se amostrava exibida pelo salão.

Como as horas da noite foram passando a jato, os cuidados eram esquecidos, jogando as garrafas e latas vazias debaixo das mesas, sem quebrar. O ritmo foi mais compassado, marcado por afinado atabaque com pele de carneiro do percussionista; o saxofonista completando espaços e o violão no contraponto tudo, em torno da magistral cantora convidada. O barulho das ruas trouxe mais barulho ainda, com engraçadinhos dando cavalo de pau buzinando estridente e insistentemente. Eram os veículos de outros lugares próximos começando na volta para o lar, vindos não sei de onde, nem para onde iam, com gritos de glória. O sol até já me fizera abrir bem os olhos, para que tivesse memória do que se passara... já era dia! Peguei a inseparável companhia do meu celular e, logo vi, perto de uma centena de chamadas e mensagens recebidas. A música ainda não havia terminado, e uns cachaceiros batiam palmas pedindo bis forçando o conjunto tocar novamente, como exigiu um cara de bigodão que enrolava nos dois lados da boca suja de tanto comer pastel de carne.

Tomei um susto com a pancada forte e final da banda encerrando. Vitor olhou para os amigos perguntando: afinal, o que se passou nesta noite gloriosa? Fazendo-me de doido eu retruquei: Oxente, cara! E não é a passagem do ano?! Assim, vimos que ‘virada de ano’ é mais simples quando se pode acontecer num papo final. Viva 2014!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Embora a seca nordestina seja um flagelo repetido todos os santos anos, atual falta d’água deste período superou os anteriores, sob o olhar indiferente dos poderes públicos e dos ricos empresários que só se preocupam com o lucro fácil de seus negócios.

Sou devoto de muitos santos, e escolhi com veneração, Santo Pedro e São José, para intercederem nos céus pela vinda urgente, aos campos esturricados, onde a água e a comida só se veem em jornais e revistas velhas, jogadas no lixo! Contudo, a fé inabalável no Senhor é tudo que o sertanejo mantém no pobre coração, que mal bate para manter a circulação do sangue da vida.

Até  mesmo a mídia brasileira, não deu muita atenção à calamidade do nordeste, talvez porque seja matéria repetitiva, mas abriria inescusáveis espaços visando retratar a desgraça e, chamar à devida responsabilidade de todos. A seca de 2013 chegou ao cúmulo da irresponsabilidade de se priorizar a distribuição do precioso líquido, onde até a fraude na distribuição de água para beber, com muitos caminhões tanques de distribuição misturaram o produto limpo com restos de gasolina e diesel.

A população cristã da nossa região, bem que se mobilizou em tentar amenizar a fome e a sede, dentro de suas limitações materiais. Pela simples razão da fé cristã, o matuto do sertão nunca parou de rezar, e não é que a resposta lá de cima veio!

Nestes últimos dias, nuvens carregadas apareceram no horizonte se dirigindo para várias áreas de calamidade pública, suspendendo a folia do início do calor do verão nordestino para surgir a desejada chuva. Importante porque vieram em volume necessário para encher desde as cisternas, passando por barragens e chegando a centenas de grandes açudes que receberam água por um bom e alentador tempo.

É do consagrado Luiz Gonzaga, com a música “Paraíba”, que assim ilustrou o desencanto do nosso povo: “Quando a lama virou pedra e Mandacaru secou. Quando o Ribação de sede bateu asa e voou. Foi aí que eu vim embora, carregando a minha dor. Hoje eu mando um abraço pra ti pequenina. Paraíba masculina, muié macho sim sinhô!”

Não como num gracioso passo de mágica, os habitantes nesses dias atuais, olharam para o céu e, em ato contínuo, olharam para o solo rachado, totalmente inundado pelas águas das chuvas recobrindo todas as margens das correntezas da mãe natureza. Aos poucos, o povo saiu de suas casas, em romaria de agradecimento ao Divino e seus santos, sem cançar de olhar para o céu até perder de vista, o imprevisível volume d’água que caía de cima sobre os pobres flagelados da seca.  Os incrédulos chegam também e, fazem questão de alardear a presença de uma ventania inesperada que fora desviada para conduzir as correntes marítimas para o nordeste.

