CMJP decide nesta quarta se aumenta o número de vereadores em João Pessoa » Bolsonaro decide indicar Nestor Forster para embaixada nos Estados Unidos » Eduardo Bolsonaro anuncia novos vice-líderes do PSL na Câmara Federal » Mais de 525 toneladas de resíduos foram retiradas de praias com óleo » Bolsonaro diz que PSL teve bate-boca 'exacerbado', mas que ferida irá cicatrizar » Bolsonaro assina MP que garante pagamento de 13º para Bolsa Família » investigação aponta indícios contra deputada Estela Bezerra »


Às vezes me sinto criança, mesmo sob o peso assumido de ser sessentão. Um contraponto parecido com a tentativa de se misturar óleo com água...

Imagino as idéias e pensamentos da doce infância, assumindo a sensação gostosa em reviver passado glorioso. Tudo emoldurado pelo sorriso maroto e terno de tentar adivinhar o futuro de menino buchudo daquelas épocas.

Imaginava que a obrigação de estudar, e era a única mesmo, prejudicava as brincadeiras porque qualquer tempo sem traquinagens era tempo perdido.

Tornava muito difícil compreender que o aprendizado escolar era o caminho certo para o sucesso no por vir.

“Venha estudar, Marcos Antônio, senão você não vai ser nada quando crescer!”

Contudo, o dilema entre estudar e brincar, na meninice, sempre prevalecia esta última pelo custo benefício do prazer.

Não por nada, mas os jovens que se destacam nos estudos são apelidados de CDF, sigla facilmente decifrada por todos e nem sempre são vencedores no jogo da vida.

Nos raros momentos pensativos, me perguntava como seria quando crescer, já que os adultos só pensam em trabalhar e reclamar de tudo, pelas dificuldades em manter as respectivas famílias. Missão difícil porque naqueles tempos já existia o monstro que se chamava “carestia”, e a inflação é negócio novo e técnico.

Acompanhava meu saudoso pai pelas movimentadas ruas do comércio e ficava espantado por ele conhecer quase todo mundo.

Conversava, então, com meus botões: “só conheço meus vizinhos e coleguinhas do grupo escolar”. Seria muito pouco para tentar ser o que meu pai era.

Veio-me a idéia magistral de garantir o futuro, podendo vender garrafas secas e jornais velhos, arrecadando algumas moedas, o suficiente para comprar picolé e bombons e pipoca.

Sim, mas não se vive com poucas moedas e as guloseimas, necessariamente, não são tudo na vida de qualquer guri.

Pensei também em ser motorista de carros, pela simplicidade com que via pessoas sem estudos, assumirem o volante.

O tempo me obrigou reconhecer, sim, o valor dos estudos, embora confessando não figurar dentre os primeiros da classe. Aliás, nunca gostei de me sentar nas primeiras carteiras, sempre optava pela última fila onde podia fazer molecagens sem olhar para trás.

Chego a imaginar, eu menino, ter chegado ao que cheguei, por um milagre ou passe de mágica... Acima de tudo sempre coloquei o bom Deus!

Enquanto novinho, não imaginava vir a ser pai e, muito menos, avô. Até porque criança não faz projeções do futuro pela descendência genética, o importante sempre, foi e será brincar livremente.

Hoje em dia, continuo jovem assumido, mesmo olhando sempre, com indisfarçável ternura os velhos tempos. Inspiro-me em meus filhos e netos em tentar a reviver saudosamente a infância pura, sem espaços para violências e com muito amor.

Eu criança, distante fisicamente dos tempos imorredouros, me sinto sempre presente com a cabeça embranquecida pela poeira da história. Vejo nos meus netinhos Maria Luiza, Marcos Neto, Isaac e Maria Clara reviverem o que não consigo ser mais.

É neles que me inspiro para, simplesmente dizer: eu menino, sempre feliz!

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 1 Comentários

O coração aumentou as batidas quando ela se aproximou, sorrindo e alegre no encontro marcado. A espera é sempre cruciante pelo desejo ardente de ficar juntinho da pessoa amada. Avistando de longe a musa, logo jogou fora o chiclete que mascava impaciente.

Aproximando-se, ela deixou o seu perfume abrir a flagrância como a formar uma bolha de cristal, restrito apenas para dois.

Frente a frente, de início, o toque sutil da timidez deixava transparecer, a julgar pelos gestos de mãos suadas se esfregando apertadas...

Olá, tudo bem com você? Antônio quebrou o silêncio com os olhos fitos na namorada se aproximando para pegar na mão gelada no nervosismo da conquista.

Maria entrando no ritmo estirou suavemente a mão e o toque final selava o momento ansiosamente desejado. Um calor indescritível tomou conta de todo corpo, deixando as faces enrubescidas e as mãos esquentadas pelo atrito dos dedos.

O casalzinho virou-se e seguiu em lenta caminhada entre os jardins da pracinha de cidade do interior, desafiando o tempo.

Ao longe, velhas fuxiqueiras, sentadas na calçada das casas, gesticulavam estabanadamente, quiçá moendo comentários frustrantes pela falta de liberdade em seus tempos de juventude.

Indiferente a tudo e a todos, o casal segue numa felicidade sem limites. Conversas amenas e um sutil abraço ensaiaram os corações procurar unidade nas batidas...

Beijinho de leve na testa de Maria tirou de seus lábios um sorriso maroto de “quero mais”...

Daí prá frente, sob o perfume de rosas, os namorados continuaram nos amassos de puro prazer.

Mais do que as palavras, os olhares cintilantes traduziam as mensagens vindas do fundo do coração. Tudo era um sonho vivido com pureza de sentimento mesmo em poucos minutos, mais parecendo uma eternidade preciosidade.

Como ocorre em todo e bom momento de vida a dois, o amor parece tornar o tempo menor e as juras de amor não chegam a ser declamadas porque as carícias dispensam palavras.

Ao lado do banco da praça onde sentavam um jardinzinho com flores silvestres rústicas chamou atenção de Antônio. Levantou-se, colheu três flores de cores vivas em forma de buquê e deu a Maria recebendo com carinho eterno contrastado com a fragilidade das florzinhas.

Incrível, mas as plantas silvestres não tiveram o direito de exalar perfume, abrindo espaço para a doce flagrância de Maria envolvendo tudo num momento inesquecível.

A tarde passou rápida demais e o sol já descia para se esconder da lua, quando se lembraram que chegara a hora da despedida.

Já no portão da casa os dois pareciam não querer terminar aqueles momentos de realização romanceada. E nesse dilema, não existe “sexo forte” prevalece apenas o desejo incontido do amor.

Um simples beijo na face selou o inesquecível encontro!

Suspiro profundo, gesto apressado enxugando a narina na manga da camisa, Antônio sentiu o marcante perfume de Maria. O cheiro de amor ficaria impregnado nos corpos e corações dos que sabem amar eternamente.

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 2 Comentários

Vem dos primórdios da sociedade organizada a utilização de meios para chamar atenção e impor verdades, que nem sempre são verdadeiras.

Sem pretender enveredar pela tonalidade acadêmica, a propaganda é a técnica de impregnar idéias ou ideais nos campos político, religioso, cívico e cultural. É idealizada para captar adeptos às propostas levadas ao conhecimento público.

A sabedoria popular ensina: “propaganda é a alma do negócio” e a diferença entre o ovo da pata para o da galinha é, justamente, porque esta última cacareja anunciando seu produto...

De outra banda, a publicidade se enquadra no interesse público de se dar conhecimento ao povo. Ou seja: tudo que for matéria dos órgãos públicos devem ser levadas ao conhecimento escancarado.

Tanto assim que, a Constituição Federal, em seu festejado art. 37, manda que a pública administração faça a publicidade de seus próprios atos, para que todos os cidadãos conheçam, exercendo direito de enaltecê-los ou questioná-los.

Pelo menos, na democracia é assim já que existem nações que escondem, sob sete chaves, detalhes misteriosos e suspeitos do dia a dia da respectiva administração.

A lei vai de encontro à obsessão dos “donos do poder plantonistas” que desafiam a legalidade em incontrolável abuso de poder. Daí, abrindo espaço para outra modalidade de procedimento: a censura de seus próprios atos, com variação desde a ditadura pura até diversas versões da democracia travestida...

