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As diversas camadas do povo brasileiro, cada qual com seus interesses ligados ao dia a dia, avaliam até onde querem chegar os baderneiros de plantão que agem criminosamente contra o patrimônio público e privado. Desde o violento episódio causado pela majoração de tarifas de ônibus urbanos, em irrisórios vinte centavos, a depredação de repartições públicas, bancos, shoppings, supermercados, alcançaram até modestas barraquinhas de jornais e revistas, vem tirando o sono do povo brasileiro!

Os pseudomotivos expandidos por estudantes, professores, médicos, bancários, carteiros, sem terras, sem casas e até os ‘sem vergonha’ vão tirando sua lasquinha da paciência humana e deixando rasto de depredações, incêndios, miséria, prejuízos e crimes. Danado que as forças públicas são intimidadas por parte da imprensa e de entidades que se rotulam dos direitos humanos enaltecendo os desmandos resistentes de bandos organizados e ferozes, sem respeitar o direito e a legalidade. O natural açodamento decorre do calendário das eleições majoritárias previstas para 2014, potencialmente visto como de grande possibilidade para ingressarem num confronto acima do previsto!

A violência tem sido o estopim para a fixação de revoluções internas em nosso Brasil, a exemplo de guerras como a da “Balaiada” em 1832, os “Canudos” 1897, e a de “Princesa” em 1930, exemplos da rebeldia do povo brasileiro.

Historicamente, em ampla mobilização social, por volta dos anos sessenta o confronto político e ideológico também chegava a uma situação, semelhante aos atos criminosos dos baderneiros de hoje, nas diversas cidades brasileiras. Somente com a saudosa Lei 6.683/79, também conhecida pela “lei da anistia”, de iniciativa do então presidente João Figueiredo fora decretada a desejada paz em torno dos “crimes políticos”.

Aos mais idosos, é possível vislumbrar um horizonte bem parecido ao caos institucionalizado em nosso país em 1964, hoje com mais ousada intensidade onde o governo federal e dos Estados, cruzam os braços de conter a fúria desenfreada de bandidos mascarados, despidos de qualquer educação e ideologia.

Acredito piamente que a grande maioria do povo brasileiro deseja ética, legalidade, transparência e compostura dos poderes constitucionais, em contraponto, detestando o chão lavado com sangue de inocentes, numa batalha fratricida e desnecessária.

Na marcha que vai, o bom senso não indica uma rápida possibilidade da volta à tranquilidade, sem que a verba pública saia dos cofres estatais para áreas da educação, saúde, segurança, habitação e saneamento. Claro, além de corte profundo nas verbas inespecíficas e supérfluas da administração pública com corrupção, desvios de verbas públicas, salários defasados e a inflação dando sinais de estar viva!

Nesses tempos tenebrosos, baderneiros querem a imediata desestabilização e destruição da atual política brasileira derrubando o capitalismo e abrindo novo sistema, à moda de países sul-americanos enfronhados em ditaduras socialistas. Contudo, ainda há tempo suficiente para a guerra civil não se instalar, custe o que custar!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Não há nada melhor na vida do que a convivência familiar deixando todos numa eterna satisfação. Claro que existem momentos desconfortantes, porém, não chegando a desestruturar a resistente célula máxima da sociedade mundial.

No correr do tempo, minha família esticou um bocado no quesito maternidade, apesar de poucos filhos, os netos foram nascendo, deixando o avô coruja num sorriso aberto e olhos brilhando de felicidade. É verdade que já ouvi alguém dizer que ‘não existe felicidade, e sim momentos felizes...’ Pois bem, de um jeito ou de outro, sou réu confesso de satisfazer todos meus netos!

Sempre que posso, coloco em desfile minhas lindas netinhas, começando por Maria Luíza sendo a cabeça do grupo, um morenaço com doze anos, que deixa o pai ciumento e preocupado com as saídas vigiadas para shoppings, praias e outros lugares aprazíveis. Pré-adolescente, Malu impõe o cuidado que vem da sua beleza!

Maria Clara, que mora noutra cidade perto, só quinzenalmente o avô mata a saudade. Certo dia, Clarinha insistia em pedir para soltar um porquinho da Índia, em nosso apartamento, que ela mesma já tinha alisado e brincado, várias vezes. Ante minha resistência, até porque o bichinho estava cansado, nos seus oito anos de vida, ela se saiu com esta: “vovô Marquinhos, deixe brincar mais um poquinho?” E foi irresistível!

A mais movimentada de todas minhas seis Marias, batizada com o nome de Maria Vitória, recebeu o apelido de Viví, que se transforma num verdadeiro dínamo gerando energia, sempre risonha e despachada. Com um ano e dez meses é quem se encarrega de atender a todas chamadas telefônicas da casa e dos pais. Estuda num colégio bilíngue e mistura português com inglês.

Numa gravidez inesperada, quase quebrando o resguardo maternal anterior, nasceu Maria Rita sorridente e determinada com o horário das suas refeições, já iniciou o balbuciar nos seus oito meses de nascida dando os braços para o avô atento, sinal de simpatia familiar.

Maria Valentina, ainda sem apelido, veio completar o plantel de netas deste cronista avô, com apenas dois meses de nascida, me fez semana passada a primeira visita na laje do bairro de Manaíra. De braço em braço dos parentes, choromingou um pouco com fome e mamou no peito da mãe até se dar por satisfeita, pelo melhor e saudável leite materno.

Completado o time de netinhas, vem minha filha Maria Adélia, herdou o nome da sua saudosa avó e também leva o título de tia querida de todas as sobrinhas, sendo hábil amazona laureada em competições nacionais. Ama seus bichinhos de estimação, como a gatinha branca, Alice, com um olho verde e outro azul e o esperto cãosinho Joca que sempre passeia pelo meu quarto. Ela escolheu e se prepara para o vestibular de Medicina Veterinária, ainda nova com seus dezessete anos de muita atividade.

Minhas queridas “SEIS MARIAS” é o troféu abençoado por Maria Santíssima, sendo o mais importante da minha vida, onde corre o sangue familiar deste jornalista me animando nos momentos alegres e confortando-me em tempos de dissabores, entretanto, tudo confirmado em exemplo do mais puro amor!

(*) Advogado e desembargador aposentado

 

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Desde os primórdios da vida, a vaia é instrumento forte, prático, avaliador e de repúdio contra pessoa ou grupos. São manifestações populares as quais, geralmente, desenvolvidas em avenidas e praças importantes do local escolhido. Também acontecem em recintos fechados, como teatros, ginásios poliesportivos, estádios de futebol, igrejas, auditórios, conchas acústicas dentre outros. Na verdade, o objetivo direto é gritar o famoso “Buuu” e chegar aos ouvidos do destinatário com consolidação nos anais da história universal.

Sem fixação histórica, contam que as vaias começaram na Grécia Antiga onde o povo se dividia entre aplauso e apupos nas execuções públicas. Muitas vezes, chegavam ao extremo de completarem a desaprovação, jogando ovos, tomates, laranjas, maçãs, etc!

Aqui no Brasil, embora exista o direito de acesso à informação, ainda tem quem defenda a amplitude de leis mais abertas ao conhecimento dos atos republicanos. De forma que, há direito previsto no Art. 5º, Inciso IX da Constituição Cidadão, em tese, garantindo a todos a liberdade de expressão do cidadão, inclusive, oralmente e no âmbito da comunicação. Não tenho medo de escrever que o direito à vaia é intocável pelo Congresso Nacional brasileiro.

Os apupos populares já tiveram presenças marcantes, ao tempo que governadores e prefeitos inauguravam tudo e mais alguma coisa: até uma simples faixa de tinta pintada que dividia os dois lados de uma estrada. As casas de conjuntos populares, como exemplo, são preciosidades disputadas entre governos, federal, estaduais e municipais, num prato feito para a eleição de 2014.