Besteira, porque as chuvas negras e pesadas foram transformadas pela natureza, se derramando pelo seio da terra estéril, para cobrir seus sulcos, tornando solo fértil, para gerar bons frutos de pura bondade e amor!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Nesse mundo de todas as crenças, tem alguns que fazem questão de não pronunciar a palavra Deus! Ateu é nome vindo do grego e traduzido aqueles que preferem dizer “sem Deus”. Já dizem por aí a fora que escrever sobre religião, política e futebol é um calvário que se deixa enraizar sem fim para não chegar a uma conclusão entre adversos, entretanto vou tentar escrever. Tem sido muito mais fácil se dizer ateu, com clássica tendência a ser cético, pela ausência de compromissos solenes e as evidências empíricas, do que respeitar qualquer tipo de divindade. Contudo, quando a miséria bate, não tem nenhum que não pronuncie: “Meu Deus”.

Pois bem, o que acho engraçado é que alguns crentes do Pai de Amor andam com uma bíblia sagrada debaixo do sovaco, como se fosse uma identidade pública manifestada a quem possa interessar. Isto, porque a evangelização, necessariamente, não precisa cobrir todos os santos dias e muito menos desfilar nas ruas e praças.

Carlos, meu colega de infância, e eu, fomos direcionados ao cristianismo, inclusive, por que os colégios particulares sempre adotam uma religião. Os maristas, por exemplo, ainda hoje mantém seus bem equipados colégios com o cristianismo sendo uma matéria importante como as demais, e devo a eles minha iniciação cristã, ainda hoje mantida.

Da teoria para a prática, por coincidência, Carlinhos também foi trabalhar no mesmo setor da administração pública, que também labutei por décadas. De temperamento tenso, orgulhoso e agitado era de difícil convivência, pois não tirava os olhos dos poucos cargos comissionados disponíveis, deixando de lado sua crença para brigar mesmo, pela conquista que significa aumento salarial e desejado status social.

Certo dia presenciei outro coleguinha de trabalho de nome Sady, abrir divergência pelo mesmo cobiçado cargo e a discussão subiu aos gritos com forte dose de histerismo misturado com argumentos pessoais. Claro que não havia como um dos dois abrir mão da contenda, e a disputa empenou seu final, para a derrota do gordinho Carlos, chegando ao cúmulo de dar um pesado murro na mesa, em sinal de infantil protesto. Com a retirada de todos, fiquei ao lado do amigo e, sem medo, perguntei: Não entendo sua religiosidade. Você quando deseja alguma coisa, não abre nem para o trem! Afinal, ainda exige perdão na sua bíblia? Ele sentiu o peso do que fizera, passou a ficar de cabeça baixa, olhos lacrimejando, e, embaralhando os dedos das mãos, e enchendo os pulmões, franziu a testa para, finalmente, apoiar a mão no ombro amigo. Sentiu-se forte novamente para julgou o verbo perdoar, na primeira pessoa do singular, para abençoar os que lhes fizeram o mal, em algum tempo passado.

Não  é nada fácil apagar o passado. Ativado pela mente humana é consequente, manter profundas mágoas, dores, sofrimentos e decepções por ter acreditado demais em quem não merecia nem um simples e rápido olhar. Porque a vingança é sempre o elemento complementar do caráter impulsionador inacabado, visto que nada ainda fora dissolvido na memória humana.

A bela lição de Platão ainda hoje é válida para a conversão dos agnósticos: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo da escuridão; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”. E vamos acender essa luz de fé e muita paz!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Este ano vai passando, sem deixar saudades, com novidades desagradáveis e violentas, apavorando a população que desaprova desde a bandidagem organizada com máscara na cara, depredando incontidamente o patrimônio público e privado, até sob os pretextos inconsequentes e mais variados. Por nada não, mas o aumento da tarifa de ônibus urbano, em R$ 0,10, foi muito pouco para justificar o aboio escancarado da turba enfurecida!