É interminável a lista dos ditadores ao curso do tempo, a começar pela antiguidade com Lucius Cornelius e Júlio Cesar, passando por Joseph Stalin, Benito Mussolino, Oliveiro Salazar e Adolfo Hitler.

Mais recentemente, Fidel Castro, Francisco Franco, Augusto Pinochet e, até o nosso Getúlio Vargas de saudosa memória.

No folclore político, alguns se destacam pelo inusitado: All Qaddafi só dorme em sua tenda, mesmo dentro das suítes presidenciais; o baixinho Kim Jong-il usa “sapatos mágicos” crescendo seis centímetros na altura e, Mahmoud Ahmadinejad possuidor de ameaçadoras bombas nucleares, brinca com o perigo.

Assim, todos pontificam pelo culto à própria personalidade, numa tendência megalomaníaca!

As verbas públicas são escandalosamente destinadas pelos orçamentos anuais na garantia de a opinião pública ser deturpada, intencionalmente, para que o povo apenas conheça da face “boa face” do poder. Somente o que interessa a presidente, governador ou prefeito é levado à descarada veiculação paga com dinheiro dos impostos.

Não bastasse a derrama de dinheiro para impor o culto apolíneo aos chefes de poderes, a censura ganha graciosos espaços, com jornalistas sendo cooptados para transformar a corrupção em “nova administração”, enquanto outros, perseguidos pela independência de noticiar.

Virou moda cabeças de jornalistas, imparciais e independentes, rolarem por terra, ato ditatorial sem limites manchando de vergonha a democracia no direito fundamental da liberdade de expressão!

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros prescreve como dever dos jornalistas: “opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão...

Falta no Brasil que lutemos pela liberdade de pensamento e expressão, sem o que, continuaremos sendo uma nação definida como autocracia.

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 1 Comentários

O calendário cristão reserva ao mês de maio justas e merecidas homenagens a Nossa Senhora, mãe símbolo de todos os homens. Daí, a denominação de “mês mariano”.

Maria foi escolhida para desempenhar papel fundamental na história sagrada ao gerar seu único filho, Jesus!

A mãe de Jesus marcou a civilização levando aos dias de hoje o exemplo da dedicação, ensinamento e muito amor aos filhos queridos.

No seio familiar a importância de ser mãe é inquestionável, mormente quando esta fora predestinada em acompanhar aquele que viera para salvar o homem do pecado.

Explica-se: viver no pecado nada mais é senão fazer tudo o que for errado, divergente dos padrões de civilidade e respeito ao próximo.

Toda família tem a sua Maria para defender com impulsividade seus rebentos. E nem o passar do tempo, os filhos, deixam de ser, carinhosamente chamados, “meninos e meninas”.

A consagrada imagem, esculpida em mármore, da Pietá de Michelangelo revela, com profunda sensibilidade, a mensagem da Mãe Dolorosa acolhendo em seus braços o corpo desfalecido, ensangüentado e seminu do filho injustamente crucifixado.

A fabulosa obra de arte descortina a força inexorável da mãe, impotente, porém, decidida pela fé, na reconquista do sopro da vida para seu querido filho numa esfera superior.

O corpo desvalido repousa sereno no colo de Maria. Seu semblante é desvalido e doloroso tentando acalentá-lo para o sono eterno e aguardando o inesperado milagre do sentimento próprio de mãe em desejar mantê-lo vivo!

A separação definitiva de uma mãe com o filho é dor eterna, insuportável, de difícil assimilação e sem descrição que coincida com a triste realidade.

Mães são dotadas de poderes exclusivos para saberem os erros, omissões e falhas de seus rebentos, sem lhes faltar paciência e o dom do perdão, principalmente, o ensinamento pelo acerto.

Maio é dedicado ao culto a Maria nossa Mãe Imaculada e, por extensão, também estendidas a todas as mães que, de uma forma ou de outra, sempre procuram se espelhar no conceito puro de Nossa Senhora.

O calvário de Maria é bem parecido com o das mães de hoje, em razão do sentimento único do amor aos filhos e do sofrimento por estes.

A cruz pesada da vida se arrasta nos ombros de cada mãe nesse mundo de violência, desamor, vaidade, mentira, ambição, drogas e guerras fratricidas.

A volta noturna de cada filho é  espera angustiante da mãe que aguarda a incerteza do retorno com vida.

Os braços da Pietá nas mães do cotidiano vivem, eternamente, abertos para receber os rebentos nas madrugadas intermináveis...

Convivem com o flagelo da humilhação, a coroa de espinhos da incompreensão, o açoite das drogas, o peso da insegurança, a crucificação pelas penas decretadas, e a absoluta falta de amor e perdão.

Apesar de tudo, as mães sob a sombra de Maria Santíssima não esmorecem e mantêm os braços sempre escancarados, aguardando o filho resgatado dos escombros da vida cotidiana.

Em maio, se comemora Maria e as mães na conjugação de renúncia, abnegação e profundo amor aos filhos da vida.

 

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Após aquele memorável atoleiro na pista de barro, bem pertinho do Palácio da Desolação, sua majestade fora avisado, pelo primeiro ministro George,  que os republicanos estariam vasculhando o emprego do dinheiro real.

Besteira, eu tenho na mão os arautos da informação e ainda não perdi um só dia de sono...” sentenciou o rei, bem debochado ao seu estilo ditatorial.

Numa segunda-feira qualquer, o monarca acordou um pouco mais tarde que de costume, sob os efeitos do popular Lexotan e os babões de plantão já o aguardavam no salão do lauto café da manhã.

Com os olhos arregalados, o rei deu um bom dia com ressaca braba e, sem a tradicional conversa matinal, ordenou que o novo garçom contratado de um dos melhores restaurantes do condado, servisse o breakfast.

Em impecável bandeja de prata reluzente, foi colocada à mesa xícara com chá “quebra pedra”, um pratinho com bolachas “quebra queixo”, e prato de mugunzá cheio pelas bordas, saindo fumaça.

“Vixe! como ousaram inventar essa porcaria para meu café matinal? E vá logo se explicando o porquê dessa idéia maluca!”

Meio sem jeito, o garçom explicou que tinha ordem do cozinheiro Walter para economizar. Resultado: chá de “quebra pedras” não custou nada. O mugunzá fora adquirido na feira da Torrelândia, por preço baixo e prazo de validade vencido. Finalmente a bolacha “quebra queixo”, dura de morrer, estava mofada...

No clima quente da desfeita ao rei, todos se adiantaram em fazer graça, mas, como não tinha Bobo da Corte nomeado, o assunto voltou com força.

O chefe da segurança real foi logo se adiantando para dizer que nomear o Bobo era assunto institucional para a vida do monarca.

Por seu turno, a ministra de turbante foi também favorável porque a despesa com um Bobo da corte era somente o salário...

O barbudo do cavanhaque fedorento também disse que os arautos da informação estavam unidos e bem pagos, sem nenhum risco.

E assim, o papo do barulho da oposição republicana em mexer nas despesas reais foi esquecido temporariamente.

Em meio à conversa mole dos bajuladores, o reizinho não se conteve: “se algum de vocês deseja ser Bobo da corte, pode tirar o cavalinho da chuva porque não vou nomear. Tenho que aparentar não gastar dinheiro real.”

A essa altura, o chá já  estava frio e o mugunzá estava uma verdadeira bucha e a bolacha quebra queixo, mais dura que um poste...

“O senhor vai se servir do cardápio, excelência?” perguntou o desavisado garçom do salário de ouro.

Enchendo o peito de ar, o monarca encarou a todos, num giro de cento e oitenta graus e desabafou: “seja preso quem inventou esse cardápio terrorista e mande o material subversivo ser jogado aos porcos.”

Foi aí que a cobra bebeu água, quando o metido motorista imperial não se conteve e bradou: “mas é danado, vão jogar o mugunzá na pocilga real e os porcos vão rejeitar e decretar greve geral.”

E a reunião azedou de vez, com o rei mandando demitir quatro auxiliares, sob o pretexto de estarem doentes, mas todos com muita saúde.

Sem nenhum clima para conversa, coube ao Chefe da Casa Imperial trazer a péssima notícia matinal, dando conta de que o Conselho das Leis recebera processo pedindo a destituição do Imperador e o barulho ficou grande.

Agora, é jogar fora cardápio e ingredientes, ficar sem Bobo da Corte e aguardar a movimentada sessão do independente Conselho das Leis. E haja leis!