Com medo de turbas, tem sido muito comum, pessoas poderosas tentam amedrontar o direito de gritar do cidadão comum, contratando claques e seguranças para garantir deslocados de ônibus, caminhões, tratores e carros para o local da solenidade.

Tanto aqui quanto além-mares, o poderio e expansão da comunicação da vaia não poupam ninguém seja: solenidade de posse, aberturas de jogos, convenção partidária, anúncios dos órgãos públicos e, tudo ao vivo e a cores. Assim, o Primeiro Ministro Britânico, Sir David Cameron levou uma sonora vaia dos parlamentares da Câmara dos Comuns, por ter facilitado escutas ilegais e recebido propinas. O seu bombástico discurso teve que ser suspenso para restabelecimento da ordem.

Já  o Presidente do Irã, Hassan Rohami, em visita diplomática aos Estados Unidos ousou conversar, por telefone, com nada menos o Presidente dos EUA, Barack Obama e, ao regressar para Teerã foi recebido por um misto de aplausos e vaias.

No nosso querido Brasil, a Presidente Dilma presidiu a solene abertura da Copa das Confederações da FIFA, recendo uma vaia tão grande que impediu, formalmente, que abrisse os trabalhos do importante conclave futebolístico. Aliás, seu antecessor Lula Inácio, também não ficou de fora das vaias do povo, durante a abertura dos Jogos Pan-americanos de 2007, ainda Presidente, foi em pleno Maracanã lotado, que tentou confundir tribuna de honra com mero palanque político, sendo abafado pelos gritos do coro dos descontentes.

E ainda tem gente que teima para acabar com o direito da vaia!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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É mais do que claro que todos se ressentem por mais médicos em todo o país, principalmente nas cidades pobres e distantes dos maiores centros urbanos.

O programa “Mais Médicos” seria uma boa iniciativa se não houvesse tanta precipitação em sua implantação. Mesmo depois dos primeiros grupos pisarem no solo brasileiro, entraves legais continuam inarredáveis, na apresentação do Diploma de Médico, por faculdade a ser reconhecida pelo Ministério da Educação e, o posterior registro perante os Conselhos Regionais de Medicina dos estados. Criou-se então, um caminho tortuoso com dezenas de complicados e ilegais editais no âmbito do Ministério da Saúde e, até um remédio foi sacado para socorrer os médicos estrangeiros, a “revalidação”.

Já faz algum tempo, por volta dos anos noventa, que cirurgiões dentistas brasileiros foram escancaradamente rejeitados pelo governo português, impedindo a conquista da certificação legal e o exercício profissional. Na prática, tudo a evitar a concorrência profissional, decorrente de uma reserva profissional lusitana, para proteger aqueles patrícios em detrimento dos irmãos brasileiros. Este fora um triste episódio histórico que discriminou os dentistas brasileiros, gerando o que se denominou de “estrangeiridade”, vocábulo levantado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman.

Contudo, os médicos importados foram chegando devagarzinho, hora com vaias, outras com flores... E vão ficar de mãos abanando, porque o poder público pouco se empenha em manter os hospitais existentes e, muito menos, ousar a construção de novos e modernos estabelecimentos. Os grandes hospitais estatais do país oferecem assistência péssima, com filas intermináveis para atendimento e, quando acontece, a precariedade é constante na falta de equipamentos médico-hospitalares e remédios para combater as doenças.

Gerou-se uma atabalhoada batalha jurídica para remediar o açodamento do programa “Mais Médicos”, dando lugar a incontroláveis superbactérias infestando as enfermarias, apartamentos e UTIs, que vão resistindo no rotineiro tratamento, ceifando vidas inocentes que pagam pela incompetência e inoperância da saúde pública brasileira!

Com variações de salários, dos médicos importados ficaram a depender do país de origem, sendo primeiramente anunciado R$ 10 mil reais mensais, porém na prática oscilam entre R$ 2.500 a R$ 4.000 o que é flagrantemente inconstitucional. Importante que o Ministério Público e o do Trabalho, de ofício, não investiguem e formalizem processos capazes de evitar desvios de verbas públicas. Agora mesmo, os Conselhos Regionais de Medicina, autarquias atípicas, se negam em regularizar os médicos estrangeiros nas coxas, tornando-se entrave aos desejos da população.

Debaixo de tantas heresias, em pura verdade, o brasileiro permanece sem médicos, hospitais, equipamentos, remédios e tudo o mais que pudesse amenizar o sofrimento dos enfermos. A pressa na implantação imprevista do programa “Mais Médicos” é uma antiga e parecida ópera bufa, que vem sendo costurada, a todo custo, até os primeiros dias de 2014, quando a campanha eleitoral autorizará a colocação dos blocos dos partidos políticos nas ruas, praças e logradouros, dançando num gemido que não gostaríamos de ouvir. O povo não merece, minha gente!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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da não tinha vindo a este mundo de Deus, mas li em livros de História da Humanidade e vi também em empolgantes filmes, quando a 2ª Guerra Mundial chegava a um momento de maturidade e necessidade dos Aliados de, jogar toda força bélica na invasão da Normandia, pela libertação do jugo do Eixo, tríplice formado pela Alemanha, Japão e Itália. Tudo começou com a ousada e ambiciosa invasão nazista na Polônia!

Os melhores estrategistas mundiais, a exemplo do grande general norte-americano Dwight Eisenhower, desenvolveram um plano mirabolante, utilizando assalto aéreo de vinte e quatro mil norte-americanos, britânicos e canadenses, além da participação das tropas francesas aerotransportáveis e desembarque anfíbio da sua infantaria. A retomada da Normandia, em pleno litoral francês, teria que estancar o avanço nazista na tentativa da conquista de Paris.

Nomes importantes no tabuleiro do jogo da guerra mundial marcaram as páginas históricas, como Hitler, Stalin, Roosevelt, Romel, Churchill, Von Rundstedt, dando o tom da importância do que havia de melhor.

Finalmente, na manhã do dia 6 de junho de 1944 era ordenado o início do DIA D, código que autorizava o avanço das forças Aliadas sobre os alemães nazistas, com fantástico “golpe de misericórdia” e tudo, em nome da paz mundial!

Pois bem, na tarde da próxima quarta-feira, dia 18 de setembro de 2013, os brasileiros já sentiram os efeitos do novel ‘DIA D’ nas suntuosas dependências da nossa Excelsa Corte Constitucional, numa guerra fria, sem mobilização de tropas, equipamentos bélicos e sem disparar um só tiro! Nessa batalha jurídica, ganhará, simplesmente, quem prolatar o décimo primeiro voto. E teve ministro novato que encheu o peito no plenário Excelso, para dizer que não respeita nem se importa a opinião pública brasileira...

Com a aposentadoria ex officio dos ministros, Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso, nos limites da idade máxima de setenta anos, a guerra instalada no âmago do Supremo tribunal Federal consumiu vários anos para ser o mais longo processo a ser julgado na Corte. De importância máxima, decorreram modificações temporais, com votantes novatos assumindo novos assentos para modificar o entendimento e o placar. Surpreendente empate no STF teve cinco votos pela eternização da APN 470 tornando difícil aos réus condenados ao cumprimento em prisão, e outros cinco votos pela rejeição dos Embargos Infringentes que saciaria a fome de justiça do povo, imediatamente iniciando a contagem diária na solidão da cadeia pública.

Na verdade estamos em frente a uma bomba atômica, chamada ‘Embargos Infringentes’, com inimaginável poder letal que poderá ou não, encerrar celeremente os rumorosos processos dos mensaleiros. E antes que ‘O Dia D’ do Supremo Tribunal Federal chegue à derradeira rodada processual, o país é sacudido com vontade de assumir as togas supremas para dar um “chega pra lá” contra a impunidade e desconfiança da progressão do tecnicismo processual.