Neste final de semana, em meio aos derradeiros jogos do Brasileirão de futebol de 2013, ao invés de emocionar as torcidas dos clubes, as arquibancadas se tornaram palco semelhante aos octógonos do UFC onde o sangue escorre pelo palco, para delírio da torcida que paga uma nota graúda pelo ingresso na arquibancada.

Mas a diferença é muito grande, entre as brigas das arquibancadas dos nossos estádios, tanto porque os palcos são lugares para pessoas ordeiras e pacatas, até com mulheres e crianças indefesas; enquanto nos octógonos de todo o mundo, não usam barras de ferro, pedaços de paus pontiagudos, bombas, sinalizadores e até tiros de revolver ceifando vidas que pagaram pela falta de segurança pública nas arenas futebolísticas. Algumas vezes, são as ruas e praças perto dos campos de futebol, que servem como locais para os desafios de morte pelas torcidas organizadas para o mal.

Assisti ao vivo e a cores, pela TV, o jogo entre Atlético Paranaense e o Vasco da Gama, partida deslocada para a cidade de Joinville, Santa Catarina, para cumprimento da penalidade do Atlético por conta de brigas ferozes no seu próprio estádio! As torcidas vieram ao estádio e, com pouco tempo de embate, a atenção do gramado mudou o foco para arquibancadas onde os bandos gladiadores iniciaram uma guerra sem fim. Só a morte terminaria as contendas, com quatro torcedores em coma restaram e, sem acesso das ambulâncias, foram transferidos por helicóptero.

Afinal, quem são os responsáveis pela chacina de Joinville?

Claro que são os “organizadores” do jogo, a começar pela inconsequente Confederação Brasileira de Futebol, passando pelo cartola e presidente do Atlético/PR, pelo Ministério Público e Polícia Militar, ambos de Santa Catarina, de Manuel Serapião Filho, na condição de representante da finada CBF. Já com os nomes dos bois, tudo começou com o Ministério Público de Santa Catarina em impedir a presença de policiais militares no estádio. Depois o presidente atleticano Mario Celso Pertraglia contratou confiando em poucas dezenas de “seguranças” improvisados do seu clube. Depois vem o pomposo representante da CBF, o Mané Serapião, ficou de paletó e gravata desfilando e dando entrevistas no gramado, sem vistoriar todas as dependências da arena ocupada que era sua obrigação. Essas três autoridades devem, sim, suportar as averiguações e consequências, começando pelo abuso de poder do Ministério Público finalmente, passando pela pecaminosa omissão dos dirigentes futebolísticos estes, da CBF e do Atlético paranaense.

É triste essa simplória conclusão porque não é a primeira e nem será a derradeira que retratará um futebol à base da incompetência, ignorância e inconsequência!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Quando o mês de dezembro chega, é o sinal de que o ano vai acabar ligeirinho, com cada qual tendo a sua preferência na maneira de participar. A estudantada começa a fazer as contas das disciplinas no alcance da passagem para novo período das aulas. Os comerciantes expõem seus produtos em vitrines e nos órgãos de imprensa, anunciando descontos que às vezes nem acontecem. Os políticos abrem os olhos dando atenção especial aos eleitores visando colher votos nas próximas eleições. A justiça do país também fecha suas portas num recesso coletivo longo, com prazos congelados. Finalmente, a família desperta para as luzes e árvores de Natal, além da tradicional preocupação com as crianças pedindo seus presentes ao bom velhinho, de roupa vermelha e barbas brancas. Sim, lembrei-me também do “amigo secreto”, troca de presentes com valor mínimo, para evitar encrencas...

Dona Adélia, minha imorredoura mãe, na condição de professora, seria o símbolo da divisão de parte do seu pequeno salário para ir comprando, dia a dia, as lembrançinhas natalinas para os de casa. Eram presentes simples, contudo, agradando a todos, do mais jovem ao mais idoso, que era o meu pai, Hilton.

Honestamente, sempre me senti levemente deprimido com o mês natalino, quando vejo adultos e crianças pobres, sem direito de nada festejar, onde há até carência de água para beber, em pleno século XXI, contrastando com a modernidade desses tempos! E me deixo levar pelas ondas da indecisão, ficando espremido entre: a alegria das luzes e belas alegorias nas ruas e logradouros, com a tristeza fria do homem incompleto.

