O calendário cristão reserva ao mês de maio justas e merecidas homenagens a Nossa Senhora, mãe símbolo de todos os homens. Daí, a denominação de “mês mariano”.

Maria foi escolhida para desempenhar papel fundamental na história sagrada ao gerar seu único filho, Jesus!

A mãe de Jesus marcou a civilização levando aos dias de hoje o exemplo da dedicação, ensinamento e muito amor aos filhos queridos.

No seio familiar a importância de ser mãe é inquestionável, mormente quando esta fora predestinada em acompanhar aquele que viera para salvar o homem do pecado.

Explica-se: viver no pecado nada mais é senão fazer tudo o que for errado, divergente dos padrões de civilidade e respeito ao próximo.

Toda família tem a sua Maria para defender com impulsividade seus rebentos. E nem o passar do tempo, os filhos, deixam de ser, carinhosamente chamados, “meninos e meninas”.

A consagrada imagem, esculpida em mármore, da Pietá de Michelangelo revela, com profunda sensibilidade, a mensagem da Mãe Dolorosa acolhendo em seus braços o corpo desfalecido, ensangüentado e seminu do filho injustamente crucifixado.

A fabulosa obra de arte descortina a força inexorável da mãe, impotente, porém, decidida pela fé, na reconquista do sopro da vida para seu querido filho numa esfera superior.

O corpo desvalido repousa sereno no colo de Maria. Seu semblante é desvalido e doloroso tentando acalentá-lo para o sono eterno e aguardando o inesperado milagre do sentimento próprio de mãe em desejar mantê-lo vivo!

A separação definitiva de uma mãe com o filho é dor eterna, insuportável, de difícil assimilação e sem descrição que coincida com a triste realidade.

Mães são dotadas de poderes exclusivos para saberem os erros, omissões e falhas de seus rebentos, sem lhes faltar paciência e o dom do perdão, principalmente, o ensinamento pelo acerto.

Maio é dedicado ao culto a Maria nossa Mãe Imaculada e, por extensão, também estendidas a todas as mães que, de uma forma ou de outra, sempre procuram se espelhar no conceito puro de Nossa Senhora.

O calvário de Maria é bem parecido com o das mães de hoje, em razão do sentimento único do amor aos filhos e do sofrimento por estes.

A cruz pesada da vida se arrasta nos ombros de cada mãe nesse mundo de violência, desamor, vaidade, mentira, ambição, drogas e guerras fratricidas.

A volta noturna de cada filho é  espera angustiante da mãe que aguarda a incerteza do retorno com vida.

Os braços da Pietá nas mães do cotidiano vivem, eternamente, abertos para receber os rebentos nas madrugadas intermináveis...

Convivem com o flagelo da humilhação, a coroa de espinhos da incompreensão, o açoite das drogas, o peso da insegurança, a crucificação pelas penas decretadas, e a absoluta falta de amor e perdão.

Apesar de tudo, as mães sob a sombra de Maria Santíssima não esmorecem e mantêm os braços sempre escancarados, aguardando o filho resgatado dos escombros da vida cotidiana.

Em maio, se comemora Maria e as mães na conjugação de renúncia, abnegação e profundo amor aos filhos da vida.

 

 

Marcos Souto Maior

Advogado e Desembargador aposentado

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