O eminentíssimo ministro Celso de Mello, decano do STF irá, sim, desempatar nesta tarde do Dia D, com direito a transmissão ao vivo pelas redes de televisão deixando todos de olhos arregalados aguardando a conclusão final. Por sinal, o voto já estaria até pronto em casa, disse o ministro, açodando jornalistas, juristas e políticos na interpretação sobre sua evolução ou não, nos trilhos constitucionais da Corte Máxima do nosso país. Quem viver... verá!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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O vício do cigarro já foi muito forte, em todos os níveis da sociedade, indo desde o cigarro de palha onde as pessoas pobres saciavam seus desejos até o maço prontinho de vinte cigarros, com embalagens luxuosas e coloridas, até com filtros de algodão.

Há quem diga que o cigarro feito em casa envolve uma ampla encenação teatral, iniciada pela escolha, nas tradicionais feiras públicas ou antigas mercearias, do pedaço de rolo preto de fumo, também chamado de tabaco, que soltava um odor natural e bem especial. Transferindo de pai para filho, o fumante se sentava de cócoras ou, num tamborete baixinho de maneira, e começava cortando em pedacinhos secos e picados com canivete amolado, em seguida salpicando vagarosamente no leito de um papel fino para dar forma cilíndrica. A ponta da língua molhada do fumante serve de cola para fechar a peça, cada qual escolhendo a intensidade das lambidas!

Uma das pontas do cigarro popular é sempre amassada para evitar desenrola-lo, e também para encostar os lábios puxando a fumaça quente que enche a boca inteira do viciado. Alguns apenas puxam o fumegar, outros sugam fazendo o trago que vem a ser o engolir vapores exalados. Estando em casa, o fumante vai até a cozinha, toma um gole de café requentado numa garrafa térmica, finalmente, acende a cativante obra de arte no fogão, aspirando com satisfação, para depois expelir a fumaça, tanto pelo nariz como pela boca...

Enquanto garoto, entre os doze ou mais anos, por vaidade e incentivo dos outros comprava um maço do popular cigarro Hollywood, me mostrando as meninas da época, mas nunca gostei de fumar.

Marcas como Carlton, Lucky Straik, Minister, Charme, Hilton, Ritz, Astoria, Plaza, todos da maioria fabricada pela poderosa Souza Cruz, fundada em 1903 circulavam em bancas de jornal, barracas de cachorro quente, clubes sociais, enfim em todo canto.

Uma tia minha gostava sempre de um cigarrinho depois do almoço e seus sobrinhos não suportavam o cheiro daquela fumaça. Certo dia celebrou um plano diabólico para amedrontar a viciada que soltava baforadas incensando toda a casa!

Com ajuda de outro tio, este muito engraçado, compraram na feira algumas gramas de espoletas de espingarda soca. Cuidadosamente tiraram do maço menos da metade do fumo e em cada cigarro foram inseridas duas ou três espoletas, depois cuidadosamente era completado o cigarro. Operação desenvolvida, toda a família fora avisada e as apostas eram sucessivas em torno de quantos estalos seriam dados.

Num domingo de reunião familiar, todos se serviram bem e, inventaram um demorado cafezinho e, como o vício sempre vence o viciado, a velha tia, de repente, pediu licença e desapareceu da sala de estar. A torcida ficou silenciosa e era tudo que precisa na grande lição da prática antitabagista e o suspense predominou entre todos familiares, menos a fumante! Passados cinco minutinhos, estrondosos tiros de espoletas ecoaram no banheiro da casa, completado pela quebradeira de tudo que tinha em cima da bancada da pia, com frascos de perfume, loções, copos, saboneteira, xampu e outros objetos do quarto do casal. Em meio à gritaria dos sobrinhos e demais familiares, lá apareceu a tia gritando assustada, com os cabelos assanhados, e roupa seminua, correndo atarantada por toda casa, com um maço de cigarros apertado na mão, a pedir socorro. Lembro-me que valeu a lição, e o cigarro apagou!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Os magistrados brasileiros têm, sim, obrigação inadiável de dar o bom exemplo, a tudo e todos. Na prática somos cobrados como se fossemos algo sobrenatural, impecável e científico. Ledo engano, somos de carne e osso, agindo como pessoas comuns, e até sujeitos na especial aplicação do regime absoluto de tempo integral e dedicação exclusiva, para estudos e práticas jurídicas. Onde, exige-se decidir processos com celeridade, imparcialidade e acerto, desde que o bolso, parte mais delicado do corpo, não sejam vulnerados por mesquinhos cortes orçamentários.

O povo, na sua grande maioria, apenas conhece a parte final do complexo trabalho jurídico, justamente, a prolação das decisões processuais que, muitas vezes, desafiam à paciência dos que sofrem famintos de justiça!

Com o advento da internet, para mim, uma das grandes invenções deste século, facilitou muito o trabalho dos operadores do direito, descongestionando os balcões dos cartórios e secretarias dos órgãos judicantes. Os processos repetitivos e os mutirões não resolveram a enxurrada de cadernos processuais acumulados, contudo, já é um bom sinal para aperfeiçoamento dos trâmites legais.

Na respeitável condição de Poder Constitucional, o Judiciário avançou muito no esforço de acordar todos, em alcançar a exigida agilidade processual. Todavia, ficou a desejar uma participação mais equânime e respeitável no Orçamento Anual da República, peça técnica anual que sempre disponibiliza uma magra verba de pessoal para o reajuste salarial dos juízes de todas as instâncias.

As demais categorias profissionais do país, nem bem amanhecem no ano novo, logo saem às ruas, organizam mobilizações, cruzam os braços em demoradas greves, depredam bens públicos e privados e, na maioria das vezes, prejudicando o trabalho da instituição judicante, com reflexos na população brasileira. E sempre conseguem o aumento anual, acima da inflação do respectivo período.

Depois de minguados reajustes, o eminente Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, ousou quebrar o silêncio sepulcral, remetendo à Câmara dos Deputados, proposta comedida de projeto de lei para reajustar o teto máximo salarial do país para R$ 30.652,48 “para compensar as perdas sofridas em face do processo inflacionáriode janeiro de 2012 até estes dias.

Sem direito à paralisação e, dando sempre o bom exemplo, não absolvido pelas demais categorias, os magistrados do Brasil devem usar, com toda força, na voz e na caneta para serem lidos e ouvidos, nos quatro cantos do país, exercitando o consagrado direito por um reajuste salarial sério e compatível.

Paralelamente ao choro convulsivo dos pobres indigentes da justiça, também os magistrados sentem sede e fome dos valores congelados pelas impiedosas máquinas orçamentária federal e estaduais. O índice inflacionário, submetido e manipulado aos desejos governamentais, deixa um rastro de tristeza, acanhamento e vergonha.

Afinal de tudo, sem direito de chorar, o Juiz também faz a sua feira semanal!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Quando ainda não existia televisão, lembro-me bem que a gurizada, nos finais de semana, ia para as sessões diurnas dos cinemas onde passavam filmes simples e sem maiores técnicas. Muitas vezes, a fita torava parando a projeção, e obrigando acender as luzes sob vaias dos meninos... Predominava o bang bang com artistas conhecidos da época, a exemplo saudoso de heróis como: Rock Lane, Roy Rogers, Durango Kid, Zorro e seu cavalo branco, Flash Gordon, Fantasma, Capitão Marvel, Capitão América, Hopalongo Cassidy que sempre venciam a bandidagem. Também vibravam a eterna luta entre mocinho e seus parceiros contra os índios invasores das terras e roubo do gado nas pastagens. Os assaltos às carruagens puxadas a cavalos, com malas de couro cheias de moedas de ouro deixava suspense, bem como os duelos ao ar livre entre o velho xerife da cidade e bandidos visitantes. Sim, naqueles tempos, os belos desenhos animados do inesquecível Walt Disney alegravam como hoje, adultos e crianças!