Ah! E o bom velhinho do saco cheio de brinquedos por onde anda? Olho ao redor e vejo mais de um velhinho! Todos de barbas branca e barrigudo, com calça e casaco vermelho com gola e punhos brancos, apertado por um largo cinto e botas pretas de couro, um cajado de metal na mão direita e um gorro vermelho com a ponta branca de um caprichado pompom! Já que ninguém fica para a eternidade, o primeiro Papai Noel ficou por conta do São Nicolau, nos idos do Século IV. Enquanto a festa natalina não chega, os pais vão se divertindo com as matrículas nos colégios e as listas de compras antecipadas de livros e materiais para o semestre seguinte, custeados com o pagamento do décimo terceiro salário.

Quiçá, sendo um dos poucos que não mergulharam nas ondas da fantasia do final de ano, acordei assustado, abri os janelões e me permito olhar para o sopro dos ventos movimentando as nuvens entrecortadas no céu azul, e termino por ousar voltar ao passado, como se houvesse dormido demais até perder a memória dos tempos! É claro que o tempo perdido não pode ser restabelecido, como desejaríamos, para alterar a nossa mentalidade e pudéssemos corrigir os erros da antiguidade.

Invado o mês de dezembro repetindo os mesmos sentimentos de outrora. Não tenho como mudar meus restritos arroubos de alegria, desejo e satisfação, eis que, gostaria muito, de sempre entender que Papai Noel existe! Não consigo aderir ao momento universal da maioria do povo quando vejo que o mundo roda mais depressa com fome, sede e o teto para agasalhar das intempéries, sejam presentinhos simples que muitos esperam, e não chegam a tempo!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Perto de meu apartamento um grande terreno baldio, aguarda a supervalorização urbana, enquanto vira local de instalação de circos e parques de diversão. Nada demais se não fosse de tirar a paciência de quem fica obrigado a ouvir possantes caixas de som despejando músicas eletrônicas e um locutor rouco. Tudo em meio às casas e edifícios de famílias pacatas. E ninguém para garantir o direito dos usuários ou, proprietários dos imóveis, enquanto os PRCONs e as respectivas Prefeituras Municipais lhes competem legislar.

Hoje, os circos ficaram sem o élan de poder apresentar animais domesticados, como elefantes, leões, tigres, cães e até cobras enormes que se enrolavam no corpo belo de uma artista. Quem não se lembra do macaco desafiar seu domador e jogar um balde de água?

Lembro bem, do amigo apelidado de “Rato Magro” ter desaparecido de casa e, depois de muita procura, chegaram à conclusão de que se apaixonara por uma artista circense e, resolvera integrar a trupe de vida errante. Antes de fugir de casa surrupiou dois talonários de cheques do seu pai o que possibilitou ao gerente do banco local indicar o seu paradeiro. Assinatura idêntica a do pai e valores sacados foram altos, e na conta de empresa de ônibus!

Dois dos cinco filhos foram escalados para irem busca do ardiloso irmão. Chegaram à cidade e logo se esconderam num hotel até o início do espetáculo. Precisamente às 20h45min, os irmãos, de óculos escuros, um de chapéu e outro de boné, compraram as entradas e sentaram nas cadeiras da primeira fila.

Iluminação apagada e o estrondo de apito de navio, a bandinha começou estridentemente a tocar marchinhas tradicionais. No desfile, à frente os palhaços e motociclistas, depois os trapezistas, seguem os domadores e, finalmente, uma bela galega equilibrista, sem soutien, e balançando os peitos na companhia de Rato Magro, com visível ciúme. Vestido a caráter, RM fantasiou-se de gladiador romano, sem camisa, mas com direito a capacete, escudo redondo, tridente, cinto metálico que sustentava uma saia longa na frente e trás e nas laterais repuxadas, caneleira e uma meia bota preta. Um presépio fora de época!