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

O orçamento público, seja federal, estadual ou municipal, é a previsão das receitas e fixação de despesas para vigência no ano seguinte da aprovação da lei orçamentária, em detalhamento feito por técnicos especializados.

Em sessão plenária do STF, há  décadas, onde me fazia presente, se discutia lei orçamentária estadual, ouvi no debate acadêmico um ministro dizer que “orçamento é uma peça de ficção”.

Com a evolução dos tempos, os gestores públicos, desfraldando bandeira de campanha eleitoral, decidiram por nova formatação orçamentária, criando novo conceito de orçamento público e, abrindo a “caixa preta” dos números contábeis.

Mesmo sem entender bulhufas do que seja orçamento público, o povo foi conclamado a participar da nova idéia logo evoluindo entre municípios desse país de extensão continental. Os Estados, mesmo os menores como Paraíba, Sergipe e Alagoas, não tiveram como sair dos palácios misturando-se à população pela simples razão do número populacional.

Diante dessa impossibilidade, por exemplo, a presidenta Dilma não teria como patrocinar reuniões de brasileiros e brasileiras, em salões e ginásios, para conhecimento e discussão da proposta orçamentária, sendo, absolutamente inviável.     Assim, na prática, as pessoas recrutadas pelo poder público seriam limitadas à enganosa postura de propor a divisão do dinheiro previsto para o ano seguinte, em detalhes irrisórios como: calçamentos de ruas, merenda escolar, reformas de escolas e hospitais, bolsas de estudos, etc. Discutindo miudezas em meio ao atacado.

Na cidade de Porto Alegre, a pioneira do Orçamento Participativo, por histórica orientação do Partido dos Trabalhadores em 1989, hoje tem seu Conselho do Orçamento Participativo (COP), órgão máximo de deliberação do colegiado formado por membros eleitos em Assembléias Gerais regionais e temáticas, compreendendo as regiões municipais, onde são eleitos dois titulares e dois suplentes para cada setor.

Não o prefeito, porém, o Gabinete de Programa Orçamentário (GCO) tem a competência de comandar o Orçamento Participativo gaúcho encarregado de providenciar exposições técnicas do Plano Plurianual.

Atualmente, também o vetusto judiciário, escancarou sua proposta de orçamento, facultando aos magistrados utilização de formulários eletrônicos para participarem. Imaginem se fossem reunidos todos os magistrados, ativos e inativos, em torno de uma gigantesca assembléia, numa brincadeira sem precedentes.

Outro exemplo prático e eficiente teve o Governo do Distrito Federal onde os “brasilienses poderão acompanhar os investimentos em cada região e conferir aqueles que forem definidos como prioridades”, disse secretário da SEPLAN, Edson do Nascimento.

Doutrinariamente, essa abertura aos números orçamentários, foi denominado “repolitização”, na participação popular dos números orçamentários, em nome da democratização das políticas públicas.

Em tempos de modernidade e presença maciça da internet, ainda tem gestor público que freta ônibus e vai interior a fora numa caravana demagógica iludindo o povo na encenação de um dia de “faz de conta orçamentária”.

Iludindo o povo e a si próprio, os que patrocinam essas fantasias orçamentárias poderiam, simplesmente, se enquadrar no meu modesto entendimento: o orçamento participativo-democrático é a teoria da prática que nunca acontece!

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Todas as noites, antes de dormir, minha mãe mandava que sentasse na cama para rezar agradecendo a Deus.

Rezava Ave Maria, Pai Nosso e depois do “pelo sinal” havia a oração ao Santo Anjo.

Mesmo pirralho, confiava no anjinho, entretanto me preocupava muito com o passar do tempo, quando me tornaria adulto e ele continuaria o mesmo de sempre: pequenino que nem eu era.

Não entrava na minha cabeça a desproporcional situação de um dócil anjinho da guarda colocar sob as pequeninas asas brancas um homem feito, protegendo, iluminando e guardando...

O tempo passou e a tradição de fé cristã me fez orientar meus filhos na força do poder cristão.

Já nos tempos do predomínio da televisão, os filhos falavam um “peraí” para aguardar o final do filme ou do programa e, somente depois, rezar as orações do final do dia.

O mundo deu muitas voltas, as orações cristãs permanecem intactas e meus netinhos são exemplo da continuidade da fé em Deus, especialmente na invocação do anjinho da guarda, porque a meninada se sente amparada pela luz protetora das asas deslumbrantes.

Não tenho dúvidas de que o anjo da guarda continua me acompanhando em todos os instantes da vida, pois o sinto constantemente.

Certa vez, “levando um chá de cadeira” num consultório médico, aguardando para ser atendido, chamou-me a atenção um perfume suave e marcante.

Ao meu lado sentou-se uma bela senhora idosa, de cabelos brancos com ligeiro toque de reflexo azul; seu vestido em tom pastel, unhas feitas e pintadas em tonalidade light, e o toque sutil da maquiagem no destaque das maçãs do rosto, com os lábios cobertos por batom vermelho claro.

Depois de um terno bom dia, abriu sua grande bolsa, virou o rosto para mim e perguntou: “O senhor gostaria de receber este papel, que eu mandei imprimir para distribuir?”. Em seguida completou: “São informações do bem, tiradas de um livro ensinando a boa alimentação e a vida.”

Recebi, agradecido, o folder e, ajudando a passar o tempo, comecei a ler os valores da alimentação saudável e de seus hábitos.

O texto ressaltava a preferência das pessoas em desejar muito mais um corpo bonito e sedutor do que uma vida saudável.

Nada de exagerar nas frituras, gorduras, enlatados, embutidos (mortadelas e presuntos), massas com molhos incrementados, dizia o texto.

Consuma muita água e sucos naturais; prefira comer legumes, frutas, verduras, hortaliças; pratique exercícios e caminhadas três vezes por semana. Se ingerir bebidas alcoólicas, faça-o com moderação.

No final da leitura, o iluminado texto dizia: “Com boa alimentação, exercícios, qualidade de vida, a mente sadia e o amor de Deus, viver é uma realização indescritível.”

Levantei a cabeça, ajustei os óculos e, olhando para os lados, não mais vi a senhora idosa, companheira de espera...

Fechei os olhos, balançando a cabeça, como a pretender abri-los recuperando a imagem da simpática dama do acaso. Surpreso, imaginei ter sido um sonho...

Mas como, se o papel continuava nas minhas mãos?

Lembrei-me, então, da minha querida mãe, Adélia!

 

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

O reinado vivia dias de muita desorganização e incertezas com um plebiscito idealizado pelos republicanos renitentes que era a grande ameaça do povo insatisfeito e sedento de liberdade e prosperidade.

George, o primeiro ministro, todas as manhãs ia ao café matinal da família real e lá debulhava as fofocas do dia, com resumo das manchetes dos jornais e noticiário da TV.

A sala de despachos reais se enchia de auxiliares e dos puxa-saco de plantão. Do lado de fora multidão de políticos aguardavam, em demorado chá de cadeira, o estalar dos dedos do imperador para abençoar os pedidos e reclamações.

Clima tenso se fazia sentir na ausência do Bobo da Corte, não nomeado por aparente economia dos cofres reais. O estresse era geral e contagioso no império.

Em um dia desses, a carruagem imperial puxada por belos cavalos quarto de milha, ao passar pela buraqueira infernal da rua principal do condado, atolou as duas rodas de ferro do lado direito, justamente onde o Rei assustado se aboletava no banco traseiro.

O condutor puxou os freios de mão e olhou o lamaçal em que se encontravam, coçou o queixo encoberto por uma barbicha fedorenta e mandou o chefe da guarda ir buscar vassalos para tirar a carruagem da lama.

O rei, com cara de abusado e gesticulando muito, mereceu o comentário do cocheiro com seu auxiliar: “Se a corte tivesse nomeado o Bobo, o atoleiro se transformaria numa risada.”

Primeiro ministro George apressou-se indagando de Sua Majestade se desejava tomar a tradicional caninha matinal, como de costume, mas logo o rei retrucou dizendo que havia trocado o café matinal por um conhaque com ovo a la coque.

A carruagem continuava atolada na lama da inércia e omissão, o povo passava ao lado com sorriso amarelo debochado. Alguns militares do reino desunido curtiam a situação com represália ao veto real da lei apelidada de Decreto Imperial 003.