Detalhe importante no enredo dos filmes consistia que o Mocinho do bem, nunca atirava primeiro, sempre falava a verdade, seus segredos eram mantidos, gentil com as crianças e, educado com pessoas de idade. Alguns usavam máscara completa no rosto, outros, simples lenço cobrindo nariz, boca e queixo.

Pois bem, o tempo passou e uma nova onda apareceu em nosso Brasil, fora dos cinemas, para impulsionar o movimento democrático das “Diretas Já”, dos anos oitenta. Posteriormente, o movimento estudantil dos anos noventa, denominado de “Caras Pintadas” pressionou e conseguiu o Congresso Nacional votar e decretar o impeachment do então Presidente eleito Fernando Collor de Melo.

Recentemente, o movimento estudantil pegou fogo ao questionar o aumento da tarifa de ônibus urbano, em irrisórios R$ 0,10 (dez centavos). Infelizmente, tudo não passava de um propósito criminoso, para desviar e demonstrar a força de uma facção desconhecida, preparada para a baderna e o vandalismo nas depredações do patrimônio público e privado. Muitas centenas de ônibus incendiados, repartições públicas invadidas e depredadas, agências bancárias e lojas furtadas, carros incendiados tudo, com a proteção de máscaras pretas da impunidade. As polícias Civil e Militar perderam a parada!

Depois do fracasso no recuo e conchavos com o Governo Federal eis que, o Governo de Pernambuco resolveu proibir uso de máscaras no rosto nos movimentos populares, bem como a revista das mochilas que carregam molotovs de alto teor destruidor. Esses mascarados, se rotulam de blacks bloc copiando organizados guerrilheiros de outros países e, se infiltram em toda e qualquer movimento popular, depredando, saqueando, incendiando, ferindo pessoas e até matando quem tiver pela frente.

Foi muito simples a explicação do governo pernambucano, ao invocar o art. 5º da Constituição Federal que admite reunião pacífica, em lugar aberto ao público e, sem armas. Todavia, nossa constituição cidadã não acolhe o direito ao anonimato, que vem configurar a máscara, como sendo instrumento para prática de crimes!

Manifestantes em todo país, têm direito, sim, de publicamente reunir-se nos logradouros e ruas, sem uso criminoso de molotovs, varões de ferro, pedradas e, principalmente, sem máscara. O exemplo pernambucano deve ser adotado em todos Estados e Distrito Federal, ao tempo em que a máscara vai cair em todo o Brasil.

 

(*) Advogado e desembargado aposentado

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Enquanto menino de calças curtas saia de casa sem avisar, ultrapassava apenas um quarteirão de casas e lá encontrava os trilhos deitados em dormentes de madeira, que ligava o centro da cidade a bela praia de Tambaú, aguardando a vinda do bonde urbano elétrico da cidade de João Pessoa.

Por sua vez, aquele transporte público era alimentado por um longo braço de ferro que ligava o motor da frágil máquina com os fios dependurados por possantes postes. A estrutura era montada em cima de dois longos conjuntos de rodas de ferro que se encaixavam nos trilhos e a energia se encarregava de impulsionar. Ao redor da composição havia três batentes de madeira para as pessoas poderem acessar o patamar de cima, os toscos bancos de madeira. Tratava-se de uma composição aberta, havia puxadores laterais que iam desde o último degrau até o teto coberto por folhas de zinco pintadas.

Além da autoridade do motorneiro, fardado e com chapéu quepe, a máquina de ferro e madeira tinha também um cobrador que recolhia numa sacola de couro o dinheiro, do valor respectivo do trecho a ser cumprido. A buzina da máquina se resumia às cordas de náilon postadas dos dois lados do conjunto de cadeiras, no tilintar de um pequeno sino, e outro nos pés do motorneiro que, nem sempre era ouvido pelos carros antigos da época. Muitas barruadas aconteceram, contudo, sem maiores desgastes dos veículos e insignificantes ferimentos!

Nesse contexto, era aí que o garotão magro e de pernas finas, calçado por artesanais alpercatas de solado de borracha de pneu ficava atento na parada do bonde elétrico urbano perto de casa. Logo que é dada a partida, sem dinheiro, apressava os passos e subia no lado em que o cobrador não estava. Quando era flagrado do lado oposto aí virava uma competição, a passos largos onde o menino sempre ganhava à parada. Depois de saltar em movimento, o garoto ficava esperando para a volta triunfal do regresso a casa.

Muitas vezes, chegava alegre pelo passeio proibido, já tarde em casa e, sem desculpa aceitável, o pau comia com boas chineladas e cinturãozadas dos pais!

Hoje, temos em curso um novo e moderno bonde, também chamado de trem-bala entre cidades importantes do mundo, como Tokyo, Londres, Paris e tantas outras encurtando as distâncias com velocidade de bala, mesmo!

No nosso irrequieto Brasil, depois de várias suspensões do leilão internacional organizado pelo Governo Federal, agora o TAV – Trem de Alta Velocidade submete-se a adiamento por prazo indeterminado, congelando o desembolso de verba pública em cerca de 80 milhões de reais. Os motivos do fracasso são resumidos na falta de organização, legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência, prudência e, operacionalidade.

Nosso trem-bala nem chegou e já sumiu dos trilhos! Ainda bem que retenho na memória o saudoso bonde feliz da meninada dos anos cinquenta e sessenta, a quem saúdo alegre, sem a certeza de poderem acreditar nas coisas do governo!

 


(*) Advogado e desembargador aposentado

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De uns tempos para cá, a população de baixa renda e média vem suportando, dolorosamente, a parte mais sensível do corpo humano, que vem a ser o nosso bolso! Isto porque a dor é decorrente de uma série de fatores fundamentais, que muitos poucos têm acesso aos números captados, com uma série de siglas desconhecidas e com dificuldade de entendimento, por sermos analfabetos, em matéria da economia de mercado.

Na prática, o povo brasileiro vem sentindo o aumento da cesta básica, e sempre tem um vilão para justificar o aumento despudorado. O INPC, Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo, que regula a inflação, recentemente, culpou o tomate como o bandido do aumento dos preços...

Na brincadeira, foram oito décadas e quinze planos econômicos, com mirabolantes promessas de controle da economia, que foram engolidos, a começar pelos idos de 1939, quando o governo federal se preocupou com a feitura de um modelo econômico para o Brasil. Em 1950, o Plano SALTE priorizou alimentos, saúde, transportes e energia, também criando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, mais tarde sendo acrescido a sua denominação pelo verbete SOCIAL. Desta forma, até 1956 foram criados órgãos específicos para formatar e tentar o controle dos planos econômicos.

A partir de então, o Governo Federal inventou o Plano Trienal de 1963/65, seguido do PAEG – Programa de Ação Econômica de Governo (1964/66), Plano Decenal (1967) não foi executado, PED – Programa Estratégico do Desenvolvimento (1969/70) e aí vieram os PND Planos Nacionais de Desenvolvimento, com o primeiro em 1971/74, seguindo o II 1975/79, o III 1980/85, mudando para Plano Cruzado (1985) e com o seu fracasso veio o Plano de Controle Macroeconômico (1987/91) e o Plano Econômico 1991. Finalmente, tivemos o Plano Real iniciado em 1993, até os atuais dias. Foi idealizado pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso e aprovado pelo Presidente da República Itamar Franco.

Tudo isso não foi, nem será entendido pelos brasileiros, em cujas costas pesam as oscilações do monstro da inflação, hoje acumulando ao patamar de 6,7% na soma de doze meses!

Os reflexos das eleições presidenciais de 2014 deixam, sem controle, os preços de aumentos em setores vitais como: alimentos, remédios, educação, energia elétrica, combustíveis, água, transporte, habitação e outros tantos.