Depois do desfile inicial, chegou à vez da galega equilibrista ser apresentada: “Respeitado público, e agora apresentamos a equilibrista internacional Anita Del Fuego!” diz o animador. Segue a ousada loura dançando que só cobra em terra quente, até o local do arame armado, levantando a perna direita até altura do joelho, momento que Rato Magro se ajoelha segura e levanta os pés da amada artista circense até se eleva-la ao fio de aço esticado.

Fim do espetáculo, os dois irmãos se dirige ao pequeno trailer, com cama de casal, uma TV, armários de roupas e fantasias, geladeira, banheiro individual com pia, etc. Bateram com força na porta única, e a equilibrista fala espanhol para despistar: “buenas noches, lo que hacem de este momento de la noche em el Circo Mundial?” Ai o filho mais velho esbravejou: “circo mundial porra nenhuma, vai descendo Rato Magro” e entre tapas e ponta pés tomaram um resto de talonário bancário, que sobrou da farra, e levaram tudo para dentro do carro, em alta velocidade e, sem poder se despedir da loura oxigenada.

Durante a viagem de volta, o herói pediu desculpa aos irmãos e ainda teve a petulância de dizer: “vocês não sabem o que é um Circo arretado como o meu que terminaria sendo dono com papai!” Aí levou outras tapas e ficou de sangue quente para dormir, o sono dos palhaços.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Vem da antiguidade remota, a perseguição violenta contra as indefesas crianças, me levando recorrer à Bíblia Sagrada para desenvolver um pouquinho que a História nos revela para os dias atuais. Assim, foi sob o jugo do terrível Herodes, o Grande, reinando em Jerusalém quando, em certo tempo, uns magos vindos do Oriente procuravam saber sobre o nascimento do Rei Judeu, para recebê-lo com alegria, deixando o Imperador alarmado pela simples razão do Império Romano não permitir proclamação de Rei a qualquer dos distritos.

Jesus nascera em Belém da Judéia e entre os judeus, que eram escravizados, massacrados e pagando altos tributos a Roma, tornou-se fato acolhido pelo povo alardeando na esperança de ser livre da perseguição do Império Romano. O fato chegou logo aos ouvidos de Herodes e, de imediato, todos os meninos de Belém e arredores, menores de dois anos para baixo seriam mortos e a ordem foi cumprida rigorosamente sob a chancela de “Massacre dos Inocentes”. Já Maria e José tiveram a bênção de fugirem para o Egito e salvar seu filho Jesus da injusta execução.

Semana atrás, a História foi renovada em nosso país com o semelhante ato doentio do Rei Herodes, desta feita divulgada passo a passo, pela imprensa brasileira. Fiquei estarrecido e revoltado com mais um crime bárbaro perpetrado contra um guri indefeso e simpático, algoz de pessoa da intimidade da sua casa, qual seja o padrasto toxicômano e violento, ao lado da clara participação da mãe, sabendo dos riscos e não tendo evitado a crueldade do companheiro!

Joaquim Pontes Marques, de apenas três aninhos, residente da cidade paulista de Ribeirão Preto, fora desaparecido há cinco dias, para ser encontrado boiando com o corpo desfalecido e jogado no Rio Pardo, a quilômetros da sua casa, após buscas incessantes. Eis que fora renovado o sentimento podre de Herodes transmitido ao padrasto da vítima banal, motivado pela traição, brutalidade, inveja, e o ciúme assassino de uma criatura infantil, alegre, pura e inteligente. O Brasil espera celeridade nesse julgamento, com fixação da pena criminal ao máximo, a fim de que sirva da mínima reparação e lição aos criminosos mancomunados, porque são ainda muitos os garotos sacrificados por nada, com suas vidas. Padecemos de uma legislação criminal antiga, dos anos 1940, sendo remendada quão imperfeita para servir de base legal e merecido ao castigo para quem mata injustificadamente!

Sempre fui contrário à pena de morte para os crimes de grande intensidade, violência e selvageria como o desta crônica. Prefiro, no entanto, manter meu modesto entendimento e equilíbrio jurídico, para que, se houver a possibilidade futura de pena perpétua no Brasil, caberão aos assassinos que agirem com barbárie e premeditação, e a inditosa vítima ser criança ingênua, pura e inocente!