O calor de sua majestade era demais o fazendo tirar o pesado paletó de veludo vermelho alaranjado abriu abusadamente os botões da camisa listrada e esbravejou: “isso deve ser negócio dos republicanos desvairados, mas comigo o trunfo é pau...”

O atoleiro real chegou ao conhecimento dos feirantes e camelôs que espalharam a notícia da desgraça real e, mesmo com a bravura da guarda pretoriana, não se intimidaram para gritarem euforicamente: reinado sem bobo... tem rei bobo!

Finalmente a carruagem sai do lamaçal, em pouco tempo, chegou ao Palácio da Consolação onde toda corte chorava aguardando, impacientemente, em clima de histeria e forçada comoção.

Estava prevista urgente reunião com os ministros mais importantes da corte sendo instalada, ao tempo em que George passava a mão nos ombros do monarca, para retirar alguns fios de cabelo e raspa de caspa à vontade.

Sentado à cabeceira e dando um murro na mesa real, o monarca gritou para justificar o trágico lamacento episódio que atrasou reunião triangular com o Conselho das Leis e dos Justos do reino desunido.

Invertendo a pauta da reunião real, George, em voz quase em surdina sugeriu proposta para escolha e nomeação do Bobo da Corte porque os bajuladores não conseguiam fazer sorrir, afinal, só queriam vantagens e benesses de gastos públicos.

O Rei da cara feia, e agora, mais feia ainda, abriu os trabalhos sentenciando: “Eu posso acumular o cargo de Bobo da Corte, e também até posso fazer um contrato temporário, sem vínculo se algum ministro se candidatar.”

Silêncio tumular tomou conta do salão nobre, onde o zumbido de uma mosca seria ouvido nitidamente! Na tradicional careta arremetendo o nariz e franzindo as pelancas da cara, o imperador deu outro murro na mesa e sentenciou: “Sou rei, exijo respeito, meu reinado não tem bobo da corte e aí de quem rir de mim e nada haverá acima de mim.”

A história não tem fim e nem poderia ter, porque muitos “reis da vida” continuam contratando o célebre alfaiate criado pelo escritor Hans Christian Anderson para confecção da fenomenal “roupa invisível” do ridículo monárquico.

Sinceramente, sem Bobo da Corte nomeado, não apenas o monarca ditador desse mundo de mentiras e corrupções, mas todos estamos nus e maus pagos!

 

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

O 11 de setembro de 2001 marcou para sempre a triste e revoltante tragédia internacional.

Estava em meu gabinete de trabalho no Tribunal de Justiça e, num momento para o tradicional cafezinho, liguei a televisão e assisti surpreso e chocado, a segunda intentada suicida do terrorismo internacional. As “torres gêmeas” do World Trade Center foram atingidas em cheio para tombarem totalmente destruídas.

Calado e estatelado na cadeira, me recusava aceitar aquelas cenas de terror em dia claro e de céu límpido.

Em baixa altura, dois aviões de passageiros rasgaram os céus nova-iorquinos mergulhando, com todos os ocupantes, para a viagem da morte. O alvo fora atingido em cheio, com as aeronaves abrindo espaço na velocidade de oitocentos quilômetros por hora, o suficiente para derrubar qualquer paredão, dizem os especialistas.

O aceno débil e desesperado de pessoas inocentes, nas janelas cheias de fogo e fumaça, em todos os 110 andares do WTC era luta desigual pela vida, sem nenhuma chance de sobrevivência.

Ao todo 64.750 metros quadrados foram reduzidos a pó e, cerca de 2.996 pessoas inocentes de mais de sessenta países, pagaram com suas vidas em nome do fanatismo religioso, da prepotência, do ufanismo criminoso e, da violência de matar, em nome de uma ideologia doentia e incurável.

Em 11 de setembro de 2001 o mundo, literalmente, parou...

A reação foi imediata e sem limites pelas forças norte-americanas e seus aliados, desencadeando caçada minuciosa em cada recanto desse mundo de Deus, do local onde se escondera o idealizador e principal financista da façanha sinistra e covarde: terrorista chefe Osama bin Ladin.

Sob os efeitos da “guerra ao terror” as forças americanas desencadearam incansável caça ao esperto e covarde Bin Ladin, espetacularmente concedendo seguidas entrevistas às redes internacionais de TV, num deboche provocante e intolerável.

Sob esse pretexto, os americanos invadiram o Afeganistão, na caça dos terroristas da al-Queda e outras ações militares deixando rastro de sangue e histeria.

Madrugada desta segunda-feira o Brasil acordava cedo com as notícias dos telejornais anunciando: o chefe da al-Queda fora morto com um tiro na cabeça, numa secreta e rápida manobra de reduzido comando especializado da marinha dos Estados Unidos.

Possível alívio da comunidade internacional das nações, no entanto não aconteceu, até porque o Diretor da CIA, Leon Paneta, o poderoso órgão de espionagem do mundo advertiu a todos: “Apesar de Bin Laden estar morto, a al-Queda não está...”

A comemoração do mundo livre durou muito pouco, em razão da tradição dessa infame organização terrorista mundial, tendo a vingança como palavra de ordem a ser desfraldada a qualquer custo.

Osama Bin Ladin foi morto, mas o mundo todo permanece estarrecido e receoso, pelo que vem pela frente, do ópio da vingança ignóbil de terroristas sedentos do sangue inocente de velhos e crianças.

Hoje não se tem guerra declarada, nem campos de concentração nazista, porém o horror do massacre de puros inocentes é tremenda injustiça que somente nosso bom Deus terá força para conter a violência terrorista.

Enfim, Osama Bin Ladin está morto... entretanto a luta continua!

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

O som do piano arpejando música da “bossa nova” me envolveu ao entrar no barzinho e me sentar num rústico tamborete de madeira sem pintura.

Nas mesas com toalhas simples de tecido estampado os braços e os dedos a tamborilar. Lugar rústico contrastando com a nobreza da música que lhe servia de moldura. “Um uísque com bastante gelo e copo baixo, por favor!” pedi.

O sax rouco entra sem pedir licença ao piano, que recuou para apenas acompanhar com acordes dolentes, e o ritmo do foxtrot entrou sereno na execução apaixonada da música Risque. A bateria foi se arrastando no resultado apurado do som das vassourinhas a se esparramar na pele da caixa da bateria.

A bebida chegou logo e o dedo indicador adentrou no copo rodando os cubos de gelo, mas tudo no mesmo compasso da música. Parece até que seria um novo instrumento musical a aparecer na noite chuvosa de um verão atípico.

O contrabaixo, que não é contra ninguém, marcava o compasso como querendo fugir da melodia.

O entra e sai raro e lento dos freqüentadores, revelava que o bom gosto musical, embora num bar pequenino, tinha presença fiel e participativa.

Não havia dancing. A dança de rostos colados e abraços fortes unindo corpos febris de amor não aconteciam. Porém, o balançar dos casais enamorados revelavam a mágica impossível de dançar em sonho...

Tão bom quanto dançar coladinho, as mãos entrelaçadas, os desajeitados abraços sentados, beijos furtivos sob olhos curiosos, tudo era festa do amor.

Sem pedir, o garçom trouxe outra dose de uísque, da mesma maneira: em copo baixo e muito gelo. Detalhe: colocando primeiro o gelo para depois derramar o precioso líquido...

O piano volta em dueto com o sax e, inesperadamente, surge o trompete marcando presença, em comedido toque, para aplauso de todos!

A fumaça do infeliz vício do cigarro me fez coçar os olhos e assuar o nariz. Pensei em pedir a conta... Olhei em volta e resolvi ficar, mesmo fumando sem ser fumador.

Já era madrugada, a música continuava no mesmo diapasão, o derradeiro gole já sem sabor do bom malte, avisava para não mais beber.

Os habitués continuavam ligados na música, os garçons satisfeitos com o bom movimento, afinal recebem minguados dez por cento, enquanto os bancos cobram o infinito. Quanta desigualdade!

“Marcos, vamos passar a última música para irmos embora, já são três da matina” advertiu o pianista Francisco Eduardo estralando os dedos.

Balancei a cabeça positivamente e continuei arrastando as vassourinhas na caixa da bateria e, sutil toque nos pratos...

Troco as vassourinhas pelas baquetas de madeira e em ligeiro solo, crio o momento musical para le grand finale. Palmas dos presentes em final de noite e começo de madrugada.