Os movimentos sociais que saíram às ruas e logradouros do país estão de olho na inflação descontrolada pela incapacidade ministerial. Com certeza, voltarão à ferrenha cobrança de itens importantes aos governos federal, estaduais e municipais, onde as verbas públicas correm soltas no desvio da água nojenta da corrupção.

Não se pode acreditar em índice inflacionário num país onde existe imprevisão para os resultados dos julgamentos dos réus, no Supremo Tribunal Federal, dos rumorosos processos do mensalão, com conclusão diversa do conhecimento popular onde tudo é possível, inclusive, nada!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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SEM NENHUMA VERGONHA!

MARCOS SOUTO MAIOR (*)

Apesar de uns poucos brasileiros não se incomodarem com o futebol brasileiro, a maioria é sempre esmagadora por ser assunto sempre presente em todo canto.

A história futebolística nacional teve seu primeiro desencanto em 1950 quando o Brasil sediou a Copa do Mundo na sua quarta edição, com jogos espalhados entre Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro de São Paulo. Começando por golear a Suécia por 7 x 1 e Espanha 6 x 1 e jogadores como Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto, Zizinho e o goleiro Barbosa, que chegou à final mas sem reeditar a boa performance.

Final da Copa de 50, claro que foi no Maracanã, em 16 de junho daquele ano com o público recorde e a euforia do povo brasileiro que confiava na sua seleção. A presença de Jules Rimet demonstrou o interesse pelo nosso país e, mais tarde rotularam seu nome no maior troféu de futebol mundial!

A FIFA registrou, naqueles tempos, a presença de nada menos que 173.830 torcedores em todos os setores, que pagaram ingressos, mas fala-se que o público chegou ao extravagante número de 220 mil pessoas presentes ao Maraca.

Como todos sabem, o Brasil jogava pelo simples empate e, mesmo assim perdeu do Uruguai por 2 x 1 com a culpa recaindo no grande goleiro Barbosa. Naquele momento emocional entre choros, lágrimas e palavrões tinha que alguém oferecer uma face para que batam até sangrar...

Tempo passou, e nova sede de Copa do Mundo foi novamente “sorteada” aqui no Brasil para 2014, com estádios ainda engatinhando para poder andar e abrir seus portões para a vibrante torcida brasileira. O time até que caiu no gosto da torcida que aguarda o próximo ano.

Quando tudo estava convergindo para sucesso, eis que o respeitado time brasileiro, onde pontificaram rei Pelé, Coutinho, Pepe, Gilmar, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Rildo, Clodoaldo e tantos outros “reis do futebol brasileiro”, caiu na esparrela de marcar amistoso na Espanha, enfrentando o Barcelona de Messi, com troco em nome do nosso Neymar.

Tive a infelicidade de assistir, pela televisão, o que seria um espetáculo futebolístico mundial para tornar-se numa pelada onde o Barça deitou e rolou em cima do falido Santos, impiedosamente desmoralizado numa lavagem nunca dantes vista pelos brasileiros!

A goleada de oito gols do Barcelona, contra zero do Santos de Pelé é uma esculhambação que exige explicações do atual presidente do Santos, o desconhecido Luiz Álvaro Ribeiro, a começar raspando a barba rala para a gente vermos a cara como ela é...

O plantel santista merece, urgentemente, reforço para se nivelar aos demais times do país e do exterior, voltando a satisfazer sua exigente torcida e simpatizantes.

A vergonha é algo que não depende de nós, contudo, daqueles que não avaliam os limites e consequências do ridículo, manchando a glória conquistada no passado de muito suor, amor, dedicação e responsabilidade.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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De um dia para o outro, passados os anos setenta do governo militar até  o impeachment do Presidente Collor de Melo, o Brasil voltou a ter uma juventude calada, sonolenta e indiferente das coisas do país. Quiçá na onda do nosso hino nacional sugerindo ficar “deitado eternamente em berço esplêndido...”!

A cidade de São Paulo, inesperadamente, acordou com barulho ensurdecedor dos jovens, protestando contra aumento das tarifas dos ônibus urbanos, em míseros R$ 0,10 (dez centavos). Entretanto, tudo fora mero pretexto para o alvorecer do tempo de protestos. Incontinente, as lideranças jovens espalharam por todas capitais brasileiras e cidades do interior, o sinal do novo tempo para os brasileiros!

A juventude que enfrentou o governo federal e os estaduais mobilizou-se para a vinda de Sua Santidade, Papa Francisco, para liderar a Jornada Mundial da Juventude, na cidade do Rio de Janeiro. Espontâneo encanto formou-se nas areias da praia de Copacabana, com mais de três milhões e quinhentos mil pessoas, rezando pela paz, justiça e concórdia.

Maior presente para os brasileiros e convidados não poderia receber de Deus, senão a presença da esperada presença, entre nós, do Papa “Chiquinho”!

Desde a descida das escadas do avião vindo de Roma, Papa Francisco fez questão de segurar sua pasta de trabalho, dispensou carro blindado, mandou tirar as laterais do “papa-movel” para ver o povo, escolheu um automóvel popular para os trajetos pelas ruas da cidade maravilhosa e, visitou o Hospital São Francisco de dependentes químicos. Usou, ainda, cocar de índios brasileiros, colar de flores, camisas de times de futebol, distribuiu acenos, pegou crianças no colo, recebeu presentes, abraçou e beijou pessoas, pousou para fotos, distribuiu terços, medalhas e bebeu chimarrão. Conhecendo a miséria escondida dos mais sofridos, fez questão de ir às favelas cariocas, em demorada passagem.

As virtudes de Sua Santidade demonstraram pureza, simplicidade, respeito, carinho e paciência por todos participantes da JMJ, e até mesmo, de pessoas com outras religiões e credos. Deixou exemplo determinado para todo o clero, alertando contra a riqueza e a exigência da presença dos padres entre a população, rogando para que amem a pobreza e caminhem pelas ruas e logradouros para mostrar a presença de Jesus Cristo em todos os recantos da terra.

Muito mais que um Papa temporário, Francisco é consagrado e respeitado líder internacional cuja inteligência e inspiração divina servirão de apoio ao povo sofrido pela sede e fome. Combaterá a violência urbana e as guerras fratricidas; impedirá a exploração do homem pelo homem, denunciará desvios de verbas públicas e orgias estatais desenfreadas.

Nas despedidas, me incluo na santa bênção do Papa Francisco conclamando a juventude: “Peço que vocês sejam revolucionários, peço para vocês irem contra a corrente, peço que se rebelem contra essa cultura do provisório.”

Sua Santidade Papa Francisco, muito mais que chefe da Igreja Católica é consagrada liderança mundial de um sacerdote forte, ético, democrático, moderno e simples!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Toda criança tem e merece seus sonhos, simples ou mirabolantes deixando os pais sempre angustiados porque a realização dependia, invariavelmente, do dinheiro suado de cada dia. Antigamente pediam e eram consolados com objetos baratos e simples como uma bola, carrinho, pião, pistola de plástico, joguinhos como pega varetas, dama e baralho.

Claro que sempre existiu uma ponta de vaidade para quem recebia um bom e caro divertimento em contraponto com a inveja de quem ganhava um presente barato e mixuruca... De início havia, sim, esse consequente desequilíbrio valorativo para a meninada, de brinquedos nas mãos, distribuídos em grupos seletivos, entretanto, os equipamentos terminavam se misturando. A brincadeira começava com sorrisos e os gritos de pura alegria!

Na redondeza onde morava com meus saudosos pais, havia uma espécie de condomínio dos brinquedos ganhos, principalmente no tempo natalino, onde os padrinhos também presenteavam os afilhados. A garotada se reunia na calçada da rua, ou no terraço e quintal de uma residência espaçosa onde todos brincavam com os presentes de todos... Seria uma espécie natural do socialismo de brincadeira!

