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Enquanto criança me entusiasmava e chamava atenção às tempestades de areia nos filmes de artistas com turbantes, cavalos e espadas reluzentes.

Hoje, na recente viagem aos Emirados Árabes, acordei um dia com o lençol que cobria a cama suavemente salpicado com uma fina areia.

Sem saber de onde vinha, até pensei que tinha dormido com os pés sujos... Apressei minha esposa Fabíola em sair dos aposentos e ganhar o mundo árabe. Já no restaurante no café matinal, em mais um dia ensolarado como os anteriores, olhamos para o horizonte e constatamos uma nuvem que encobria toda paisagem deixando a impressão do céu de Dubai estar encoberto numa cortina extensa de névoa.

Ao sairmos, na porta do navio em que estávamos alojados, funcionários de máscara e óculos pediam para esperar um pouco, pois o vento era muito forte e desagradável.

Sem medo da tempestade, entramos num táxi e, mesmo à distância do centro da cidade, o motorista apontou para o Burj Khalifa, maior edifício do mundo, envolvido numa poeira que só permitia distinguir sua sombra.

A população árabe, já acostumada com as tempestades de poeira, seguia normalmente, o que nos fizemos também.

O jantar agendado no famoso restaurante Burj Al Arab, edifício em forma de vela de barco, símbolo de Dubai, construído em uma ilha artificial com 280 metros quadrados, representa a fantástica determinação dos petrodólares, em ser diferentes.

A tempestade, aos poucos, foi sentando a areia no chão e tudo voltou ao normal, garantindo nosso jantar numa noite com boa visibilidade.

Precisamente às 19h30min chegamos à entrada no fabuloso edifício, acompanhado dos estimados amigos Humberto e Walkiria de Araújo sem disfarçar a curiosidade. Para o leitor avaliar a menor diária custa novecentos dólares e as suítes os gastos não têm limites.

Atravessamos uma moderna e bem iluminada ponte ligando o continente à ilha artificial do edifício, com simpáticos seguranças confirmaram nossas presenças e, finalmente, chegamos à entrada principal, com bela recepcionista nos conduzindo pelo átrio do edifício com cento e oitenta metros de altura, quase tudo foliado a ouro!

O elevador nos conduziu até o famoso restaurante panorâmico Al Muntaha com mesas reservadas, observância do horário exato tudo confirmado com antecedência, ainda no Brasil.

Cardápio internacional, escolhemos frutos do mar regado a um bom vinho numa noite deslumbrante que passou como sonho das mil e uma noites!

Aproveitamos para percorrer os diversos ambientes do imponente Burj Al Arab, onde o ouro é uma realidade palpável, com direito a contínuo show de iluminação das águas que jorram alegremente dançantes no imponente átrio do mirabolante edifício.

Com previsão de mais cento e vinte anos do petróleo jorrando dos poços dos Emirados Árabes Unidos o luxo e a beleza continuará seduzindo e encantando turistas de todo mundo. Vale até conferir a máquina caixa eletrônica vender ouro no cartão!

 

 

  ) Advogado e desembargador aposentado

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Aproveitei o período carnavalesco para atravessar oceanos e conhecer de perto os Emirados Árabes Unidos com suas belezas exóticas deslumbrantes.

Dezoito horas de viagem aérea e sete horas de fuso horário, foi à primeira etapa ultrapassada.

Sem querer querendo, a gente sempre compara o que vemos com o que vivemos! Trocadilho que se aplica bem a quem vai conhecer outros locais distantes.

Primeira surpresa foi em Dubai onde oitenta por cento dos habitantes são estrangeiros e o inglês é  a língua dominada por pobres e ricos. Só de brasileiros chegam perto de cinco mil residentes.

Mesmo em pleno deserto a capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, ao lado de Muscat, Fujairah e Dubai se esforça em ornamentar as laterais das grandes e perfeitas rodovias com canteiros floridos e bem cuidados. A segurança é cem por cento!

A alta temperatura ambiente – no verão chegando aos 50 graus - se contrasta com as roupas pretas das “burcas” e “abaias” que impedem as mulheres a mostrarem seus rostos e suas curvas... Apesar da vestimenta, tipo luto fechado, elas usam grifes famosas como Prada, Channel, Gucci e Cacharrel.

Aliás, a grande decepção que tive foi, justamente, a restrição aos direitos individuais da pessoa humana do sexo feminino.

Discretamente sentado num restaurante um casal árabe conversava aguardando os pratos chegar à mesa. Fiquei impressionado como a mulher iria se alimentar com todo o rosto, rigorosamente, tapado por véus e roupas que cobriam dos cabelos aos pés. Nem o mocotó aparecia...

A refeição foi servida e vi a humilhação da mulher inclinar suavemente a cabeça para baixo, lentamente subindo pequena parte do véu preto com a mão esquerda e, com a direita, enfiar o garfo em comedida porção alimentar.

Uma gaúcha que servia de guia turístico me explicou que, se um árabe fizer filho com estrangeira, o menino será  registrado como nativo da região. Já a mulher árabe se gerar filho de estrangeiro, este não terá direito à cidadania árabe.

Felizmente, nem todas as mulheres árabes se submetem aos rigores dos trajes pretos onde apenas seus olhinhos aparecem como a procurar a liberdade de mostrar o próprio rosto. Muitas delas, lindas por sinal, já aparecem circulando nos imensos shoppings, lugar comum em todo o universo, sem a rigorosa indumentária.

Os rigores da lei árabe, em relação aos direitos individuais das mulheres e seus filhos, decorreram da divisão do Mundo Árabe em vinte e dois países, rotulando-as de “seres inferiores”. Grande número de casais árabes, ainda hoje, andam pelas ruas e lugares públicos, o homem seguindo à frente e a mulher atrás com os filhos.

Algumas mulheres integrantes da realeza árabe já conquistaram o direito de estudar e até viajar ficando a depender da diversificação maior ou menor em sua respectiva classe social.

Olhos insólitos e sensuais, lábios carnudos, cabelos longos, passos determinados são alguns ingredientes da mulher da raça árabe. Se o mundo todo ainda não as conhece, Alá certamente enviará ordens celestiais para a liberdade da bela mulher árabe.



(*) Advogado e desembargador aposentado

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Nos achados da casa, sem que esperasse, Lúcia Helena estava juntando uma porção de coisas desprezadas do uso, para dar a alguém para aproveitar ou, jogar fora aquelas que estivessem imprestáveis.

Parei um instante e fiquei a olhar aquelas coisas antigas que iam sendo selecionadas, e cada coisa com sua respectiva história.

Despertando minha curiosidade, vi quando ela levantou pelos cadarços dois sapatinhos de lã sugerindo ter pertencido a um neném da família.

Indaguei a fiel Lúcia Helena de quem fora esses lindos sapatinhos? A resposta veio na ponta da língua: “foi de sua filha Maria Adélia, doutor!

Peguei-os com minhas mãos, com o cuidado de verdadeira relíquia familiar descoberta naquele momento e, ajeitando os óculos de grau, fui focando os sapatinhos como a procurar ver o filme antigo, do qual fora protagonista.

Segurei firme, o pequenino par de sapatos, e me deixei flutuar na imaginação saudosista, a começar pelos pezinhos que calçara a delicada proteção.

Alisei os sapatinhos de lã apertando de encontro ao meu peito como se fosse gente. Minha mente viajou rápido fazendo reviver aqueles tempos que não voltam mais. Eis que de repente, logo me apareceu na mente a imagem da princesinha recém nascida, de pés e coxas bem gordinhas.

O restante dos trastes, expurgados da casa, não interromperam meu pensamento firme de voltar a uma vida infantil decorrente do meu próprio corpo: minha filha.

Daqueles sapatinhos, logo vieram os primeiros passos no chão do berço e mais tarde as primeiras passadas cambaleantes pela casa. Dalí em diante, os pés de Maria Adélia não comportavam mais aquela proteção de lã, logo sendo substituídos por outros, de pelica, borracha ou couro, ganhando o mundo pela frente, para felicidade de toda família.