A música parou. Passei a desarmar os equipamentos da bateria, camisa colada no corpo suado e, o cansaço natural de quem trabalhou muito. O sol ensaiava seus primeiros raios e me parecia cumprimentar com bom dia.

Honrosamente, meu primeiro trabalho remunerado fora tocando bateria em conjunto musical, marcando ritmo aos acordes dos instrumentos musicais que fizeram uma noite alegre, divertida e em paz.

Por nada não, meu primeiro trabalho remunerado, literalmente, suei a camisa de ficar ensopada... Valeu!

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Enquanto criança, de estrutura raquítica que dava para minha querida mãe Adélia contar as costelas de magro, sempre tinha remédios para combater tosse, febre, dores e, os chamados “fortificantes” para engordar.

Quando das crises de amígdalas, que ainda hoje as tenho sem problemas, a febre alta sempre era debelada pelo antibiótico e antifebril Erythra que eu reagia com grandes caretas pelo gosto azedo-amargo. Aliás, diferente era o Biotônico Fontoura de gostinho bem agradável com um toque licoroso ingerido sempre antes das refeições.

Já o xarope Tussaveto, docinho e com gosto de menta era o santo remédio da época para alívio imediato da tosse da garotada dos anos sessenta.

Argueiro nos olhos: bota Lavolho. Nariz entupido passa Vick Vaporub. Bebeu demais e comeu picado ou buchada, toma logo Chophytol para proteger o fígado. Cárie nos dentes beba Calcigenol Irradiado. Para diarréia se tomava Elixir Paregórico hoje proibido no mercado, mas se tomou à bessa...

Agora, quando me lembro do Emulsão de Scott, ou do Leite de Magnésia de Philips, aí fico arrepiado, tanto pela consistência pastosa quanto ao cheiro forte e enjoativo. E a colher de sopa vinha cheinha... Campeão de gosto ruim e efeito imediato era a dosagem de óleo de rícino com poder laxante infalível!

Algumas vezes, só tomava todos os remédios, sob ameaça de levar uma boa chinelada ou palmada!

Cresci na vida, e feliz por não me esquecer do passado. Tanto que, nesses tempos chamados modernos houve diferenças substanciais no comportamento humano.

Remédios e fortificantes, hoje, não têm mais gosto e cheiro ruim, e as temíveis injeções de Eucaliptine anticatarral, a base de óleo de eucalipto, e Linfogex anti-infeccioso doem muito menos do que o sofrimento decorrente da exploração do homem pelo homem, e a violência criminosa contra inocentes.

Como se denominar de “mundo moderno” quando a violência incontida e selvagem mata covardemente, destruindo famílias em proveito de nada?

Antigamente o homem lutava pela prevalência de um ideal de vida daí a diversidade da burguesia, capitalismo e o marxismo. Hoje a violência não se escora em qualquer ideologia ou credo, nem justificativa para tal.

Mata-se a sangue frio, sem por motivo fútil, metralhando quem aparecer pela frente. Sejam pobres, ricos, de qualquer cor, religião ou ideologias, assassinados fria e premeditadamente na fome insaciável e encolerizada do prazer de matar por matar!

E por que essa hecatombe vem acontecendo nos dias atuais?

Pela facilidade na aquisição, por vias legais ou ilegais, de modernas armas letais, criminosamente omitidas pelos poderes públicos, tradicionais parceiros do poderio econômico-financeiro das indústrias bélicas mundiais. Qualquer pessoa compra, facilmente, o tipo de arma desejada ceifando vidas indefesas.

De nada adiantará restrições legais às pessoas, algumas se escudando passar por loucos, sem haver limites rígidos à fabricação acelerada e descontrolada de temíveis armas de fogo.

Este, o xarope amargo que todos nós temos que tomar goela à dentro, sem pestanejar ou fazer careta. Até porque, o vírus da doença, matar por matar, pode levar qualquer um ser a próxima vítima, sem xarope amargo que cure a criminosa falta de segurança dos dias atuais.

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 1 Comentários

(Recomendamos clicar no vídeo para iniciar a leitura)

 

 

Costumeiramente “tuitando” encontro o amigo Petrônio Souto dedicado à seleção de páginas musicais. Aí, o “galego” mandou, a quem interessar possa, sugestão da peça “Le passager de la pluies”, na bela voz de Nicole de Croissile.

Não me contive e “retuitei”- eita quantas palavras novas o Houassi não registrou - retrucando ao amigo: “galego, eu prefiro “La belle de jour”!

E recebi dele, pela internet, a bela música suave e enternecedora do tema do filme “La belle de jour”, aqui no Brasil traduzido em “a bela da tarde” na adaptação do texto de Joseph Kossel.

Ouvi, atentamente, e por diversas vezes, a música-tema do filme interpretado pela linda e sensual atriz Catherine Deneuve.

Enquanto a linda música rolava, eu me permitia navegar nas ondas da imaginação recordando o filme me transportando para o ano 1967.

Toques sensíveis, saídos do teclado do piano, começavam baixinho como a cochichar no ouvido e, aos poucos aumentando para impor à orquestra toda ir marcando presença. Delicadamente os acordes mostram força, com destaque para os violinos puxadores dos demais instrumentos de cordas na envolvente emoção sacudindo a saudade em meio aos metais.

Com mente envolvida pela música, me apareceu a bela, divina e maravilhosa mulher desejada por todos quantos viam. Brincando com o tempo no estragado e incontido prazer de expor seu lindo e marcante corpo nas tardes da vida...

A imponente e cativante presença de Catherine Deneuve inspirava a música com violinos dolentes evoluindo para subir a linha melódica, com o quase silêncio, de cantores em coro, cantarolar imitando vozes de anjos.

Mas afinal o quem vem a ser a “bela da tarde”?

Na linha melódica e cinematográfica, consigo rever a bela mulher de traços lindos conjugando delicadeza com sensualidade. Detalhes do corpo feminino bem perto da perfeição, até parecendo exagero em ser insculpida no capricho da natureza livre em tentar reproduzir o belo na sua expressão maior.

O conto, o filme e a música se completam com “La belle de jourpara envolver a rapaziada daqueles tempos em incontido amor platônico, impossível de acontecer, contudo, permanente no pensamento e nas intenções.

Na viagem cinematográfica, conflito entre o lamento desolado pela exposição imoral e o perdão à bela mulher insaciável, resumindo entre o encanto mágico da beleza e a desnuda exposta nas vitrines dos cabarés da vida.

O juízo de valor do comportamento dúbio oscilava entre a frieza do marido chifrado e a glória do gozo pleno da mulher cheia de fantasias eróticas não realizadas por seu homem, expondo seu indefeso corpo ao uso impuro de qualquer um...

Os acordes musicais sobem novamente em tonalidade de “grand finale” dividindo entre o aplauso à beleza e acomodação passional no desvio da conduta íntima da rainha de passos deslizantes, sorriso enigmático num corpo escultural.

Os violinos dolentes insistem em escrever, com sons de alto relevo, a bela imagem torneada da “belle de jour” independente de quem fosse o felizardo a lhe ter nos braços...

Na minha “laje”, companheira de todas as horas, viro o rosto para o oceano, como a indagar algo. Surpreendo-me com o mar parecendo imóvel recolhendo suas ondas onduladas e quebradiças, para outros momentos próprios.

Embarquei na dúvida dividindo o coração entre doce sonho juvenil e o ciúme irredutível. A música calou furtivamente, levo meus dedos sobre os olhos, como a tentar limpar a imagem. Afinal, a força da música e a bela imagem da “belle de jour” não me permitiram acordar, de todo, para a vida!

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Aviões, navios e submarinos não têm espelho retrovisor, entretanto, os automóveis, camionetes, ônibus, caminhões, tratores e até motos são equipados como acessório obrigatório e, se tiver quebrado, pega multa.

Sem o menor esforço mental, para tranqüilizar os leitores, nesse mundo moderno existem radares que mapeiam e guiam os monstros dos mares e dos céus... E, até automóveis sofisticados onde o espelho retrovisor foi substituído por painel eletrônico que fala orientando os motoristas do que fica para trás.

Olhar para trás vem dos primórdios da humanidade. Poder-se-ia até dizer que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso porque não olharam para trás...

Hoje em dia, o atribulado mundo político-administrativo usa e abusa do espelho retrovisor, instrumento obrigatório na pós-posse dos eleitos para cargos eletivos de poder: Presidente da República, Governadores e Prefeitos.