A lei milenária da humanidade, respeitosamente, assim diz: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais porque dos tais, é o reino de Deus” Lucas 18:16.

Preleciona, assim, o texto bíblico, pelo direito límpido e inequívoco da garantia à vida das crianças, não apenas pela selvageria de uma morte premeditada e injustificável, todavia, também acudindo às populações miseráveis dos recantos do mundo, onde o maior crime cometido é não dar o que comer!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Perambulando pelas ruas da cidade, encontrei neste final de semana um amigo de longas datas. Cheguei até titubear se era mesmo a pessoa que convivi nos áureos tempos da mocidade. Por mais que tenhamos cuidado com a mente e o físico, às vezes temos que puxar os óculos de grau para poder conhecer de verdade e correr para o fraterno abraço.

A primeira impressão é quase uma vistoria de pés até  à cabeça, e chama atenção especial quando os cabelos prateados podem ser vistos como preciosidade da melhor idade. Já a pele do rosto, coberta por leves rugas traçadas por linhas que os tempos se encarregaram de pinçar. Só a voz permanecera no mesmo som característico, secundada por gostosas gargalhadas mangando fatos e pessoas conhecidas pelos dois.

Passados os abraços calorosos, a conversa afunilou começando pela avaliação dos educandários e os respectivos estudos das séries: secundária e a científica ou clássica, assim mandava o Ministério da Educação. Então, as disciplinas escolares, como a matemática, ciências e línguas estrangeiras, nas dificuldades de aprendizagem, levou nossos pais a contratarem professores particulares que vinham as nossas casas. Numa das paredes da casa, defrontávamos com um velho quadro negro de madeira pendurado por um prego grande, uma caixa de giz para escrever palavras e símbolos e um apagador surrado completava os equipamentos. Na medida em que o professor exclusivo ia ensinando a matéria, cada qual escrevia o que fora detidamente ensinado. Ambos confirmamos o entendimento da ajuda dos pais, de olho no vestibular com poucas vagas universitárias. Diferente dos dias atuais, quando sobram lugares nas faculdades particulares.

Na sequência, chegou a hora da comparação das famílias, tendo vencido a parada com dois filhos, duas filhas, além de mais duas enteadas e sete netos adoráveis. Meu companheiro de saudades teve o destaque meritório dos seus dois filhos, terem condições de estudar no exterior do país. Com uma pontinha de natural inveja, desabafei: os ricos mandam os filhos para o exterior e os pobres remetem filhos para o interior do Estado!

A prestação de contas de fatos saudosos nos conduziu longe até os memoráveis tempos da carochinha! Bastou um olhar profundo de ambos para ser aceso o vírus da saudade, exalando imaginável perfume na exata proporção vivida por cada um. O tempo não para nem espera ninguém, contudo, arquiva com sabedoria a ocorrência de todos os fatos despertando à memória de gerações passadas e do porvir. E isto nada mais é do que os limites da vida!

Os cumprimentos se resumiram em abraços e aperto de mãos, cada qual respirando fundo a provocar a aceleração das batidas cardíacas e, finalmente virando aos poucos para lados opostos da existência vital. Quiçá, outros encontros ocorram entre amigos da juventude prateada, nunca por falta de interesse e sim, pelas múltiplas atividades de patres familiae na multiplicação dos rotineiros encargos.

Saudade é a vontade incontida de amar o passado, trazendo aos tempos hodiernos à bela esperança de esticar a temporariedade até o infinito!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Nossa região, embora com duradoura seca de água e de vergonha dos poderes constituídos, na verdade é um belo recanto de atrações naturais e pessoas alegres, simpáticas e acolhedoras!

É muito comum, embora injusto e perverso, alguns desavisados arrogantes de outras regiões, atribuírem o apelido de “paraíba” ao pessoal trabalhador, humilde, de poucas palavras e comunicativo do nosso nordeste.

De outra banda, verdadeiramente, fazem justiça ao atribuem aos nordestinos, o fato histórico de terem sido desbravadores determinados no planalto goiano, na preparação e construção da capital federal, Brasília, repaginados que foram como o codinome de candangos, os primeiros também a ficarem eternamente na capital federal.