A essa altura, o verdadeiro filme rodado na minha mente, logo chegou aos dias atuais, onde minha filha já aos quinze anos de idade, em meio à modernidade dos anos atuais, se apresentava com cabeça de menina e corpo se transformando em bela mulher. Os pés agora eram cobertos por tênis, sandálias, botas e até sapatos salto alto no enxerimento de ser reconhecida como gente grande.

Padeci entre dois extremos que jamais se encontrariam: o sapatinho de lã e o tênis colorido dos dias atuais. Em cada época uma história, uma emoção e o amor paterno registrado para o futuro pelo pai coruja.

Meus olhos umedeceram a ponto de turvar a vista!

Questiono-me no porquê da saudosa era do sapatinho de lã, que fora tão rápida como um raio que cai do céu, não se prolongando mais, a tempo de poder escrever, no exato momento que pensava e sentia a emoção.

Sobrou em mim a mais pura saudade, naquele aperto forte no meu coração como a pretender trazer de regresso o desejado passado, possibilitando calçar novamente os pés adolescentes de Adélia, no pequenino sapatinho.

Afinal, continuarei sempre procurando orientar meus queridos filhos, seja em qualquer idade, deixando o tempo seguir na final formação das personalidades, pelo caminhar reto da vida, sem o amparo dos sapatinhos de lã!


(*) Advogado e desembargador aposentado

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O calendário de festas carnavalescas do clube era desenhado como a administração pública faz com o orçamento. Tudo previsto para não haver improvisação.

Primeiro item sempre fora a escolha das duas orquestras que se revezariam na animação do salão do chamado “colosso de Miramar” ocupando o ginásio esportivo, quadras de tênis, restaurantes, jardins e áreas circundantes, até o dia amanhecer. A piscina era interditada para os bêbados não se afogarem!

Numa reunião informal, a diretoria do Esporte Clube Cabo Branco, sob a presidência do saudoso presidente Damásio Franca, Roberto Guedes Cavalcanti, Assis Camelo, Jáder Franca, Aguimar Dias Pinto, José Jacinto de Araújo, Kinca Brito além do cronista e outros, decidiu pela contratação do famoso maestro Cipó seus músicos e “chacretes”.

Houve natural restrição das esposas dos sócios, quanto às mulatas cariocas que animariam o carnaval, mas os homens garantiram que seriam bem comportados.

Era do maestro paraibano Vilô, o privilégio da segunda orquestra contratada, lhe cabendo a responsabilidade de abrir a festa, com a doce missão de fazer bonito perante os cariocas. A empolgação era tanta que até apostas eram feitas entre os presentes para ver qual melhor orquestra. Deu sempre empate...

As vinte e duas horas, os tarois e surdos marcaram o rítimo da introdução carnavalesca e, logo os metais abrindo com força ao som do frevo Vassourinha.

A maioria dos foliões tomava uma primeira dose, ainda em casa, quando não existia nenhuma campanha de “se beber não dirija”, para já chegar à festa com animação puxada à cerveja, rum ou uísque!

A quadra esportiva que servia de palco para o carnaval ficava superlotado e os foliões rodavam dançando no sentido anti-horário. Ou seja, da direita para a esquerda possibilitando aos que ficavam nas mesas de pista e das arquibancadas lotadas, a passagem alegre dos cabobranquenses.

Duas horas de música carnavalesca, sob regência do maestro Vilô, aparecem os músicos cariocas que encostaram para substituir os paraibanos, mantendo-se na transição, apenas a bateria que dava ritmo com o frevo quente.

A expectativa era imensa, a ponto da maioria dos foliões pararem de dançar para ver e ouvir Cipó, sua orquestra e as mulatas. Depois das primeiras músicas executadas, a quase normalidade voltou ao salão, com exceção de meia dúzia de coroas que ficavam com a baba escorrendo pelos cantos da boca, vendo as chacretes rebolarem.

Entre uma dose e outra, o enxerimento à  distância deixavam as madames aborrecidas pela animação dos maridões estatelados pela coreografia das passistas e sambistas cariocas.

Até cutucadas e beliscões valiam sem os garanhões darem a menor importância do que as mulheres diziam mesmo com braços roxos... Em dado momento, o mais assanhado foi desafiado a levar um lenço para uma mulata passar entre as pernas e devolver o troféu.

Pegou a mulher pelo braço e saiu dançando alegremente até chegar bem em frente ao palco onde a orquestra tocava. Dobrou o lenço, deu um beijo jogando para ser apanhado por uma loura esvoaçante. Sem qualquer cerimônia, mantendo o ritmo e rebolado segurou-o com as duas mãos e passou sensualmente entre as pernas, várias vezes.

Os coroas entraram em incontido delírio e, como se diz hoje, “ai se eu te pego, delícia, assim você me mata.

 


(*) Advogado e desembargador aposentado

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Antigamente o carnaval tinha somente três dias de folia e uma quarta-feira ingrata, para acabar com a diversão maior do povo brasileiro.

O tempo passou e muitas mudanças ocorreram no carnaval, a exemplo do corso, consistindo no desfile de carros enfeitados pelas ruas das cidades, com pessoas fantasiadas desencadeando a guerra de confetes e serpentinas.

Uma preciosidade cobiçada, ainda hoje pelos mais abastados, era o saudoso lança perfume “Rodouro”, fabricada pela empresa Rodo Suíça, que surgiu no Rio de Janeiro por volta de 1906 e logo se alastrou pelo país perfumado.

Quando tudo que é bom dura pouco, num rompante do presidente Jânio Quadros, em 1961, baixou decreto para impedir a importação e consumo aos brasileiros.

Eis que os carnavalescos passaram a cheirar lança-perfume, o que também era chamado de “tomar um porre”. O que era mera satisfação passageira tornou-se  um perigoso costume e os porres de lança-perfume deixaram de ser alegre, romântico e contagiante para ser um vício incontido.

O alvo da brincadeira era sempre o pescoço e as costas, mas quando o alvo era desviado e pegava nos olhos, ardia prá burro. E se um cara ousado mirasse no bumbum de uma garota o frio líquido perfumado, aí o pau cantava, literalmente! Neste caso, existia a turma do deixa disso intervindo prontamente com a paz voltando a imperar.

Com o passar dos tempos, houve a era do mela-mela com abundância do talco, e várias qualidades de pó. Uma nuvem branca parecia cobrir os ares se nivelando até se misturar com as nuvens.

As agremiações carnavalescas, a muito custo, teimam em colocar os blocos na rua, para um público reduzido e sem entusiasmo, com exceção do eixo Rio e São Paulo, banhado em luxo e beleza ainda com o recurso moderno das transmissões em tempo real pelas principais TVs.

Neste momento, as prévias carnavalescas vieram para elastecer o calendário do rei Momo, ganhando espaços em todo Brasil um tipo de carnaval diferente e simplificado pelo trio elétrico, marginalizando o frevo, a marchinha e o samba.

Sinceramente, não tenho nada contra as bandas e as músicas baianas, mas a música tocada nas festas juninas é a mesma que toca no período carnavalesco... Brincar ao redor de trio elétrico só comprando abada, conhecida mortalha carnavalesca.

O pré-carnaval chegou, peço licença aos foliões/leitores porque estou viajando para curtir o carnaval deste ano nos Emirados Árabes quando, de turbante e tudo, trarei novidades excêntricas. Shalam-aleikum: a paz esteja convosco!

 


(*) Advogado e desembargador aposentado

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Sem dúvida nenhuma, a modernidade trouxe muitas comodidades para o povo em geral. Claro que, no período de lançamento das novidades, estas são apenas acessíveis aos ricos. Os pobres só conseguem adquirir os equipamentos da modernidade quando a produção é feita em massa com concorrentes brigando pela conquista do mercado.

A comunicação, de forma até  imprevisível para a imaginação iluminada de um Júlio Verne, criou inventos fabulosos que foram acontecendo ano a ano.

As distâncias que separam os homens se tornou simples questão de ligar um aparelhinho acessando o número ou código desejado.