Confesso ter visto e enamorado, em loja de miudezas, na Rua Direita, hoje Duque de Caxias, perto de minha casa, uma vitrine com trator vermelho de galalite, apoiado num chassi de ferro e com duas pilhas movimentavam a esteira de borracha empurrando desde caixas pequenas até cadeiras sem braços da loja. A concha na parte frontal era movimentada para cima e para baixo cavando pedrinhas, areia, caixas de fósforos, e até tampas de refrigerantes.

Nas vezes que passava na lojinha de seu Viana, velho abusado e poupeiro, era enfeitiçado entrar para perguntar pelo imutável preço do meu objeto de desejo. Saía cabisbaixo e triste com olhos marejando, mesmo assim, sempre reconhecia o pequeno salário de Seu Hilton. Foi minha primeira lição de vida aprendida no seio da minha querida família!

Engraçado que a turminha do colégio, ao término das aulas, saia em procissão e paravam para perguntar ao dono da loja: “seu Zé tem bombons?” A resposta de seu Viana era imediata: “cabra safado eu vou anotar para dizer a seu pai, cahorro...” Sendo acudido pela simpática esposa Dona Elza, muito diplomata e risonha. Até hoje não entendi a ira do vendedor, inclusive o nome José é até bíblico e bonito.

Tempo passou e meu sonho de infância foi ultrapassado pela adolescência não mais me interessando pelo trator vermelho! Até porque estudei e me esforcei para ter uma vida mais saudável para mim, minha mulher, filhos e agora netos, mudando meus devaneios.

Hoje, vejo que alguns amiguinhos mantiveram intactos seus desejos infantis! A vontade extravagante de ter um avião, por exemplo, é somente delírio para muito poucos que contamos nas pontas dos dedos. Até porque a máquina de voar é equipamento restrito e possível aos poucos e ricos empresários que conseguem adquirir, afora os abonados dos órgãos públicos federais e estaduais, que gastam e desgastam as verbas públicas.

Pois bem! O meu contemporâneo da infância, desprezou a turminha de amigos para continuar na ambição desmedida de ter um avião à sua disposição e seus familiares, o que terminou, como num passe de mágica, ter mais de um aparelho voando, mesmo sem gastar um tostão furado...

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Sempre houve cargos comissionados em todas as nações, até porque há  necessidade e legalidade para um arejamento das mentalidades na pública administração, em razão da maioria dos servidores efetivos se amoldarem logo às suas tarefas, numa rotina que impede modernidade e maiores novidades no trabalho.

Em todos os países, a começar pelos Estados Unidos das Américas, onde tem uma superestrutura administrativa, mantém apenas, cerca de nove mil comissionados. Já Alemanha e França criaram cargos de livre escolha dos chefes com algo em torno de mais de quinhentos; e a Inglaterra com apenas trezentos comissionados.

Nosso Brasil é disparadamente o campeão dos cargos públicos comissionados, que a cada ano que passa, aumenta mais e mais os disputados cargos, sem passar por concursos públicos. Recentemente, a imprensa denunciou que, entre o exercício de 2008 a 2012 os cinco mil e seiscentos prefeitos municipais criaram sessenta e quatro mil novos cargos comissionados, totalizando quinhentos e oito mil cargos de escolha dos senhores prefeitos.

Os governadores dos Estados também não perdem o embalo de multiplicar seus cargos comissionados e os de maior escalão, Secretários de Estados, servem para acomodar os partidários de maior poder político-partidário, com obrigação de fazer campanha eleitoral.

Nesse especial assunto, os movimentos populares brasileiros dormiram no berço esplêndido, em não desfraldarem as faixas exigindo da presidenta Dilma o enxugamento dos cargos comissionados. Aberração que consome dezoito bilhões e meio de reais, somando os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, os municípios, os estados e o Distrito Federal.

A presidenta da República do nosso país é paparicada por trinta e nove cargos do primeiro escalão federal, que é tido como exagerado, impróprio e imoral, com salários gordos e uma estrutura com muitos assessores, passagens aéreas, diárias e o status! Atualmente são vinte e nove ministros e secretários especiais da Presidência da República, a maioria sem ter o que fazer, contudo, recebendo pontual e mensalmente os cheques salários.

Mau exemplo do Poder Executivo Federal é decepcionante e tragicômico para o povo que vê verba pública, oriunda dos impostos pagos, escorrer pelo ralo do buraco negro das incertezas e desvios. Secretários em níveis de ministros são rotulados com temas já englobados nos ministérios, a exemplo da Micro e Pequena Empresa, de Assuntos Estratégicos, da Igualdade Racial, de Políticas das Mulheres, de Relações Institucionais.

Além dos cargos comissionados, nos últimos tempos, uma nova categoria tem aparecido em todo o país que são os servidores fantasmas nomeados sem precisarem frequentar as respectivas repartições públicas, para um bom dia para o chefinho... O exagero à beira da irresponsabilidade mostra uma corte composta por trinta e nove asseclas de primeiro grau, e o governo federal em números, perde apenas por um ponto, para o famoso e imortal Ali Babá que arregimentou seus quarenta seguidores!

A lição de outras nações e a voz rouca do povo ainda será ouvida nas próximas passeatas de protesto popular, contra falta de seriedade, no aumento incontrolável dos famigerados cargos comissionados.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Saí  de João Pessoa cortando o Atlântico com destino temporário de escala no Panamá e, finalmente chegando ao oeste norte-americano com a fenomenal, alegre e tripulante cidade de Las Vegas, em torno de minha querida família. Deixei uma temperatura amena, ventilada e agradável no meu nordeste entre 20 a 30 graus máximos, para enfrentar os 47 graus centígrados de muito calor, em nome da alegria de viver o que, normalmente, não temos no Brasil!

Diria que os yankees resolveram dar nova roupagem da inesquecível e histórica luta, por espaços de terras, entre cowboy e índios apaches, com seus arcos e flechas.

Engraçado que o Estado de Nevada, seu nome nada tem a ver com neve, em razão do clima quente predominante nas cidades da região, dentre estas Las Vegas, cidade de muita luz, shows, animação e segurança, onde se pode andar sem qualquer risco, desde o raiar do dia até a madrugada seguinte. Lá, passeamos a pé, livremente, com os bolsos cheios de dólares, relógio no braço, brincos e colares expostos, com pacotes de compras internacionais tudo, sem medo de nada em nenhum momento. Afinal, por lá não se vê pessoas desempregadas, flageladas, mendicantes, famintas e abrigadas sob as marquises dos prédios! Lá só vive quem trabalha.

Os luxuosos hotéis dividem os apartamentos dos turistas com cafés, barzinhos, restaurantes, shows de orquestras, cantores famosos, circos, teatros e, finalmente a grande atração que são as famosas mesas dos cassinos. Onde você entra com dinheiro e sai pobre e liso, literalmente.

Louvável a determinação dos norte-americanos em implantar em pleno deserto estéril, um mundo de luz, de água à vontade, de entretenimentos, alegria, conforto, segurança e vontade de se viver democraticamente. A liberalidade é total, sem qualquer preconceito ou discriminação, porém, com vigilância monitorada filmando ambientes externos e internos.

O sistema de transporte demonstra que poucas são as motocicletas circulando nas ruas, diferentemente do Brasil, que estimula fechando os olhos às estripulias para fazerem o que bem querem, sem aplicação de multas. Raríssimos, na “cidade do jogo legal”, são os ônibus para transposição de quem não tem carros e metrô não existe. Em compensação taxis circulam as vinte e quatro horas do dia, com tarifa baixa e sem a estripulia de motoristas brasileiros que esticam os trajetos para ganharem mais...

Apesar da riqueza e organização, um trágico acidente fatal chamou atenção da cidade, com a morte de uma jovem artista do famoso Circo Soleil despencando das alturas com a ruptura do cabo de aço que a sustentava. Houve um dia de luto, contudo, o espetáculo foi sequenciado no dia seguinte. Dos melhores espetáculos, bombou a apresentação da divina cantora canadense Celine Dion e orquestra e, o espetáculo circense Le revê (the dream), com trabalho em cima e embaixo d’água. Finalmente, foi um sonho de consumo minha passagem por Las Vegas, com lojas expondo produtos de grifes famosos a preços que chegam, até 75% de desconto, uma tentação para quem tem bom gosto!

