Com a evolução dos tempos, os grandes anfiteatros cederam lugar a outros tipos de locais e equipamentos para desenvolvimento da comunicação com o povo.

Hoje em dia, a idéia é sempre simplificar e generalizar as coisas, até os remédios são genéricos, e os locais apropriados para manifestações públicas se adaptam às exigências tecnológicas e ao custo possível para promotores.

Sempre admirei as igrejas antigas, todas elas equipadas com púlpito, local especial e destacado para proclamação e interpretação da Palavra de Deus nos emblemáticos mistérios da fé.

Tradicionalmente, os púlpitos são verdadeiras obras de arte esculpidas em madeira de lei e outras de metal dotadas de escadaria para acesso. Ainda me lembro dos sermões do monsenhor Pedro Anísio e do padre João de Deus.

Já o palco sempre foi modalidade com especificações estabelecidas de forma a garantir espaço confortável para encenação de peças teatrais, danças, recitais e apresentações de orquestras e cantores. O Espaço Cultural José Lins do Rego é exemplo de ambiente diversificado para lazer, cultura e arte.

A política não permitiu maiores formalidades para os palanques políticos, indo desde suntuosos e sofisticados, até um simples tamborete servindo de base para a oratória em qualquer praça ou esquina.

O prédio onde funcionou o Cassino da Lagoa, por exemplo, abrigou grandes oradores como Argemiro de Figueiredo, Samuel Duarte, Ernani Sátiro, Pedro Gondim, João Agripino e o maior de todos, para mim, que foi Alcides Carneiro

Na evolução das campanhas políticas os palanques se tornaram móveis, desde grandes e possantes caminhões datados de equipamentos de som e com famosas bandas musicais. Mas o showmício o TSE acabou faz tempo.

Agora o local mais animado, puro, eterno e mágico sempre foi picadeiro, principalmente, pela figura dos palhaços, motivo de incontida alegria para toda criançada e os coroas também. Claro que o picadeiro não é reserva exclusiva dos palhaços, já que equilibristas, malabaristas, trapezistas e animais se revezam nos espetáculos circenses. E os palhaços existem em todo lugar!

Nos dias atuais, logradouros e ruas são bloqueadas para realizações de eventos de curta duração, em nome do lazer popular.

Como tudo no mundo se torna meio de vida, aqui em João Pessoa o popularíssimo e histórico Ponto de Cem Reis, depois de mais uma polêmica reforma realizada Prefeitura da capital paraibana armou enorme palco e barracas para apresentação de bandas e artistas.

Até aí, nada demais e até elogiável. O grave problema é que já se passou mais de ano da instalação do monstrengo enfeando um espaço público nobre e histórico com funcionamento quinzenal.

Como contribuinte de receita municipal, todos temos o direito de saber quanto custa à instalação, com ares definitivos, do enorme tablado armado no coração da cidade invadindo calçada e parte da rua.

O lazer, diversão e cultura do nosso povo bem merecem investimento público, nunca bloqueando, injustificadamente e por longo tempo, descaracterizando logradouro público transformado numa arena improvisada e feiosa.

Sou pessoense nato e de coração também, amando a minha querida cidade, não menos de quem poderia pensar gostar mais...

A ocupação demorada de área pública histórica do Ponto de Cem Reis não é, nem poderá ser a melhor política cultural para entreter o povo.

O pessoense é alegre, espontâneo, respeitador e com muita disposição para questionamentos do interesse da sua própria História.

 

Esta crônica, também é publicada às terças feiras,
no JORNAL DA PARAIBA]

Marcos Souto Maior
é Desembargador aposentado,
Advogado, Professor, Escritor e Articulista.

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