O famoso “Êxodo Nordestino” foi muito além da preparação do campo para os nordestinos fincarem as edificações da Novacap, também levantando a agricultura da região central do Brasil, armados com a enxada, ciscador, pá e carrinho de mão...

O inimitável poeta Patativa do Assaré, homem inteligente, ensina a todo mundo: “é melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certa a coisa errada” desabrochando a cultura nordestina, a quem interessar possa...

Mas tem sido no futebol que a galhofa dos grandes centros, sempre tenta ridicularizar a força e determinação do povo corajoso. Em contrapartida, com exemplos vivos de ídolos futebolísticos desses tempos exemplificamos: Hulk paraibano do Zenit, Diego Costa sergipano do Atlético de Madrid, Pepe alagoano do Real Madrid, Rômulo piauiense do Spartak, Rafael cearense do Borusca, Hernanes pernambucano da Lazio e Dante baiano do Bayern de Munique. Sendo impossível fechar os olhos para não ver os craques da região.

Recentemente, a confusa Confederação Brasileira de Futebol, em meio a muita confusão, regionalizou campeonatos de várias séries do nosso alfabeto. Série D, por exemplo, participaram equipes arrojadas como Botafogo da Paraíba, Sergipe, CSA de Alagoas, Tiradentes de Fortaleza, Central de Caruaru, Salgueiro de Pernambuco, Juazeirense da Bahia do e os bravos gaúchos do Juventude que vieram ao nordeste para decidirem o campeonato.

Coube ao meu querido Botafogo da estrela vermelha, no afunilar da competição, fosse aos pampas desafiar o Juventude de Caxias, time que já estivera até no primeiro grupo do futebol brasileiro. A chuva não me entusiasmou para ver pessoalmente os 2 x 1 dos gaúchos sobrando à finalíssima para o estádio Almeidão, em João Pessoa.

Uma festa esportiva com mais de vinte e dois mil torcedores no estádio José Américo de Almeida, em João Pessoa, o Botafogo-PB logo abriu o placar e, no final do segundo tempo, chancelou o título de campeão deixando os torcedores em incontido delírio!

A estrela solitária vermelha da Paraíba brilhou no mais alto dos céus nordestinos, a mostrar o destemor e a inteligência da nossa gente querida, para quem o imortal Euclides da Cunha predisse: “o sertanejo é antes de tudo um forte”. E é mesmo.

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Sob as poucas luzes dos postes, ainda sem o sol aparecer, o carrinho de mão saía do oitão da casa, com cobertura de pedaços de zinco e isopor, puxado por Sinfrônio e seu filho menor, Zezinho, encarregado de não deixar nenhum produto cair até chegar à feira livre da cidade. Na insistência de dona Maria para os dois comerem alguma coisa antes de sair, o velho logo cortou: Deixa prá lá muié, o tempo é ligeiro demais para a gente tomar um cafezinho quente com pão. Quando chegar ao comércio aí pago dois caldo de cana e pão doce, prá entreter a barriga... Disse o feirante em passos ligeiros e, com a barriga vazia gemendo!

O ambiente sempre alegre e estridente, com os feirantes desatando os nós dos pacotes, balaios e cestas de cipó, na arrumação apressada das coisas em mesas ou no chão mesmo, a depender do produto. Alguns fregueses como meu pai, chegavam cedinho para poder escolher a melhor carne verde, linguiça de porto, frutos do mar, frangos e perus prontos para consumo, feijão, farinha, frutas, legumes, queijo de coalho e de manteiga, doces, goma para fazer tapioca e, tudo mais que inimaginável, até sapatos e roupas...

Os implacáveis fiscais da Prefeitura são outro grupo de pessoas a chegar ainda dentro da noite, sempre com o talão e caneta na mão, momento desagradável aos que pouco ganham para sobreviver.

As cidades pequenas são restritas a uma única feira livre, geralmente construída pela Prefeitura local com gordas verbas federais e estaduais, enquanto as maiores são espalhadas por todos os recantos. Quando as cidades são próximas demais, são divididas em dias diversos para evitar a concorrência danosa. Há até vendedores ambulantes que se dividem com familiares para estarem presentes em até três ou mais mercados públicos da região.