Motorista de taxi norte-americano me demonstrou sua preocupação com a crise brasileira recente, com descontrole da inflação, revolta popular depredando e incendiando patrimônio público e privado, e o governo sem uma bússola para se orientar.

(*) Advogaado e desembargador aposentado

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Logo cedinho da manhã, depois do galo cantar, a primeira ocupação do meu saudoso pai Hilton era escancarar o móvel grande da sala de estar. Lá estava, o possante rádio AM de válvulas, um pick up para disco de vinil com setenta e oito rotações por minutos e, a novidade dos anos cinquenta era o disco Long Play e, finalmente, um armário onde colocava os discos na ordem dos cantores e orquestras, para facilitar a escolha.

Pelo que se tem conhecimento, foi nos idos de 1920 o início das rádios, com o aniversário do Centenário da Independência do Brasil e coube ao entusiasmado Roquette Pinto, o primeiro a utilizar o sistema AM Rádio Sociedade, no correr de 1923 e, já no ano seguinte inaugurou a Rádio Clube do Brasil.

Pois bem, no rádio de Seu Hilton, ele esticava o dial para alcançar as emissoras locais e também as grandes do sul do país, como rádios: Super Tupi, Nacional do Rio, Globo, Record, Mayring Veiga, Jornal do Brasil dentre muitas outras rádios AM.

Lembro-me agora, que a música sem letra nos concede o direito à imaginação, principalmente, quando ouvimos e tentamos escrever nossos sentimentos íntimos. Tinha uma emissora de rádio, que meu pai sintonizava diariamente, e eu da cama ouvia constritamente. Somente em tempos recentes, é que aprendi que um violonista se esmerava em tocar “Abismo de Rosas” num solo de luxo, para violão de difícil exibição.

Até  hoje, me comovo com os toques suaves e cadentes da música do grande Dilermando Reis. No início, dedilhando como se fosse os acordes iniciais de uma noiva caminhando lentamente ao altar, com uma bela rosa vermelha levada pela suave mão, a altura dos seus seios, para meu coração bater mais forte e acelerado, como a cobrar meu sentimento de pobre mortal, ante os formais acordes de entrada musical!

A música segue em ritmo de uma valsa dolente, em pequenas paradas, como a cumprimentar as testemunhas presentes e familiares. E lá vai a noiva embalada e sorrindo nos sonhos na busca da consagração perante seu homem amado.

Enquanto o violão dedilha o que deseja e imagina, eu, nos teclados da internet me arvoro do desejo na busca de desejar ser feliz nas frases mal feitas da ousadia.

O solo musical vai despejando no ar, como se as pétalas de rosa pudessem alcançar as nuvens e estrelas, enquanto sonho acordado no amor sem rumo de momentos de pura incerteza. O único violão volta a manejar suas cordas para completar, impecavelmente, o caminho do desejo solitário. Em dueto de cordas o violão mostra copiosamente chorar como a esperar de alguém que não conhece. Ele mesmo, se restabelece e caminha, alteando as notas para se ajoelhando ao solo frio, suplicar um momento único de amor, o desejo.

Respiro forte, entrelaço os dedos suados e sigo para os derradeiros acordes, no momento lindo do abismo se encher com as rosas vermelhas e seu perfume inebriado atravessando o tapete púrpuro da flagrância no seguro caminho do desejo!

Continuo sem poder escrever. Só a imaginação é a vontade inebriada de ser feliz. O abismo de rosas foi o caminho penoso, porém certo e determinado, de que somente os amantes conseguem transpor.

(*) Advogado e desembargador

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Quem não acreditava, teve que engolir, o nosso país parar em todos os recantos, com grandes e vibrantes passeatas lideradas por jovens ousados e determinados, contra os insignificantes vinte centavos de aumento, das tarifas de ônibus urbanos.

Lamentavelmente, houve natural infiltração de vândalos que invadiram, depredaram e incendiaram o que viesse pela frente, seja do patrimônio público como do privado. Para mim, o símbolo dessa intolerância praticada, fora contra um modesto proprietário de banca de jornal e revistas, que roubaram o que encontraram de valor e, queimaram o que sobrou... Uma miséria!

Governadores e Prefeitos acionaram, defensivamente, seus respectivos dispositivos de segurança e o pau comeu deixando vítimas de ambos os lados, com ferimentos. Entretanto, os chefes dos poderes executivos se aproveitaram em usar mídia oficial aprovando a onda popular, a exemplo de Dilma.

Os valores cobrados para ônibus urbanos e Metrô baixaram alguns centavos esgotando as reivindicações postadas, com aproveitadores criminosos, de última hora, improvisando novos comandos desordenados para alcançar setores importantes como: a saúde, corrupção, educação, segurança, habitação e também outras como “cura gay” e, PEC não sei das quantos, dentre outras. Urge, entretanto, a edição de um novo plano bem organizado de lutas, capaz de unificar e sensibilizar as massas para impedir a participação dos bandidos e da politicagem partidária nojenta.

O tempo passa rápido, deixando uma ponta de saudade, quando nossa atual Constituição Federal , solenemente promulgada em cinco de outubro de 1988, pelo Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, o imortal Deputado Federal, Ulysses Guimarães, carinhosamente chamou de “Constituição Cidadã”.

Com imperfeições próprias da época, não demorou a enxurrada de emendas, sendo a 1ª Emenda Constitucional acontecendo em 31 de março de 1992 e hoje temos uma verdadeira colcha de retalos, com a 72ª, acontecida de 02 de abril de 2013, por enquanto a mais recente, tratando da igualdade entre empregados domésticos e os demais trabalhadores.

Pois bem, com vinte e cinco anos de existência, comemorando suas Bodas de Prata, a Constituição Federal ainda padece pelas ausências de leis regulamentadoras do texto constitucional. Seria importante para todos brasileiros, que as forças populares centrassem na urgente organização inovadora exigindo processo da REVISÃO CONSTITUCIONAL. Medida já prevista no art. 3º das ADCT quando fixou prazo de cinco anos da promulgação da CF, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.

Imagino que a pressão do povo, depois de acordarem do berço esplêndido, seria importante para todos os debates, livres e democráticos sobre as mazelas crônicas como saúde, justiça, corrupção, habitação, seca nordestina, educação, segurança e outras mais.

O povo brasileiro, confiante, ordeiro e paciente, aguarda nova ordem para retomada das passeatas cívicas, pela REVISÃO CONSTITUCIONAL, JÁ!

 

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A violência incontida me assusta e tem trazido novos hábitos, não deixando qualquer pessoa se dirigir a mim, sem que procure me precaver de um possível assalto. Fica muito difícil distinguir entre os bons e maus perambulando pela vida!

Hoje, até menores e velhos são utilizados, desenfreada e criminosamente, pela bandidagem do dia a dia em qualquer cidade, desestimulando a prática saudosa do ato da caridade para com o próximo, em razão do risco da própria vida! Lembro-me bem, dos tempos da casa da Rua Santos Dumont, onde meus imorredouros pais não se cansavam de atender aos pedintes no portão da casa e, na falta de uma moeda, alimentos eram entregues em mãos...

Se foi o tempo em que se davam alimentos aos mendigos, e fui testemunha viva de pessoas maltrapilhas se recusando a receber frutas ou sobras limpas de refeições. Só aceitavam dinheiro mesmo. O assalto tornou-se, assim, muito mais fácil e rendoso para os delinquentes de todos os matizes, levando a grande maioria de o povo evitar contato com quem não conhece!