Os festejados filmes da primeira fase da era “James Bond”, de forma hilária previu automóveis velozes, com painéis dotados de aparelhos de televisão, e máquinas mortíferas que corriam atrás do alvo escolhido. Projeções que aconteceram num piscar de olhos.

Como os filmes da série Bond são constantemente reprisados nas redes de televisão, o sapato em forma de telefone, pareceu adivinhar que a telefonia móvel seria questão de pouco tempo. E foi mesmo.

O monopólio estatal de exploração e comercialização das comunicações foi substituído pela livre concorrência da iniciativa privada, com maciços investimentos em tecnologia e equipamentos.

Hoje, existem operadoras da telefonia celular para todos os gostos e desgostos também.

A popularidade da telefonia móvel chegou até a tornar-se o potente veículo de comunicação do crime organizado, com as sucateadas unidades prisionais do nosso país, servindo de poderosa base para a administração da bandidagem organizada.

Assim, o celular também tem servido ao exercício criminoso do comando e controle do tráfico de drogas, cumprindo impiedosas e covardes ordens de incendiar carros e ônibus, com passageiros sendo cremados vivos, numa execução sumária de indefesos cidadãos.

O pior de tudo, é que os gestores e responsáveis pela segurança pública, em todo o país, se tornaram impotentes e reféns da sanha incontrolável dos profissionais do crime organizado.

Contudo, os usuários da telefonia móvel sofrem com constantes faltas de sinal, deixando os aparelhinhos mudos ou, com irritantes gravações de mensagens.

As constantes faltas de sinal dos celulares brasileiros chegam a integrar o conceito negativo da falha na prestação de serviço público delegado, e isto me leva a lembrar a observação que minha filha Adélia, fizera ao ler anúncio de venda de edifício de apartamentos.

Com exagerado destaque, o anúncio da venda de apartamentos dizia que a venda seria “sem nenhum sinal”.

Logo Adélia me pergunta: “papai, como é que alguém vai se interessar em comprar um apartamento onde não existe nenhum sinal para celular?

Respondi-lhe que o tal “sinal” não era do celular, mas do início do pagamento da venda dos apartamentos.

A modernidade parece conspirar contra o povo ofertando benefícios com uma mão e tirando com outra...

Nesse contexto, existe ainda uma agência reguladora chamada ANATEL, cabide de emprego, que só serve para aprovar os aumentos da telefonia e nenhuma providência adotada para solução do grave problema. Lá, também é sem sinal, mesmo!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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A animação e beleza das campanhas eleitorais passavam pela distribuição de brindes, a exemplo de bonés, camisetas, broches, fitas, adesivos, impressos com a cara dos candidatos, o outdoor e o item mais caro e animado que eram os showmícios.

Em nome da igualdade de condições financeiras das campanhas políticas, houve drástica restrição dos itens, contudo, a “boca de urna” e a compra escancarada de votos aumentaram na prática ilegal e abusiva.

O dinheiro que era usado nos itens agora proibidos fora desviado para o comércio criminoso da compra de votos, pelos candidatos.

Hoje, até parece que a campanha eleitoral municipal já fora autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, com os meios de comunicação se encarregando de abrir generosos espaços aos candidatos ricos e poderosos.

Mesmo com as restrições da lei eleitoral vigente, a campanha já está nas ruas com utilização de adesivos com mensagens cifradas, reuniões em prédios públicos, entrevistas nos meios de comunicação, viagens com dinheiro público, dentre outras manobras eleitoreiras.

Na verdade, a legislação eleitoral prevê o calendário das eleições municipais deste ano, onde 5.566 municípios escolherão prefeito, vice e vereadores tendo marco inicial da campanha entre 10 a 20 de junho quando os partidos realizarão suas convenções na escolha das candidaturas e formação de coligações.

A partir da escolha partidária, fica proibida a transmissão de entrevistas e noticiários pelo rádio e TV com os candidatos escolhidos. Mas sempre inventam uma oportunidade de burlar a fiscalização com aparições surpreendentes.

As polêmicas pesquisas de intenção de voto estão restritas para o consumo interno, entretanto, proibida sua publicação, sob as penas das normas eleitorais. Para haver publicação deve existir registro na Justiça Eleitoral.

Refiro-me às “normas eleitorais” porque o TSE sempre se arvora de poder legislador editando resoluções, algumas delas, com feitio e força de lei nova.

A batalha pelas decisões dos registros de candidaturas enseja eventuais recursos judiciais, cuja decisão final se prolonga por anos. Um absurdo inevitável decorrente da morosidade na tramitação de todos os processos judiciais.

Resumidamente, a campanha legal, somente poderia ser desenvolvida a partir do dia 6 de julho, quando as candidaturas são registradas, mesmo que ocorram recursos contra estas, porém, o movimento já começou há tempo.

Ainda está longe o dia marcado para início da campanha e até lá, haverá sempre o “jeitinho brasileiro” para driblar a capenga fiscalização da justiça eleitoral impotente, também, para impedir a circulação do dinheiro da compra de votos.

A internet continuará sendo ponto muito importante na disputa, através das redes sociais e, sem qualquer controle do ministério público e juízo eleitoral, sendo a coqueluche da campanha. Lá, tudo pode...

As eleições brasileiras continuarão, por muito tempo, sendo negócio rendoso para ricos e poderosos antecipando a vitória pela compra de votos.

Para mim, eleição será sempre a festa do povo onde os contrários se confraternizam, independente do resultado do pleito.

Enquanto governador interino da Paraíba, sob pressões para requisição de tropas federais retruquei: “As eleições não são guerra, mas a maior festa cívica da nação.”

(*) Advogado e desembargador aposentado

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O acesso às universidades brasileiras é o sonho de todo jovem estudante que precisa passar pelos concorridos exames vestibular.

Na bandeja de opções a escolha varia entre a gratuidade da universidade pública e o salgado custo das particulares.

Valendo para ambas foi inventado o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio como instrumento moderno de avaliação dos alunos do ensino médio, imitando alguns detalhes do sistema norte-americano.

Até aí, tudo parecia ser do bem! Entretanto, a realidade do Ministério da Educação é outra bem diferente, com o ministro Fernando Haddad mais se preocupando com sua precipitada candidatura a prefeito de São Paulo.

Um festival de escândalos marcou o desastre do exame com vazamento dos quesitos das provas, falhas na impressão do caderno de respostas, impedimento para disponibilizar espelho da prova de redação, deixando os candidatos desapontados e revoltados com a incompetência estatal.

O poder judiciário, por várias vezes, teve que decidir em favor dos estudantes, com interrupções seguidas da sequência das provas aplicadas, gerando falta de credibilidade do Ministério da Educação.

Achando pouco, de forma temerária, massificaram a realização do exame, lançando em 2009 o “super Enem” que significa haver duas edições por ano.

Agora, recentemente, já com um pé fora do ministério, Fernando Haddad cancelou a etapa do início deste ano, conseqüência de uma briga jurídica envolvendo a correção das redações, com critérios inobjetivos, com. os “corretores” de provas percebendo pela quantidade avaliada, deixando a qualidade pelos ares...

Faltou ao MEC a responsabilidade sobre seus atos, não se espelhando no princípio constitucional da transparência que rege os concursos públicos para frustrar a estudantada brasileira que acreditou no famigerado ENEM.

O tempo vencido ninguém recupera! Os sonhos se transformaram em tristes pesadelos para os estudantes e a impunidade continua navegando nas águas turvas da tolerância do poder público federal.

A educação brasileira, ao lado da insegurança pública, caminha de braços dados com letargia dos agentes públicos faltando com seriedade à sociedade nas prescrições legais em vigor. A lei ficou à margem!

Haddad, simplesmente cancelou etapa deste semestre do ENEM. Jogou a bomba chiando nos peitos do atual ministro, Aloizio Mercadante, a quem competirá juntar os restos mortais de uma idéia, que parecia moderna e eficiente, mas, que faleceu pela incompetência dos seus administradores.