Nunca vi um modesto comerciante se preocupar com os poderosos shoppings e supermercados... até porque não se compara o aconchego dos feirantes, em uma postura cativante, sempre disponibilizando o experimentar do que vai comprar, seja chupando uma laranja, degustando pedacinho de queijo, e mascando um fiapinho de charque crua ou bacalhau. Quando se faz freguesia semanal, algumas pessoas deixam a nota das mercadorias para vir pegar e pagar, no final do expediente num compromisso que perdura anos a fio.

Sinceramente, os grandes conglomerados de comércio não fazem graça com ninguém, quando muito, um cartão de crédito eletrônico que insistem no gastar muito acima dos seus salários. O mercado livre vem de séculos a sua história para manter o estilo simples e honesto de compra e venda de produtos de todos os tipos. Os mais antigos alguns com linda arquitetura são agraciados com as reservas do Patrimônio Histórico e Cultural, e enfrentaram incêndios, enchentes e até ameaça de demolição tornando-se uma pérola rara mantida a todo custo, inclusive com destinação anual do poder público.

Meu herói de hoje, Seu Sinfrônio, anônimo de mãos grossas calejadas lutando pela sobrevivência familiar diz: “seu dotor, sou feliz, mesmo sem puder fazer mais...” E o pesado carrinho de mão continua empurrado madrugada a fora cortando o sono merecido dos justos!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Não preciso fazer confissão de que sou magistrado aposentado, até  porque assumo orgulhoso e de público o tempo de serviço rigorosamente contado, por quem de direito! Enquanto existe insensibilidade para os pleitos dos inativos, me permito renovar a ladainha para tentar despertar os sonolentos da vida.

O que massacra o coração do aposentado é constatar existência de um rol de benefícios que elevam os valores dos cheques salários e os velhinhos, chupando o dedo, para engolir seco na débil tentativa de esquecer a efetiva discriminação entre iguais!

Aprendi e não me esqueço do ensinamento do meu saudoso professor de Direito Constitucional, Rômulo Rangel, me chamava atenção à disposição prevista no capítulo dos direitos e garantias fundamentais, quando no art. 5º, simplesmente preleciona: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” Na prática é o antiquíssimo fenômeno da paridade, que meu pai inesquecível, Hilton, sonhava diuturnamente, e cansou até seguiu para outros mundos sem receber o merecido. Evidente que os funcionários públicos e trabalhadores em geral, podem e devem ser aquinhoados com as novas vantagens funcionais, desde que decorrentes de natureza generalizada, deturpando a interpretação estatal, equivocadamente usada, para massacrar quem precisa.

Enquanto outros países amigos mantém suas constituições centenárias, nosso pobre Brasil se contenta com uma surrada Carta Magna do “sem ter nada” se passando vinte e cinco anos de incompleta vigência parecendo bem, com uma colcha suja de retalhos recheada de PECs no cardápio legislativo, com escolha para todos os gostos e desgostos.

O texto constitucional brasileiro, ao contrário do que se aplica, temerariamente, na pública administração, tem garantia na boa doutrina e lastro inequívoco na jurisprudência uníssona, assegurando direito aos benefícios dos funcionários ativos.

Na cabeça deste modesto nordestino, nunca foi tarde para exigir o que é legal e de direito. Sem nada a temer, relanço o meu modesto libelo, em nome dos colegas inativos e pensionistas, no sentido de não baixarmos a guarda, partindo para ousadas estratégias legais, sacudindo a poeira dos birôs com o brado de “IMPLANTAÇÃO JÁ” dos direitos assegurados na constituição e na legislação complementar vigente.

O tempo passou velozmente deixando rugas e ranger de dentes, entretanto, ficarão os credores e seus herdeiros na continuação de testemunhar a discriminação a direito líquido e certo. Sem palavras apropriadas, o filósofo que diga: “As rugas devem indicar apenas onde os sorrisos estiveram” by Mark Tawín.

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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