A súplica pela necessidade da fome é eterna em todo o mundo, apenas da forma suplicante de conseguir viver, se divide entre o bem e o mal. De mão estirada, o pedinte rogava: “Uma esmolinha pelo amor de Deus!” ou, o mais fácil e lucrativo: “Mãos para cima, é um assalto...”!

A parada obrigatória no farol do sinal de veículos, a saidinha dos bancos, o capacete do motoqueiro e o assalto à mão armada em residências e lojas, sob a filmagem de câmeras são realidades que transformaram a profissão de esmoler.

As bolsas que o governo federal distribui mensalmente, também contribuíram para um novo jeitinho brasileiro de acabar, na teoria, com a mendicância pelas ruas e praças das cidades. Aliás, pouca gente sabe que tal prática fora abolida pela Lei n.º 11.983/09 riscando do mapa o art. 60 da Lei das Contravenções Penais, que fixava pena em quinze dias a três meses, aos que agissem com ociosidade ou cupidez. Em outras palavras: o desocupado!

Em meio ao que poderia ser conceituado de novel forma de receber esmola, o Poder Executivo Federal além de dar o necessário, também fecha os olhos para a duplicidade de benefícios, indo desde aposentadoria por enfermidade somada com uma das múltiplas bolsas existentes no cardápio federal. E a sabedoria popular não esquece o que nos interessa: “quando a esmola é grande, o santo desconfia”. Serão as eleições de 2014?

Quem tem o suficiente para viver, a escolha de conceder algo ao próximo, fica difícil e complicado, numa análise superficial, buscando encontrar merecimento no direito de minimizar a fome sofrida dos miseráveis!

Aí  eu me filio à filosofia cantada, do sertanejo Luiz Gonzaga, quando encantou para todos os recantos do Brasil: “uma esmola, para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Fazia tempo que não acordava dando boas gargalhadas, depois de ler as manchetes de jornais, revistas e blogs. Minha mulher até imaginou que tinha me engasgado com uma fatia de cuscuz com queijo de coalho...

A risadagem ficou por conta de várias manchetes noticiando que uma parlamentar, da ala de Dilma, apresentara inusitada proposta de lei federal instituindo a “bolsa rapariga”, no valor de R$ 2.000,00 mensais, para todas as mulheres que fazem programas sexuais no país!

Segundo o Portal Joselito Muller: “O objetivo da bolsa é dar a essas mulheres a possibilidade de terem uma vida mais digna, pois o dinheiro deve ser prioritariamente utilizado com prevenção de doenças.” E foi mais adiante esclarecendo os legais objetivos, inclusive, “disponibilizando pra clientela um serviço de melhor qualidade, já que as meninas poderão se cuidar melhor, pagar tratamentos estéticos, frequentar academias, etc.”.

Nas redes sociais a repercussão foi grande. A jovem Aline Morena, recepcionista do Laboratório N. S. de Fátima esbravejou: “Que vergonha! Passar três anos fazendo faculdade ou até mais, como no meu caso para ser professora e ganhar R$ 1.830,00 mensais, enquanto as putas vão ganhar R$ 2.000,00 para se cuidarem?”.

E, na esteira dos auxílios criados pelo Governo Federal, vários exemplos de desigualdades acontecem, a exemplo dos dependentes do crack que recebe R$ 1.350,00 enquanto os filhos de presidiários irrisórios R$ 971,78, todos, bem menor que o a bolsa das quengas...

Nada contra as “mulheres da vida”, assim chamadas carinhosa e respeitosamente, num passado histórico os cabarés eram verdadeiras universidades da alegria e satisfação que ensinaram a rapaziada de todo o país o que é sexo, em monumentais aulas práticas!

Havia respeito entre todos e me lembro do amigo Argemiro, desajeitado no salão de dança do cabaré, pegou uma menina pelo braço e disse: “vamos dar uma dançada”? ”A resposta foi curta e pontual: “dançada” não, você quer uma dança, né”? E aí ficou cheio de pernas mas foi lá que aprendeu a dançar nas festas granfinas.

Os cabarés, desde os luxuosos e famosos do Rio, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte e chegando aos de João Pessoa, Campina Grande, Natal e Aracajú, nunca precisaram de auxílio de um governo que gasta dinheiro público entrando para o anedotário nacional.

Engraçado, que também chamavam os prostíbulos de “casas de recursos” e lembro-me bem da frase da cantora e atriz alemã, Marlene Dietrich, mostrando seu poder de convencimento: “as pernas não são tão bonitas, apenas sei o que fazer com elas!”.

Fico imaginando quem receberia essa gorda esmola estatal? Os cabarés sumiram do mapa, as madames da noite cederam lugar para o tóxico e a violência. Restaram as esquinas sombrias, desnudas fedorentas e infectas do submundo do tráfico.

Talvez, a “bolsa quenga” só traga notoriedade negativa a quem inventou, servindo de complementação financeira ao comércio forte e aberto dos tóxicos em plenas ruas das cidades. Nosso Brasil sem segurança e assistência médica, continua não sendo um país sério!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

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O mês abençoado de maio me deixa emoções profundas, vindas do meu pobre coração! Digo pobre, na medida em que meu pensamento me conduz a um passado impossível de reencontro com minha querida mãe Adélia, já falecida e, fielmente devota da mãe de Deus.

Uma herança inesquecida me foi deixada por ela. Numa parede da sala de jantar, logo acima de um móvel de louças e cristais, mamãe implantara um prego grande para sustentar o magno quadro de Nossa Senhora de Fátima, pendurado na demonstração do nosso fervor pela Mãe do Cristo!

Logo depois da ceia, com terços nas mãos, começávamos a recitação do terço em família; minha mãe puxava a ladainha e os demais da casa completavam a segunda parte da oração... Na maioria das vezes, minhas irmãs tinham outros afazeres e, apenas eu respondia a oração em família. Uma vela acesa à frente da imagem de Senhora de Fátima era símbolo de luz profunda de fé cristã pela família Souto Maior!

Meu pai Hilton, embora católico de assistir missa, não se enfileirava rezando conosco, contudo, ficava sentando numa cadeira de balanço no terraço da casa ouvindo a poderosa oração e, vez por outra, interrompida por um cumprimento de boa noite para quem passava pela calçada, lhe tirando a concentração!

O aparelho de televisão em preto e branco ficava mesmo apagado em respeito, tanto à tradição familiar, quanto à devoção à Virgem Santa e o terço era, pacientemente debulhado, uma a uma conta, consumindo cada Mistério. Este, composto de dez ave-marias a cada reza terminada. E a cada dez ave-marias rezadas, eram intercaladas pelas orações do Glória, do Pai Nosso e das jaculatórias de estilo! No final de tudo a consagrada ladainha da Virgem Bendita.

Reconfortados pelo sublime momento da oração cristã, o festejado mês de maio, além de ser dedicado à Maria Mãe Santa é também  destinado às flores, aos perfumes e das noivas casamenteiras, que preferiam aquele mês.

Permito-me alardear que, grandes graças alcancei, sob a intercessão da Mãe Maria perante o Cristo Salvador, razão suficiente para demonstrar publicamente que a fé cristã remove e supera montanhas de dificuldades!

Faço questão de manter acesa minha doce lembrança materna! Procuro cumprir minha obrigação, decorrente do meu eterno ensinamento materno, no amor filial de boa mãe. Seja ela Maria Santíssima ou, simplesmente Adélia, afinal de contas todas as mulheres são verdadeiramente Maria de todos os filhos e filhas, sempre atendendo na súplica pelas necessitadas. E é tudo que podemos esperar e conseguir.

Agora mesmo, meu coração bateu menos apressado de saudades; entretanto, sem chegar ao ponto de se desviar do compasso bombeando o sangue para meu corpo.

Meu simples demonstrar a força da fé do menino acompanhando a mãe no terço do mês de maio continua nobre momento presente e imorredouro. A bênção, mamãe!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado

 

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