Para o leitor avaliar, também foi Fernando Haddad quem criou o polêmico “kit gay”, para ser distribuído nas escolas públicas, chegando a gastar verba pública com a impressão de folhetos ilustrativos da preferência sexual.

A presidenta Dilma Rousseff no alto de seus 59 por cento de aprovação pelos brasileiros precisa, urgentemente, determinar pesquisa de opinião pública para avaliar o que nosso povo pensa do Ministério da Educação.

Não adianta “tapar o sol com uma peneira” porque a população pode até parecer abestalhada, contudo, a paciência tem limites medidos até o nível de suportar o sofrimento decorrente da ação nefasta e inconseqüente, de se brincar  com a seriedade dos bens públicos.

Os consertos no ENEM têm saído piores que o soneto!

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O homem trabalha toda uma vida para, ao envelhecer, ter direito ao que chamamos de “repouso do guerreiro”. Explico: depois de décadas labutando, todos têm direito à aposentadoria remunerada.

É claro que a grande maioria dos trabalhadores, se aposentam ainda com todo vigor para serem úteis à comunidade laboral. Como se diz na gíria: se aposentam inteiros...

O que clama os céus é que essa massa considerável de brasileiros, ao pararem de prestar serviço ao governo ou na atividade privada, são relegados ao completo desprezo por todos.

Primeiramente, criou-se uma concepção de que aposentado não serve para nada. E depois com o valor da aposentadoria fica diferenciadamente atualizado ao nível mais baixo de todas as categorias.

Não é de hoje, a contínua peregrinação dos inativos para que o reajuste anual dos seus ganhos viesse a significar aumento real para aqueles que ganham acima do salário mínimo.

Neste ano, por exemplo, o aumento concedido pelo governo federal, que se diz progressista, foi de exatos 6%, o que vem significar 0,5% ao mês. O que é inadmissível, já que as demais categorias profissionais, pela força das greves, chegaram ao dobro do percentual estabelecido aos aposentados.

A diferença de tudo começa porque os aposentados e pensionistas são dispersos Brasil a fora, ante uma frágil representação sindical, despida da força maior das famosas greves. Sem obrigação de trabalhar, os aposentados não podem deflagrar qualquer movimento paredista que sirva de tribuna para as reivindicações.

O Estatuto do Idoso, instrumento legal que ampara e defende a massa aposentada brasileira, em grande maioria acima dos sessenta anos, trata-se de texto legal de pouca aplicabilidade, em razão da falta de assistência sindical efetiva. E quando questionada administrativa ou judicialmente, tome tempo para solução definitiva.

Recentemente, quando o deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP) apresentou proposta legislativa de aumento aos aposentados em 80% de ganho real, o Secretário Geral de Dilma, Gilberto Carvalho, se apressou em detonar que o governo vetará a lei. Ou seja: Dilma não quer aumento legal!

A nação dos aposentados, hoje em torno de mais de 130 mil contribuintes é relegada ao desprezo, na completa ausência do reconhecimento aos serviços prestados em décadas a fio.

O desânimo e revolta dos aposentados não conseguem aparecer na mídia nacional pelo simples fato da falta de mobilização pública para que o Brasil reconheça o revoltante abandono a quem já deu seu suor ao setor produtivo.

A retórica do governo federal é  sempre repetitiva e inócua, repassando para a falida previdência social uma alegada situação deficitária.

Engraçado que o descontrole da máquina previdenciária privilegia  gastos supérfluos e astronômicos com jogos olímpicos, copa do mundo e também contam com a generosidade da política internacional desviando verbas públicas para conter a miserabilidade dos países do terceiro mundo.

O aposentado chora calada a dor do desamparo e da miséria vivida e, o tempo restante é pouco para sonhar com o futuro!

Contudo, aposentados e pensionistas são eleitores livres e desembaraçados, restando-lhes o exercício do direito de escolher os bons.

Aviso aos navegantes: APOSENTADO É ELEITOR!


(*) advogado e desembargador aposentado

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Em tempos de férias escolares, a turma resolveu passar final de semana numa capital vizinha, com apenas duas horas de carro na pista.

                  Estudante já se sabe né? O dinheiro é sempre curto exigindo haver uma seleção rigorosa das atrações turísticas do tempo de sol abrasador.

                  Logo no primeiro dia de excursão Orlando, que era funcionário público, sugeriu que fossemos almoçar numa suculenta peixada regada a uma “loura” estupidamente gelada.

                  Zélia e Leda não gostaram da sugestão até porque não consumiam bebidas alcoólicas e, na divisão da despesa, pagariam pelo que não consumiram.

                  De todo jeito, caminhamos pela calçadinha da beira mar estirando as pernas pelo cansaço da viagem. A poucos passos, parávamos sempre defronte das tabuletas dos bares e casas de pastos especificando os pratos e seus valores.

                  Aliás, um dos restaurantes esnobou na apresentação pública de seus pratos, com a versão em inglês, para os estrangeiros verem.

                  Do término da calçadinha, em meio a muitas brincadeiras, terminamos por escolher o menor preço de uma peixada ao capricho.

                  Inicialmente foram servidas cervejas denominadas “fiofó de foca” – bunda congelada – para a rapaziada e, para as meninas, que não tomavam uma birita, foram servido guaraná, laranjada e coca-cola.

                  Afinando o violão, Zé Leite foi logo dedilhando músicas de Ataulfo Alves com acompanhamento tamborilado dos dedos nas mesas e as garotas caprichando para fazer a segunda voz. A letra da música batia exato com o pensamento de todos, quando dizia: “eu era feliz e não sabia...

                  E foram cerca de seis rodadas de cervejas e refrigerantes acompanhadas de agulhas fritas e ensopados de caranguejo, quando foi dada a ordem de se pedir o prato principal.

                  Meia hora depois, o cheiro acentuado de frituras e azeite anunciavam dois garçons chegaram trazendo peixe inteiro frito regado a verduras, azeitonas e acompanhando batatas fritas quentinhas, pirão e arroz.

                  Foi um alvoroço, todos querendo estraçalhar os peixes, até que me propus seccionar as laterais de cada peixe. Com faca grande e serrilhada, soltando a carne da espinha central do peixe ficaram dois colchões, sendo um lado branquinho e outro lado dourado pelas frituras.

                  Foram dias de muita alegria e harmonia entre universitários!

                  Contudo, a cada dia que passava, era proporcionalmente diminuída a ração consumida, cada qual puxando o bolso da calça vazio, para provar o liseu, era uma choradeira só.

                  No quinto e derradeiro dia de farra acadêmica, na hora do almoço, a solução foi socorrer de uma barraquinha de palha nas areias da beira mar, onde duas mesas e oito tamboretes rústicos aguardavam os clientes. As meninas botaram cara feita e terminaram ficando.

                  Tomar cerveja foi descartado porque o consumo seria grande e o dinheiro não dava. Veio então a idéia de se tomar cachaça e um tira gosto qualquer.

                  Havia pequena diferença de preços entre restaurantes e bares e a sede deixava a goela molhada engolindo a saliva no seco.

                  O dinheirinho não dava prá nada. A solução foi pedir a famosa caninha e a cada gole, um forte aperto de mãos.

                  E tome apertos de mãos a cada gole, que superavam a bebedeira, para se tornar fiel símbolo da confraternização entre amigos.

                  As mãos entrelaçadas fizeram-nos sentir a pulsação emocionada de cada um, tendo o sol por única e compromissada testemunha.

 

                                      (*) Advogado e desembargador aposentado   
 

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A expectativa é a de sempre, jogar prá fora os acontecimentos desagradáveis do ano passado e apostar todas as fichas no ano novo.

Claro que nossa memória não permite que o passado seja simplesmente apagado quando recheado pela alternância de momentos felizes e infelizes.

Tirar à média ou fazer um balanço geral do que ocorrera em 2011 torna-se interessante para a projeção do ano seguinte. Por nada não, mas o homem dispõe do livre arbítrio para comandar sua vida.

Aliás, tem muita gente que se apega ao horóscopo, búzios, tarô, numerologia, simpatias, runas, cartomancia, quiromancia, mapa astral, e outros segmentos destinados a desvendar e prevenir o futuro.