A ladainha é sempre a mesma, com poucas e honrosas exceções, quando regulam o espelho retrovisor estatal e dirigem velozmente para frente, porém, olhando sempre para o passado!

Já estou com várias décadas de vida e ainda não vi nenhum Presidente da República decretar a bancarrota do nosso país. E nenhum governador ou prefeito, também.

A realidade demonstra que tem sido mais fácil e cômodo fixar o futuro administrativo mirando estatelado o espelho retrovisor nos derrotados das eleições, desviando do foco popular na cobrança dos compromissos de campanha.

No apagar das luzes de sua gestão, o ex-presidente Lula alardeou que o “programa pré-sal” seria uma espécie de Eldorado para o país, anunciando divisão de recursos públicos que sequer existiam.

Aqui na Paraíba a receita seguiu a tradição paraibana de décadas se arrastando por meses o repetitivo e enfadonho discurso de políticos anunciando hipótese de “terra arrasada”.

Olhar para trás não é nada demais, desde que se torça o pescoço sem provocar doloroso torcicolo. Com pescoço troncho e doloroso, auxiliares de equipe administrativa seriam afastados do jogo e entreguem ao departamento médico, sendo substituídos.

A história ensina, gratuitamente, que à volta ao passado não é a melhor estratégia de novéis administrações pela simples razão da maturidade popular logo começar na cobrança de ações e menos falatório de resto de campanha.                                                    Engraçada e séria, ao mesmo tempo, a lição de autor desconhecido que disse: “Não se evita acidentes somente olhando pelo espelho retrovisor”.

O leitor pode avaliar e concluir se existe ou não grande risco dos gestores públicos administrarem olhando detidamente o espelho retrovisor todo tempo.

Até a Bíblia apresenta passagem acerca da incontinência em sempre olhar para trás: “... a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida em estátua de sal.” (Gênesis 19: 17-26)

Doutora Maria Cristina Ribas da UERJ/PUC-Rio em belo trabalho acadêmico ensina: “Neste olhar para trás, conforme apontado por Blanchot sem virar estátua de sal, como Ló, e sem perder dentro da perda como Orfeu, outro ponto de vista é proposto como desenho...” É só querer!

Sim, lembrei agora: muitas vezes o espelho retrovisor da vida sofre inclemente ação do sol e deixa pessoas cegas da razão, lógica e bom senso.

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

O mundo dá muitas voltas! Quem imaginaria um presidente do poderoso vizinho do norte, Estados Unidos das Américas, tomasse a iniciativa diplomática de visitar oficialmente nosso país, antes da nova presidenta ir até lá?

Pois foi, o presidente Barack Obama, acompanhado de sua simpática e elegante esposa Michelle e das duas filhas Sasha e Malia fizeram visita protocolar a presidenta Dilma Rousseff em dois dias de intensa agenda entre Brasília e Rio de Janeiro.

Mesmo com a imprensa internacional voltada as vistas para o grave problema da Líbia, para nós sul-americanos, a histórica visita do presidente dos EUA ao nosso país, pode ser considerada como proveitosa sob vários aspectos.

Merecido respeito e reconhecimento ao nosso país como potência mundial com equilíbrio financeiro, aumento da produção e das exportações pesando na balança econômica. Finalmente alijando à velha e temível inflação.

Conclusivamente, a vinda dos Obama para o Brasil foi estratégica diplomática inteligente e oportuna, até porque no início da gestão da nossa primeira presidenta.

Chamou-me atenção, na minha modéstia avaliação de cidadão brasileiro, a postura da presidenta Dilma Rousseff inaugurando nova fase do padrão diplomático brasileiro.

O rigor excessivo das visitas oficiais se enquadra na exata responsabilidade de quem recebe ilustre chefe de nação amiga, onde o verbo improvisar nunca deve ser conjugado.

Dilma surpreendeu a este modesto cronista, quando convidou os ex-presidentes para também participarem do restrito almoço oferecido ao presidente Obama e sua grande comitiva e convidados especiais.

Dos ex-presidentes convidados, compareceram ao concorrido almoço: Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Fernando Collor, José Sarney e Itamar Franco, saboreando cardápio tipicamente verde-amarelo.

Destoante, foi a atitude do ex-presidente Luis Inácio da Silva simplesmente recusando o convite sem apresentar publicamente as razões da ausência.

Claro que Lula não tinha obrigação em sentar à mesa de refeições do Palácio do Ytamarati sem ser a estrela maior da festa. Entretanto a boa educação doméstica ensina prudência e humildade, principalmente, aos que deixam o poder.

Pegou mal para todos os brasileiros, já que Barack Obama talvez nem se lembre mais daquele presidente irrequieto e metido a engraçado que conhecera.

Há quem diga que Lula teria uma pontinha de ciúmes da sua sucessora, além de ser coerente com os polêmicos apoios públicos dados aos famosos ditadores: o líbio Muamar Kadafi, o iraniano Mahamous Ahamadinejad, sem falar nos sul-americanos, Hugo Chaves da Venezuela e Evo Morales da Bolívia.

Acabou-se o “estilo caipira” de tapinhas nas costas, paletó aberto, gafes protocolares e familiares atrapalhando a diplomacia brasileira.

Presidenta Dilma portou-se, rigorosamente, dentro do figurino diplomático não deixando que suas origens ideológicas virassem gafes anedotárias.

É assim que os brasileiros exigem e gostam, já que compete ao nosso Chefe representar seu povo, nunca seu partido ou família.

Presidente Barack Obama me encheu de orgulho quando fez referência ao saudoso presidente Juscelino Kubitschek: “O que é Brasília se não o nascimento de um novo dia para o Brasil!”. E todos brindaram a felicidade do magno encontro Brasil – Estados Unidos.

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Ela andava lentamente com ares de desânimo e tristeza vestida com surrado tubinho curto, com desenhos desbotados e cintura, tão apertada que mais se parecia um saco amarrado pelo meio.

A estreita calçada esburacada da cidade, mais se parecendo com um corte num queijo de coalho, fazia Joana com ares de equilibrista de circo mambembe na sua caminhada pela vida.

Seus olhos pretinhos, que nem duas jabuticabas maduras, procurando por todos os lados o que era difícil encontrar!

Parou à distância ao ver-me caminhar pela mesma calçada esburacada da vida em sua direção e, com voz rouca e triste perguntou: “Ei, seu Zé, me dá uma moeda pra eu comprar comida... ainda não comi nada hoje...

Na pressa do dia a dia poderia ter seguido em frente. Mas desta vez diminui os passos até parar de frente para Joana e, paternalmente baixando a vista até a altura de seus olhos, terminei perguntando o óbvio: “ei menina, e você não tem família?

Ela baixou a cabeça com cabelos multicolores e ares de pura melancolia e desengano, disse que o pai era doente sem trabalhar e a mãe tinha ido embora para São Paulo. Finalizou me olhando profundamente dizendo: “tenho que sair pelas ruas prá ganhar alguma coisa para comer e ainda levar um pouquinho prá meu pai e meu irmãozinho pequeno.”

Passei a mão no bolso e lhe dei dinheiro, ela agradeceu e dando as costas seguiu na mesma passada mansa e sem rumo certo, mas, sempre desviando da buraqueira da calçada pública, únicos empecilhos da sua vida.

Conclui minha breve caminhada para meu escritório e o sentimento não me permitiu trabalhar enquanto não fizesse juízo de valor.

Joana é exemplo de uma “infância e juventude abandonada”, bem diferente da alegre “juventude transviada” dos anos sessenta e setenta.

É um universo de jovens que seguem sem rumo para serem os adultos d futuro incerto e não sabido.

Sei não, porém penso que não apenas o alimento básico é o suficiente para satisfazer os jovens de hoje. Existe, sim, um tipo de alimento invisível aos olhos e que não chega ao estômago vazio, por ser direcionado a outro importante órgão humano: o coração!

O dinheirinho que dei a Joana talvez tenha dado para silenciar o ronco da barriga faminta da menina forrando, superficialmente, as paredes enrijecidas do vazio da barriga faminta. Alimentar o coração não custa dinheiro e só depende da gente

E me pergunto o que é dar amor aqueles que nos rodeiam?