As religiões e cultos, também têm destaque nas comemorações de fé pelo transcurso de ano, abrigando milhares de pessoas na credulidade em Deus.

Pois bem, o desejo pela felicidade ou, momentos felizes da vida é uma eterna procura de cada um na incerteza do virar o ano, seguidas e intermináveis vezes.

Sim, o homem sempre se preocupou com o futuro até por que do pensamento humano brotam os frutos da incerteza. Daí o justificável medo ao que possa acontecer no porvir.

Mesmo sem ter previsão de quanto vai durar nessa vida que Deus nos deu, a pessoa sempre projeta para frente, acreditando viver o máximo possível.

Engraçado que cada setor tem a preferência própria acerca do novo ano. Os políticos esperam mais vantagens pessoais do que públicas; os jovens inquietos aguardam desafiando o proibido; os pobres rezam para melhorar a má sorte; os ricos apesar da suntuosidade em que vivem sonham com aumento de suas riquezas; os religiosos se dividem entre aqueles que deram prioridade à investir na arrecadação das “sacolinhas” e, tem os que pregam a co-participação do pão nosso de cada dia.

Sempre existe algo a suplicar na virada do ano novo, como se fosse uma marca definitiva para a mudança de hábitos e costumes.

Diferente do Natal, que é festa cristã, o novo ano é até a primeira prévia carnavalesca do calendário brasileiro, com farta queima de fogos, música ao vivo e bebedeira que anima os foliões.

Ao final da festa de ano novo, já  com os primeiros dias de 2012 amanhecido, a maioria cai na cama para curtir a ressaca do réveillon. Como o primeiro dia do novo ano caiu num domingo, juntou o útil ao agradável: feriado nacional e domingo, dias onde não se trabalha, por razões dobradas.

Os comentários e impressões da passagem do ano ficam mesmo para a chata segunda-feira onde pelotões de lixeiros apanharam a sujeira das ruas e logradouros. Nos lares brasileiros, pilhas de pratos, talheres, copos e panelas esperam para serem lavadas e guardadas.

Enfim, chegamos ao ano 2012 da era cristã, com os mesmos problemas de anos anteriores e renovadas esperanças da melhoria para todos.

O sonho ainda é um linimento do homem para acalentar os desejos incontidos, não custando nada acreditar que o novo ano será muito melhor que o passado.

É aguardar para ver! As desigualdades continuarão com pobres e ricos dividindo espaços, cada qual rindo ou chorando a sua maneira, na espera do tempo passar.

 


(*) Advogado e desembargador aposentado

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Na casa de veraneio, na praia de Tambaú,  o menino foi dormir mais cedo na ansiedade de que ganharia presente de Papai Noel.

Durante toda semana, a mãe Adélia sempre advertia que o presente natalino dependeria das preciosas notas na escola. Como não era estudioso, aí associava aprovação no ano letivo, com o brinquedo que sonhava.

As músicas rodadas pelas emissoras de rádios predominavam as músicas natalinas, o que deixava nervoso e arrependido de não ter estudado o necessário para passar o ano letivo por média.

É imaginável que, por esta simples razão, a festa de Papai Noel deixava o menino triste ao envolver-se na incerteza decorrente do dever não cumprido.

Assim, ainda hoje padece dos reflexos aclimatados ao momento mágico da grande festa de confraternização entre os homens!

Confesso que a marca da infância permanece inabalável, mesmo com seis décadas e meia de vida, deixando-me um tanto quanto desanimado sem atender aos chamamentos natalinos.

Ademais, os salários das professoras eram tão pequenos a ponto de minha mãe se sacrificar, economizando mês a mês, para comprar o presentinho.

Assim, fui dormir mais cedo que de costume, para o dia de Natal chegar logo...

Como toque mágico do dedilhar de uma harpa, a noite passou logo e o sol apareceu para terminar os sonhos. Espreguicei-me, logo procurando pelo meu quarto o presentinho natalino aguardado.

Os sapatos estavam do mesmo jeitinho como deixara na noite anterior e a realidade se tornou um tormento desapontador para o garoto de cinco anos.

Voltei prá cama, me virei de banda, enfiei mão e braço debaixo do travesseiro e, quando me preparava para voltar a dormir, eis que a porta se abre lentamente e eu voltei a fechar os olhinhos, me fazendo estar dormindo.

Num relance rápido, voltei a abrir os olhos vagarosamente, e vejo dona Adélia saindo rapidamente do quarto... Estiquei bem o pescoço, olhei novamente meus sapatinhos e vi um carrinho metálico estacionado aos meus pés. Sorri e meus olhos foram ficando umedecido até que a primeira lágrima desceu pelas bochechas...

Sentado na beira da cama, assuei o nariz, enxuguei as lágrimas e, ao invés de empurrar o carrinho, fiquei olhando e acariciando-o. Senti o coração apertar batendo acelerado de amor por minha inesquecível mãe.

Então Tonho, gostou do presente de Papai Noel? Perguntara dona Adélia ao filho.

A resposta foi um cadenciado balançar positivo de cabeça. Apertei novamente nas mãos o carrinho presenteado e não tive coragem de encarar minha mãe. Afinal, ela ainda estava convicta de que o “bom velhinho” tinha dispensado as notas baixas do boletim escolar. Apesar de criança, imaginei ainda que não fosse meu direito desvendar o mistério infantil.

Fiquei de cócoras e comecei a empurrar o belo carrinho metálico de um lado para o outro da nossa casa.

A partir de então, Papai Noel, para mim, passou a ser um mito de verdade que continuo respeitando até os dias atuais.

Sou sensível aos sons e imagens natalinas! Apenas o espírito do Natal ainda não conseguiu estancar as lágrimas do guri que desvendou por si só, um mistério que as crianças acalentam até a pré-adolescência: PAPAI NOEL EXISTE!

 


(*) Advogado e desembargador aposentado

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Sempre gostei de cachorros, porém, minha saudosa mãezinha nunca permitira criar bichinho de estimação e companhia. Dizia que quando eu casasse teria quantos quisesse.

Meu amor pelos animais se mantém até hoje, criando um Poodle, um Schnauzer, um porquinho da Índia e, uma calopsita, quase um mini-zoológico!

De outra banda, a violência dos dias atuais não tem limites e, graças aos recursos modernos de captação de imagens pela Internet, chega ao mundo todo, mais um espalhafatoso e macabro espetáculo.

Esta semana, na cidade de Formosa, estado de Goiás, a população local e mundial assistiu à tortura e morte de um indefeso cãozinho da raça Yorkshire, comovendo e revoltando com repugnância todos quantos viram.

Tudo aconteceu nas dependências do apartamento ocupado pela enfermeira Camila Corrêa de Moura, onde os grunhidos de indefeso cãozinho chamaram atenção da dona de salão de beleza Vera, também moradora do prédio e, chocada com o que viu, resolveu filmar cenas violentas e desproporcionais da vizinha.

Na pequena área destinada ao indefeso cachorrinho, chutes fortes, arremessos do corpinho indefeso ao chão, além de cobri-lo com um balde, se sucediam a cada instante, mesmo sem que este nada fizesse para atrapalhar a louca proprietária.

As imagens verdadeiras estampam o massacre do animalzinho tentando, a todo custo, se esconder para evitar a tortura continuada.

Golpeado na cabeça, a gravação mostra a tentativa defensiva do Yorkshire, com o rabinho entre as pernas e a cabeça encolhida, a todo custo procurou, debilmente, esconder-se para evitar o mal.

Agora, se fosse um valente Pitbull ou Rottweiler a enfermeira agressiva, com certeza, não teria a ousadia de medir forças contra aquelas raças.

Cenas dantescas se repetiram com freqüência até que os vizinhos resolveram chamar a polícia goiana, a qual como às demais desse país desorganizado, demoraram muito em acreditar na denúncia feita.

Depois de muitos apelos, os policiais chegam ao local indicado, e encontram o corpinho imóvel do Yorkshire morto, por estrangulamento!

O cinismo de Camila Corrêa, casada com um médico, chegou ao cúmulo de postar em seu twitter: “sou tranqüila, casada, amo meu marido, meu filho, meus cachorrinhos” e depois do crime cometido desabafou: “vocês não sabem o que passei com aquela peste...” Vai amar assim, no inferno!

Aliás, a filha menor, de apenas dois aninhos, da violenta enfermeira, presenciou toda sequência de maldades perpetradas pela mãe o que deverá trazer problemas psicológicos num futuro próximo. Em tese, seria também hipótese de crime de tortura psicológica de menor.

A comoção pública foi decisiva para que a polícia goiana fizesse o menos possível, mesmo ante o triste e revoltante episódio deixando a bruxa enfermeira livre da merecida prisão em flagrante.

Houve negligência do aparelho policial e um grave princípio de impunidade que se precisa coibir, exemplarmente.

O povo protesta e espera que o inquérito policial seja concluído com celeridade, o Ministério Público denuncie e a justiça aplique em Camila Corrêa de Moura a pena máxima para o tipo penal cabível.

Leonardo Da Vince disse: “Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem.”

Nunca, nem em filme de terror, se viu tanta miséria, covardia, violência e descompostura no massacre do cãozinho.

 


(*) publicado no Jornal da Paraíba, Correio de Sergipe e portal InformePB

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Por volta das onze horas da manhã, me encontro com o saudoso compositor paraibano, Genival Macedo, e em rápido papo decidimos ir à Churrascaria Bambu, até porque, estávamos próximo ao horário do almoço.

Nos tempos em que estacionar o carro não era problema, paramos na calçada do restaurante e logo nos aboletamos numa confortável mesa.

De imediato, o conhecido garçom Forzinho logo encostou e, com a tradicional bandeja redonda, como em toque de mágica, duas taças de vidro e uma cerveja, estupidamente gelada.

“O galeto chega já, doutor, e vem no ponto como o senhor gosta!” disse o esforçado atendente.

O primeiro gole da “louríssima” foi precedido de cuidadoso contato dos lábios delicadamente molhados pelo gélido líquido. Logo em seguida, um gole guloso encheu toda a boca, terminando por um estalo de aprovação vindo do céu da boca...

Os assuntos em pauta na mesa do bar fora mulheres, música e coisas do dia a dia, intercalado com gargalhadas de quem está, conscientemente, feliz.

Genival falava da mais recente cantora brasileira que trouxera para apresentação na capital paraibana, a inesquecível Clara Nunes, sucesso de palco que ainda hoje a memória me permite registrar.

E lá vem Forzinho com o galeto primo canto acompanhado de duas tigelas fundas com farofa e molho vinagrete.

O tempo quente de verão sempre exigia uma cerveja após outra!

Detalhe bem paraibano, era o costume de jogar as garrafas secas embaixo da mesa, para evitar que a montanha de vidro formada, impedisse o conforto de colocar os braços e mãos. Há quem diga que era para despistar o alto consumo de bebida.   

A fome foi estimulada pelo perfume que brotava do galeto e, logo logo, pedimos o segundo, o que não era muito porque bebíamos em horário de almoço.

Em dado momento, Genival balançando o braço esquerdo se surpreende com o correr das horas. “Marcos, rapaz o tempo passa depressa, e eu vou voltar para Recife de ônibus...”

Respondi incontinente: “Vamos tomar a saideira num brinde à vida.”

O ônibus sairia da Rodoviária, pontualmente uma hora da tarde, e no relógio faltando apenas cinco minutinhos para a partida.

Fechamos a conta, homenageando Forzinho com a gorjeta em dobro e saímos a toda para pegar o ônibus.

O transporte não esperou nossa farra e botei o meu carro para ir pegá-lo no meio do caminho, em alta velocidade.

Não demorou muito e ultrapassei o veículo e liguei o pisca alerta fazendo-o estacionar no acostamento da rodovia.

Com direito a despedidas acaloradas, Genival sobe os batentes do ônibus e eu regresso para casa.

Dia seguinte, meu amigo telefona para dizer que a viagem curta se tornou longa e complicada. O ônibus não dispunha de tualete à bordo, e a fermentação da cervejada não podia adiar o esvaziamento da bexiga.

O volume de cerveja consumido tinha inchado a bexiga de Genival e, sob protesto dos demais passageiros, forçou o ônibus parar três vezes na pista, para urinar...

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Do alto da “laje”, onde me resguardo para escrever as crônicas da terça-feira olho a imensidão do mar sem ondas e pouco vento, dava a impressão de total apatia da mãe natureza.

O estágio de letargia também envolve as pessoas, como se estivessem sozinhas em meio à multidão.

A regra geral é viver em sociedade, e o isolamento é exceção sendo possível ser saudável quando temos uma meta a ser atingida na mudez solitária de quem procura realização íntima.

Mais profundo do que o silêncio é  a indolência de quem se esforça em viver, sem fazer parte desta.

Todos nós temos sempre um diazinho que não estamos para nada de nada...

Pois bem, sem querer querendo, amanheci calado sem direito a um bocejo que se parecesse como forma de comunicação.

Troquei de roupa e sai pela rua sem rumo certo terminando por entrar num shopping para onde a maioria se dirigia.

O ar refrigerado do conglomerado de lojas, restaurantes e diversões tem sido o refúgio de grande número de pessoas que fogem do calor abrasador do início do verão nordestino.

As vitrines das lojas adornadas com alegres decorações natalinas chamavam atenção dos passantes num convite às compras de final de ano.

Setor público e privado soltando o décimo terceiro, sem dúvida nenhuma, desperta a vontade de comprar algo para presentear quem gostamos.

Não me interessei por nada das vitrines, apesar de chamar atenção as cores vibrantes e a musicalidade apropriada pelo tilintar dos sinos de Belém.

Em passadas mansas e cadenciadas, tive a curiosidade constatar a ausência de mendigos, já que os seguranças empalitozados fazem a limpeza social. Quando muito fui abordado por uma pessoa procurando endereço de loja, respondendo-lhe com um simples balançar da cabeça, sinalizando não saber.

O cheiro da praça da alimentação destampou involuntariamente minhas narinas, porém, sem conseguir abrir o apetite de comer. Afinal, continuava  sentindo-me um peixe fora d’água e, sem encontrar o mar.

Serviço de sonorização do shopping interrompe a música e anuncia uma criança que se perdera dos pais, aguardando em local fácil do reencontro.

Chego ao play Center onde a meninada alucinada pelos brinquedos, afoitamente, vão gastando as fichas nos brinquedos e jogos disponíveis. A vontade da turma era brincar até fechamento daquele mundo encantado.

O barulho da garotada era grande, contudo, sem conseguir chamar minha atenção para prestar atenção do que faziam.

De repente, me vi plantado na frente do complexo de cinemas do shopping com letreiros e fotos convidativas para algumas horas de descanso e viagem na concentração nos filmes.

Minha determinação era não fazer nada, simplesmente andando sem destino, para ver aonde chegaria.

De repente, o celular toca abusadamente. Faço de conta que não ouvi e terminei parando lentamente e, com muita má vontade, retiro do bolso, olho para o visor que registrava um número desconhecido. Um seco alô! quebrou minha indiferença. Do outro lado uma voz feminina respondeu é Zezinho, é?

Tive vontade de desligar sem nada responder. Achei falta de educação e respondi com um sonoro não.

Aí senti vontade de conversar com alguém. Quebrei o gelo da indiferença e fui tomar um cafezinho com amigos que avistei. Fiz as pazes com o social.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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O consagrado direito de ir e vir se tornou coisa do passado, com o medo contaminando todas as camadas sociais do país.

Antigamente podíamos dizer que o homem era ser gregário, sempre a procura de boas companhias, para dividir todos os sentimentos acumulados.

Assim, praças e logradouros foram edificados, exatamente, para proporcionar às pessoas passeios ao ar livre, se encontrarem e baterem gostosos papos...

Crianças corriam por entre os jardins das casas e outros batiam bola em plena avenida, sem qualquer risco de acidentes.