Parece até fácil responder, ao imaginarmos que a simples e fria presença física, complementada por bens materiais seria o remédio para minorar o desprezo dos carentes. Verdade cruel até porque se assim fosse, um boneco inflável ou uma estátua resolveria todas as ausências e omissões em nome do amor.

Na dificuldade de me expressar, ouso dizer que, além da presença física amar é, sobretudo, saber ouvir e compreender quem dizemos gostar partilhando das incertezas da vida com apoio, conforto, carinho, dedicação e bem querer.

Para amar precisamos tirar um pouco do que temos no coração e transplantar a quem necessita, na velocidade sem freios da vida temporária, que embarcamos ao nascer.

Assim como o palhaço do circo, que chora para fazer a meninada sorrir, a vida tem dessas coisas e, muitas vezes não enxergamos o que vemos.

 

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Sem dinheiro para comprar instrumentos musicais, a meninada fantasiada e batendo forte nas latas vazias, percorria avenidas anunciando o período carnavalesco.

As máscaras eram feitas manualmente por eles mesmos, utilizando papeis de jornais velhos juntados com uma cola chamada “grude”, composta de goma de mandioca diluída na água fervida numa lata. Na medida em que o “grude” era mexido no fogo, mais peguento ficava...

Era o bloco de sujos, batizado pelos meninos de “PAPANGU”, sob o ritmo animado, desajeitado com passos cambaleantes dos participantes.

O cortejo era aberto pelo Papangu mais feio e colorido com sua assombrosa máscara de dois buraquinhos para os olhos e outro para o nariz e boca poder respirar e falar. Abaixo do pescoço descia, até o chão, um folgado camisolão de chita (tecido barato), pintado com cores berrantes que formava um estampado espalhafatoso com tiras de panos cerzidos por todos os lados, que chegavam até arrastar no chão poeirento das ruas.

Logo atrás do líder dos Papangus vinham os demais integrantes, também fantasiados, com latas secas dos diversos tamanhos nas mãos batendo com força pelos seus franzinos braços. O ritmo cadenciado da marcha dava unidade musical à gritaria da garotada, numa algazarra feliz e incontrolável.

Bora Zezim, levanta e vamo que os povo tão em casa e a gente dança e pede um dinheirinho... e a máscara e esses panos dão calor danado”, comandava o chefe do bloco

Era o aviso para começar o animado barulho no compasso musical da sonolenta marcha carnavalesca invadindo as casas de conhecidos.

O bloco foi se arrastando pelas ruas e avenidas, como cobra em terreno quente, e o povo achando muita graça na presença de um pinico de plástico novo cheio de gasosa (hoje chamado guaraná) e uma lingüiça de porco frita.

Nessa brincadeira, poucas moedas e notas de pequeno valor eram timidamente colocadas na caixinha do bloco do Papangu.

O sol quente de verão fazia das fantasias um autêntico forno de padaria, obrigando vez por outra, ter que parar um pouquinho para beber no pinico e enxugar o suor escorrendo pescoço a baixo.

 

A velha e surrada toalha branca, que enxugava os papangus, também servia de estandarte do bloco, garbosamente tremulando no mastro de cabo de vassoura com o título “Papangu 1951”.

E a brincadeira ia até o sol começar a se por no horizonte, quando todos voltavam cansados para a esquina da rua onde moravam. Ansiosos, somavam as moedas e notas de pequeno valor da caixinha e a divisão era em partes iguais para todos dispersando o bloco com cada qual indo para sua casa.

Era apenas três dias seguidos de farra carnavalesca, com brincadeira sadia, sem violência, competição, imoralidade, tóxico e outras desgraças.

A felicidade dos guris, dos anos cinqüenta, continua pelo estado de espírito de cada um, permitindo reviverem a saudade imorredoura daqueles bons tempos que não voltam mais...

Reviver os Papangus dos anos cinqüenta lava a alma, massageia o ego e, ameniza o esforço frustrante e inútil de voltar ao passado!

Hoje, os Papangus, infelizmente com a cara mais lisa e ridícula do mundo, circulam todo dia entre nós, imaginando que ninguém vê e dá boas risadas da palhaçada deles, pós-carnaval.

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Nos idos de 2006, a Assembléia Legislativa da Paraíba aprovou emenda constitucional criando subsídio mensal vitalício, a título de pensão especial, para os ex-governadores, após concluírem seus respectivos mandatos eletivos.

Passados todos esses anos, setores políticos se apressaram na mobilização popular de combate às pensões vitalícia dos ex-governadores do país.

O Conselho Federal da OAB logo adotou às providências legais perante o Supremo Tribunal Federal pedindo declaração da inconstitucionalidade das leis estaduais que instituíram mencionado benefício, em torno de dezoito estados.

Nunca demais esclarecer que, para tal providência de edição de norma constitucional, o Poder Legislativo paraibano tivera amparo no art. 25, § 1º da Constituição Federal onde assegura: “são reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedada por esta Constituição”.

Pelo sim pelo não, a ADIN n.º 4562, de iniciativa do Conselho Federal da OAB, por distribuição, fora encaminhada para o eminente ministro Celso de Mello a quem competirá dar segmento ao questionamento e julgar.

Não muito distante no tempo, importante lembrar que existem no âmbito do governo federal, outras polêmicas despesas públicas como a famosa “bolsa mordomia” dos ex-presidentes da República e o “auxílio reclusão” para os criminosos que pagam pena em regime fechado.

São exemplos vivos que o povo não consegue entender bem, quando pensões vitalícias dos ex-governadores estaduais estão ameaçadas perante o Supremo Tribunal Federal, ao tempo em que ex-presidentes da república e os apenados reclusos desfrutam das benesses públicas de privilégios.

Reavivando a memória, me permito transcrever crônica de Marcos Souto Maior Filho, intitulada “Bolsa Mordomia”, quando adverte: “Embora muito pouco conhecido da população em geral, já que não foi divulgado nos meios de comunicação, o Decreto institucionaliza exageradas mordomias, pelo próprio ex-presidente da República.” (Dec. n.º 6.381/2008).

Afora a gorda pensão vitalícia paga mensalmente, os ex-mandatários deste país do carnaval e do futebol, custam aos cofres públicos federais, por mês, mais de cinqüenta mil reais só com os funcionários à disposição de cada um.

De passagem, o questionável “auxílio reclusão” é pago pela falida Previdência Social, exatos R$ 588,43 acima até do salário mínimo nacional unificado, este, para quem trabalha.

Hoje em dia, o presidiário é mais bem pago do que o trabalhador, que sai cedinho de casa, a pé, de bicicleta ou, nos lotados ônibus, trens e metrô,  prestando serviço por oito horas por dia ou, quarenta e oito por semana.

Apenas, causa surpresa e censura os exageros da mordomia presidencial, principalmente quando comparável com a pensão vitalícia dos ex-governadores estaduais.

O sentido é o mesmo para as duas hipóteses comentadas, mas a política regional, nada tendo a fazer de útil, envereda por uma caça às bruxas escolhida a dedo, deixando outras em escancarada vigência.

A se manter os questionamentos das pensões dos ex-governadores deixando à margem a prepotência de qualquer Presidente da República, poder majorar valores e quantitativos da mordomia, por mero Decreto, é gritante injustiça.

Nunca esteve tão atual o brocardo grego de um dos maiores filósofos da antiguidade, Sócrates: “dois pesos e duas medidas”.

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Foi em 18 ou 31 de julho do ano de 46 DC, quando o sol desapareceu cedendo lugar para a lua, clareando sob sombras a parte comercial de Roma. Houve um grande incêndio que se alastrou pelas áreas residenciais romanas.

As chamas logo consumiram tudo que vinha pela frente durante cerca de cinco dias. Foram atingidos e destruídos plenamente, prédios importantes como o Templo de Júpiter e o Lar das Virgens Vestais.

E o porquê desse incêndio monstruoso que queimou dois terços da área residencial romana?

Dentre as versões registradas na História, temos a ascensão de Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus, como sucessor do imperador Cláudio, após este, ter sido envenenado por Agripina, simplesmente a mãe de Nero. Fato não comprovado documentalmente.

Polêmicas sobre Nero passam pela sua extravagante decisão                         em determinar o incêndio de Roma sob o pretexto de reconstruir, a seu gosto pessoal, uma cidade com moderno projeto arquitetônico, tornando-a mais bonita!

Relatos e comentários históricos ligam o imperador Nero à ligação direta com extravagâncias e tiranias daquela época.