O povo era feliz e sorria de incontida alegria na garantia assegurada pelo poder público em manter a paz entre todos.

Hoje em dia, a meninada se esconde em seus lares, a ida para a escola depende de escolta privada; brincar e jogar somente em campos apropriados e cercados e, nem no shopping, que é ambiente confortável e aparentemente em segurança metem medo a todos.

Os adultos possuem possantes carros blindados, cercas elétricas nos muros, sistema de filmagem de todas as dependências da casa, contratação de seguranças bem armados enfim, medidas de segurança que impedem à convivência livre e desembaraçada.

Por isto, nunca é demais abrir espaço nesta crônica para despertar os leitores em análise superficial dos males terríveis da modernidade brasileira.

Nesta semana passada, jornais e portais divulgaram com destaque, o resultado de pesquisa feita por uma universidade, versando sobre a violência urbana.

Quando todos esperavam que os poderosos estados do Rio de Janeiro e São Paulo figurassem em primeiro lugar, eis que Alagoas e Paraíba surpreenderam ganhando os desonrosos títulos de campeão e vice da insegurança pública.

De imediato, gestores públicos nordestinos tentaram iludir a população desprotegida, ensaiando desconstituir os percentuais apresentados na pesquisa, numa débil tentativa de “tapar o sol com uma peneira”.

Aprendi, desde criança, que os números não mentem, até porque fazem parte das ciências exatas não se resolvendo com conversa mole e mentiras.

Aliás, tentar apagar da memória popular os números projetados pelo sinistro movimento criminoso do país, qualquer cidadão pode e até deve, recorrer ao Professor Google sempre disponível para responder o que lhe for perguntado. Mesmo as pessoas mais pobres porque a internet está massificada.

A população tornou-se refém do próprio receio de ser uma nova vítima da temível Estatística Criminal, instrumento legal de contagem de assassinatos, estupros, seqüestros, lesões corporais, extorsões, e outros ilícitos penais.

E porque Alagoas e Paraíba estão no topo da violência urbana?

Muito simples: polícias civil e militar pagam salário de miséria aos soldados, faltam armamentos modernos e munição, carência de serviço de informações e, chegam ao cúmulo do racionamento de combustíveis. Há quem compare os policiais nordestinos com o famoso, histórico e decadente EXÉRCITO DE BRANCALEONE que atuou no século XIV sob vigência do trinômio “guerra, peste e fome”.

Além do mais, a debilidade da força pública nordestina é um convite irrecusável à bandidagem sulista que se sente mais a vontade para investir e desfrutar das belas praias da Paraíba e Alagoas...

Diante de tudo podemos concluir que, malsinadamente, nestes tempos, somos reféns do ousado poderio das forças do crime, amedrontando e decretando impiedosamente, a eliminação de vidas inocentes!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Sempre foi salutar e inteligente, gestores públicos viajarem a outros estados ou países para colherem subsídios técnicos e culturais minimizando os problemas administrativos, com dificuldade de solução prática.

Claro, que antigamente, eram viagens de mera exploração das riquezas do nosso país, por portugueses, espanhóis, franceses e outros povos.

Em porões dos navios, com lastro de madeira de lei e imensas velas brancas, os portugueses, se dizendo colonizadores, colocaram os índios e negros para catarem ouro e pedras preciosas, justificando posição de destaque na  comunidade internacional das nações de séculos passados.

Então, a mania de buscar, no exterior, soluções mágicas para os problemas internos de Estado, do nosso sofrido país, é herança que vem desde 9 de janeiro de 1822 com o famosíssimo “Dia do Fico”, onde D. Pedro I bateu o pé para não mais voltar para Portugal.

Depois veio também o “Cumpra-se”, decreto imperial que invalidava qualquer lei portuguesa no território brasileiro.

Para não demorar mais, no desfecho desta crônica, então veio o ex-presidente Lula que rodou o mundo todo no jatinho presidencial a procura não se sabe de que...

Chegamos então ao nosso século onde gestores públicos iludem o povo com a possibilidade de se importar, a preço zero, idéias, projetos e investimentos para melhoria da produção e dos serviços públicos em geral.

Da mera idéia do acaso, a consumação embrionária logo se forma comissão de notáveis para pautar missão internacional que nasce da vontade própria do nada, para coisa nenhuma.

Os preparativos da comitiva verde-amarela são sempre precedidos de estrondosas veiculações do fato perante os sistemas de comunicações disponíveis, chegando ao exagero de ser rotulado como “a derradeira esperança”.

Em alguns casos, o gestor viajava apenas com alguns poucos auxiliares graduados e, em outras são verdadeiras expedições com dezenas de pessoas.

Países como Cuba, Colômbia e o desconhecido Tartastão (ou Tartarisão) foram escolhidos a dedo na minha querida Paraíba, exemplos próximos de uma espécie de viagem de sonhos: os gestores e convidados foram, usufruíram, regressaram, porém, não trouxeram nada, absolutamente nada, senão meras recordações turísticas dos locais visitados.

Os exemplos apresentados, sinceramente, são países sem nenhuma tradição de exportar técnicas e mecanismos, ficando no sofrido bloco do terceiro mundo de muita miséria e até falta da prática democrática.

Engraçado, para não dizer trágico, a balança comercial demonstrou que nenhuma importação aconteceu, como também nada foi importado ou exportado pelos brasileiros que foram ao Tartastão, Cuba, e Colômbia.

Após os primeiros dias do regresso das fogosas viagens, a praxe é pagarem para divulgação de algumas entrevistas coletivas com disfarçados sorrisos de vitórias que não conquistaram em territórios exóticos do além mares.

Enquanto houver tempo de se justificar realizações de ações a médio e longo prazo, os projetos internacionais enganam o povo esquecido e cansado.

Os problemas se eternizam sem solução! A população reclama em brados que ecoam como protesto, não tanto pelas viagens, todavia, pelo estado de letargia das administrações estaduais e municipais que se sucedem.

Outras mirabolantes missões internacionais virão!

O filme será reprisado em futuro próximo e os resultados serão os mesmos: sem nada a comemorar das memoráveis viagens de sonhos.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Nosso país tem tantos feriados, dias santos e os famosos “pontos facultativos” que figura entre as nações que mais prestigiam o ócio remunerado.

Hoje, por exemplo, temos o dia em que se festeja a proclamação da República ocorrida nos idos de 1889, sob a batuta do marechal Deodoro da Fonseca, em meio a um levante político-militar despojando D. Pedro II e a sua monarquia constitucional parlamentarista.

Naquela época, os republicanos eram, em grande número, pertencentes à Maçonaria, entidade secular que trabalhava em segredo e, conflitante com a Igreja católica. Estas instituições ainda se mantêm em todo o mundo apesar do nítido declínio do poderio de então.

Apesar de pouco consultada nossa história também registra os reflexos decorrentes da Lei Áurea (1888) com os negros que lutaram na guerra do Paraguai sendo libertos e, seus ex-patrões não receberam as indenizações de praxe, terminando por aderirem ao movimento republicano.

Tanto assim que, João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, único senador que votou contra a abolição da escravatura, foi duríssimo com a princesa Isabel ao profetizar: “a senhora acabou de redimir uma raça e perder o trono!

As interpretações do movimento republicano brasileiro demonstram que o “levante político-militar” fora tranqüilo e sem disparo de um único tiro. Quando muito umas poucas prisões, chegando ao ponto do jornalista e grande líder republicano Aristides Lobo ter classificado o sentimento nacional na seguinte frase, curta e grossa: “... o povo assistiu bestializado”, referindo-se à decretação monárquica.

Pois bem, o povo acomodado gostou da idéia republicana e até hoje comemora como mais um dia em que não se trabalha.

Nada contra o aniversário da proclamação da República, porém, contra o exagero de tantos dias sem trabalho no setor público quanto no privado.

Se alguém desejar fazer pesquisa acerca do conhecimento do povo brasileiro, com esta e outras datas de feriados nacionais, é previsível que a esmagadora maioria não saberá responder o que aconteceu em 15 de novembro de 1889.

A educação dos jovens brasileiros há décadas que não oferece o devido conhecimento histórico, como se o passado tivesse sido apagado por ser algo desprezível.

Triste do país que não tem resguardada e difundida a sua história!

O Ministério da Educação, encalacrado com escândalos sobre o ENEN, além do ministro Fernando Haddad se debruçando na preocupação priorizada com sua campanha à prefeitura de São Paulo, fica sem tempo e espaço para impor uma pequena dose de civismo aos jovens destes dias.

Penso que, por estas e outras razões fundadas, não temos mesmo o que comemorar neste dia, porque a proclamação da República, pura e simplesmente, foi um marco histórico que desapareceu da memória dos brasileiros.

Então, vamos para a praia pegar um sol de verão, sentar num banquinho de bar à beira mar e curtir a vida despreocupada! Ou ainda juntar a família toda e se instalar num shopping center onde tem comida, bebida, jogos, cinema, compras e outras diversões.

Outra opção seria aproveitar o feriado nacional para colocar em dia a contabilidade familiar, fazer serviços domésticos ou ainda, visitar parentes distantes e amigos de que não se encontram há anos.

Nossa República cheia de escândalos como do “mensalão” e as devassas em ministérios do governo Dilma, é uma caixa de surpresas e desencontros.

Entretanto, fazer o que? É dar VIVA A REPÚBLICA! Mesmo sem se saber o que isto significa para nosso Brasil.

(*) Advogado e desembargador aposentado.

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Nesses tempos de verão antecipado com muito sol e calor, na “laje” onde moro, peguei o aguador, enchi d’água e derramei no confortável jarro que recepcionei um pé de nuvens, plantinha sensível que exige os cuidados diários.

Aliás, minha espontânea adoção da planta escolhida, lhe isentou dos fatores asfixiantes que ameaçam os homens, animais e florestas gerados pelo aquecimento criminoso do nosso planeta. Realidade dependente do homem com previsível e desastroso final, num futuro um pouco distante.

Cheguei a ficar preocupado quando galhos e folhas secas desfizeram os lindos buquês da florzinha azul claro.

As plantas, diferente dos animais, são passivas e o único sinal de desespero pela falta de cuidados é o murchar das flores, folhas, galhos e tronco em sinal anunciando o fim.

Já disse um pensador que “as flores não falam” e por isso devemos manter um diálogo mudo na retribuição à beleza natural derramando em seu corpo desnudo, a água pura que alimenta.

A mãe natureza é pródiga na benignidade da proteção às flores com chuvas passageiras caindo sobre a terra adubando a vida vegetal com belos ornamentos que decorrem do trinômio talo, folhas e flores. Então, minha plantinha tem, sim, o meu cuidado cotidiano para complementar o que a natureza nos dá.

Como nós, as plantas também envelhecem deixando os troncos engordarem demais a ponto de estourar suas cascas. As raízes agonizantes se multiplicam gerando novos filhotes que rasgam o seio da terra na ocupação de um novo e independente lugar. Logo acontece a alegre recomposição natural para gerar novos ramalhetes.

E assim a cada novo galho gerado pontilhado de folhas em forma de moldura logo pede espaço ao mundo para belos e delicados buquês.

Pergunto-me: como fui me apaixonar pelas nuvens cuja beleza se exaure na delicadeza de suas pétalas, com duração efêmera? Sim, porque sem permitir qualquer competição entre as flores, tenho consciência da exuberante beleza das rosas e tulipas, da majestade das orquídeas e do perfume inebriante da angélica, o que não me afastou das frágeis florzinhas azuis claro.

Paro de escrever por alguns segundos e me viro para a visão privilegiada da minha “laje”. Vejo o céu mostrar na sua imensidão a doce convivência com nuvens carregadas desfilando lépidas e fagueiras e determinadas a ocupar o céu.

Até que tentam, contudo, em vão! As camadas de nuvens soltas vagam pelos céus e falecem de resistência para se deixar decompor. E a chuva cai como bênção celestial sobre a terra e seus habitantes plantando a fertilidade natural. São as nuvens encontrando as nuvens...!

Para quem tem a sensibilidade de perceber a natureza, o vento e as nuvens encenam um balé romântico acariciando-as e fazendo percorrerem lugares variados, até se perder de vista.

Já a plantinha não consegue segurar a flor por muito tempo deixando-a voar cadenciadamente e jogando o pólen para fecundar novas flores na explosão natural da vida vegetal deixando ao vento os fragmentos das nuvens desgarradas dos galhos.

O sentimento de quem cultiva flores é exemplo de sublime amor que acontece no surgimento de cada florzinha, tal qual um toque de bela magia natural.

A certeza que tenho é que as flores se desmancham ao sabor dos ventos, nessa metamorfose ambulante da vida vegetal, nos ensinando pela convivência diária dos fabulosos espetáculos que desafiam à imaginação.

(*) Advogado e desembargador aposentado

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Com os olhos brilhando que só  um diamante graúdo, o menino foi se aproximando do velocípede, na presença do pai que acabava de comprar para presenteá-lo.

A primeira providência foi tocar a campainha da máquina movida a pedaladas, que tocava um sonoro din don!

O longo corredor que atravessava todo o lado direito da modesta casa tornou-se pista livre para o desfile do brinquedo.

Com todo carinho, o genitor ajudou a criança de quatro anos sentar na sela, colocando os dois pezinhos nos respectivos pedais, impulsionadores das rodas, fazendo andar.

A mãe, um pouco à distância, assistia sorrindo o primeiro encontro do garoto com o velocípede, secundada por Amélia a babá que tudo fazia pelo menino.

Aliás, as duas irmãs mais velhas, Lúcia e Lucinete, também chegaram rindo à toa no destile orgulhoso de quem recebe presente inesperado, porém, cultivado no pensamento.

As curvas da vida dificultavam um pouco o piloto, muitas das vezes, tendo de apelar para a marcha ré, numa manobra parecida com os grandes caminhões carregados do mais puro amor.

Depois de traçar toda a casa, inclusive entrando nos quartos, o próximo desafio foi descer os batentes da casa para chegar à calçada da rua Conselheiro Henriques, no centro da cidade.

O movimento pequeno e pacífico dos anos cinqüenta autorizava a ida à calçada como se fosse uma mudança de fórmula amadora para a “fórmula um”.

Tonho, deixe que eu levo prá calçada o seu velocípede, pois é pesado para você” e assim o pai orgulhosamente desceu os cinco batentes da grande sala da frente da moradia.

Já na pista da estreita calçada, o guri respirou fundo e deu as primeiras pedalas públicas com fácil trânsito, diferente das calçadas de hoje cheias de veículos irregulares e bazares dos ambulantes.

Percorreu toda a extensão da calçada indo da esquina da Rua Direita (atualmente Duque de Caxias) com a outra esquina da Rua Nova (hoje, General Osório) contabilizando apenas uma pessoa a testemunhar a ventura: um verdureiro levando pesados balaios nos ombros, que passava anunciando os produtos para as donas de casa.

Nas casas sem recuo para jardins, não eram convidativas para aparições nas janelas, somente nos domingos na saída da missa da Catedral Metropolitana, as janelas fervilhavam de pessoas.

Por motivos óbvios, o esperado movimento de pessoas nas calçadas não acontecera, mas sendo até muito bom, porque se podia dar uma puxadinha na velocidade da máquina movida à vontade alegre de uma criança.

De repente, o tempo passou velozmente!

Não é que o velocípede da cor verde apareceu no auditório da Fundação José Américo de Almeida, na presença de quase duzentas pessoas, dentre familiares, amigos e autoridades.

De início me senti num misto de alegria, ansiedade, saudade e profundo toque de emoção.

Sinceramente, nunca imaginei que um dia lançaria livro em solenidade com familiares e amigos!

Apresentei O VELOCÍPEDE VERDE, na mesma intensidade que meu pai Hilton me dera a máquina veloz no tempo e com agradecidos afagos nos rostos de todos que apoiaram e prestigiaram o lançamento do meu primeiro livro.  Muito obrigado!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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