Os historiadores também escreveram outra famosa versão, do grande e devastador “incêndio de Roma”, sob o argumento de Nero ser “demente” e era ansioso por inspiração poética a fim de dar vazão a sua veia literária. Mesmo sob o inaceitável preço de gozar com a miséria alheia...

Daí surgiu o emblemático poema de Homero que descreveu o incêndio de Tróia e, no romance “Quo Vadis” retratou Nero em tom debochado tocar sua lira enquanto ardia o fogo sobre Roma, impiedosamente consumida pelo fogo.

A destruição de Roma implicava para o Império, uma investigação e punição dos culpados, com a versão de Suetônio e Dião Cássio  asseguravam ter sido o imperador demente quem autorizara o incêndio criminoso.

Já Tácito, escreve que tudo decorrera de atos violentos praticados pelos cristãos, estes, após confissões feitas sob torturas sucumbiram à desejada confissão do incêndio de Roma.

Enfim, alguém tinha que pagar o pato! E foram os romanos os mais fracos e vulneráveis para a sentença de culpa. Os pequenos sempre são punidos.

Engraçado, para não dizer trágico, que a história sempre se repete, em algum lugar do mundo, a exemplo violento e desumano das Torres Gêmeas. Ou, ainda, fatos menores acontecidos alhures e sob o pretexto da construção de Quinquenales Neronia, local público imperial onde se praticavam jogos, interpretação de textos, recitais de poesias e teatro.

Naqueles tempos, não havia transparência e fundamentação legal dos atos públicos, até por que, o regime imperial não tem limites a não ser a vontade do Rei.

Ontem como hoje, tem pessoas que não usam coroas, mas se consideram REIS DO PEDAÇO!

 

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

Contatos: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

O homem sempre foi dependente de companhia para sua própria sobrevivência. Daí a formação de famílias para sustentar a estrutura gregária e a descendência desde os primórdios da humanidade.

A célula máter da sociedade muito embora sofrendo tremendas ameaças diante dos hábitos e costumes foram solidificados bravamente.

Dizem que a origem da nossa família veio com dois portugueses de sobrenome SOTTO MAYOR ainda no tempo de Brasil colônia.

Neste sábado passado, os SOUTO MAIOR descendentes de Ivo e Yaiá Souto Maior, em grande número, se reuniu numa manhã de sol para reencontro de várias décadas de dispersão.

Ao lado de minha irmã Cyâne, meus filhos Hiltinho e Raquel e, a prima Rossana vimos o novo projeto familiar para se repetir a cada ano.

Aos poucos, os Souto Maior foram chegando e tomando assento às mesas. Inicialmente com natural inibição em torno dos personagens e seus respectivos nomes, para logo em seguida predominar a alegria e o bom humor.

Um conjunto musical deu o ritmo, lauto churrasco começou a ser servido e a festa começou.

A surpresa ficou por conta da esquete teatral retratando passagens da vovó Yaiá com ciúme doentio de vovô Ivo.

Para o leitor entender, o casal Ivo e Yaiá teve dezesseis filhos, dos quais onze se criaram: Paulino, Orlando, Hilton, Inês, Osmar, Nautília, Ivo Filho, Myrta, Romildo e Osmarina. Também, né? Naquela época não tinha nem televisão nem internet...

Vovô Ivo nasceu na cidade de Sousa, alto sertão paraibano enquanto vovó Yaiá, com nome próprio de Antônia Fragoso Souto Maior era natural da cidade de Bom Jardim, estado de Pernambuco.

Ele moreno, esbelto, alto, simpático e ria sempre dos ciúmes da mulher... Yaiá era uma mulher muito bonita, vaidosa, embora baixinha e cuidava dos onze rebentos.

Certo dia de verão, na “Praia Formosa”, na cidade de Cabelo, a família foi toda para a beira mar.

Por volta das onze e meia da manhã, como sol já alto e quente, vovô Ivo gritou: “Ô Yaiá chame os meninos prá ir prá casa almoçar...”

Imediatamente vovó foi até a beira do mar e mandou todos saírem para o almoço.

Precavido, antes de voltarem para a casa de veraneio, vovô Ivo deu nova ordem: “Yaiá, avia com esse enxuga enxuga dos meninos e vê se todos estão aqui...!”

Vovó contou e faltava um. Recontou os filhos e dos onze só contara dez.

Impacientou-se e com as bochechas avermelhadas do sol e suor, juntou os filhos enfileirados e saiu com a mão contando. Novamente só tinha dez dos onze.

O velho Ivo perdeu a paciência e disse: “Peraí Yaiá, me deixaeu contar os meninos. Não é possível que algum tenha se afogado porque a maré ta seca...”

Com a tranqüilidade de sempre, vovô Ivo começou a contar “um, dois, três, quatro... dez.” E, fixando bem os olhos de Yaiá completou: “e onze, esse que ta aí no teu braço também é filho, Yaiá...!”

  • 4 Comentários

A invenção da Internet, sem dúvida alguma, foi acontecimento a interferir na vida humana em todo planeta, porque constituiu avanço tecnológico que permite, em tempo real, a comunicação dos povos em processo fabuloso de aculturação.

Ouvia muito se falar no novo fenômeno da comunicação online e em tempo real que é o Twitter, criado em março de 2006 pelos norte-americanos Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone.

Um ano após a criação, o micro blog Twitter tornou-se companhia autônoma denominada Obvious Corporation que logo aproveitaram o festival South by Southwest. Em meio à festival de música e filmes, o novo produto foi apresentado, logo passando para sessenta mil mensagens diárias durante o evento cultural.

Até hoje, o Twitter não abriu seus espaços para propaganda, o que valoriza seu perfil comunicador e integrador.

Tinha dificuldade em entender o que seria portal, site, blog, face book, orkut, newface, e tantas criações do mundo mágico da internet. No entanto, meus filhos Markito e Hiltinho, depois que recusei fazer parte dessas comunidades me pressionaram para aderir ao Twitter.

De início não me interessei tanto, entretanto, a insistência dos filhos foram alicerçada no limite de 140 caracteres para cada mensagem e não ter propaganda, o que significa comunicação limpa, divulgação ampla e, comentários ou protestos rápidos. Aí me rendi à proposta.

Formalizaram meu endereço eletrônico @MarcosSM, na comunidade do Twitter, timidamente comecei a fazer minhas primeiras incursões.

De retraído, tímido e cauteloso, passei a “cutucar” meu laptop nas horas vagas do dia-a-dia, sobrando para minha mulher Fabíola que se assustou com minha constante presença no Twitter. E aí fui em frente!

Nas conversas familiares, notei também que minhas filhas Raquel e Adélia, além de minhas enteadas e filhas adotadas, Ana Beatriz e Bruna, passaram a comentar fatos relatados no Twitter. Logo descobrindo que elas também entraram na dança e são minhas fieis “seguidoras”.

Com homenagem pela minha modernidade, recebi de Bruna uma camisa azul com o símbolo do Twitter e a mensagem: “tuito, logo existo” fazendo sucesso por onde andei.

Analisando o fenômeno da comunicação de apenas 140 caracteres, penso que o Twitter veio suprir locais populares de grande movimentação de pessoas, como os tradicionais “Ponto de Cem Reis” em João Pessoa, e o “Calçadão” em Campina Grande que perderam a força da comunicação atualizada.

As principais novidades do momento em todo o mundo são apresentadas em tempo real pelos tuiteiros que, tanto são pessoas físicas como também as tradicionais empresas do jornalismo impresso, televisado ou radiofônico.

Até mesmo no período da campanha eleitoral, o Twitter se preservou dentro da comunicação respeitosa, alegre e descontraída. Raras foram as veiculações apimentadas...

Há quem diga que é uma verdadeira mania ou cachaça de quem tem tempo sobrando. Ledo engano, porque as maiores autoridades do planeta, a começar pelo Papa Bento XVI @benedictoxvi e presidente dos EUA Barack Obama @BarackObama são colegas tuiteiros bem seguidos pela comunidade.

Finalmente, trair, coçar e tuitar... é só começar!

 

Esta crônica, também é publicada às terças feiras,
no JORNAL DA PARAIBA]
Marcos Souto Maior
é Desembargador aposentado,
Advogado, Professor, Escritor e Articulista.

Contato: masoutomaior@hotmail.com

  • 0 Comentários

Soluções em Informática!