A cidade de Campina Grande, Paraíba, é encravada no planalto da Borborema, região montanhosa em pleno interior da região Nordeste do Brasil, aproximadamente medindo em linha reta, cerco de 400 km, altitude máxima de 1.260 metros abrangendo outras cidades em Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte. Desde a sua origem seria creditada à ocupação pelos índios Arirús, que eram comandados por Teodósio de Oliveira Lêdo que, capitão-mor do sertão em 1° de dezembro de 1697. Foram os campinenses os primeiros a demonstrar vínculos em atividades comerciais, mantendo desde os primórdios até os tempos atuais, abrindo os olhos para o repouso dos tropeiros, os quais aumentava a feira de gado e, uma monumental feira geral a ponto de ser a segunda maior produtora de algodão do mundo!

                Os tempos foram passando e as comemorações cristãs e do povo, mantiveram os santos Antônio, João e Pedro sendo comemorados com muito fervor e animação familiar, ao redor de imensas fogueiras puxadas a lenhas, onde os milhos eram queimados na brasa, e outros alimentos nordestinos, como pamonha, canjica, queijo de coalho e bolos diversos. Todavia, eis que, de repente, um sanfoneiro por perto, pegou logo e arrumou uma carroça de levar ração para o gado e água, para acolher a bandinha de foles e o zabumba, o triângulo, depois de duas horas de andanças, todos cantavam estridentemente, entrando na festinha, até o sol raiar.           Os lanches são distribuídos para todos os matutos que também riscam fósforos para jogar os fogos de artifícios e bombas inocentes que espocam nos céus. Pois bem, desde menino que entrava no chamego das festas matutas, assim dito pelo povo, embora seja uma quadrilha junina, onde a boa música é brasileiríssima, sob o comando do manejo de quem comanda a folia junina, diz forte e aberto em francês: “alavantu” indo para frente e,“anarrie” dando volta ficando fixo, mesmo dançando arrastando os pés de todos os pares, homens e mulheres. Sim, ia esquecendo, tendo também o padre e o delegado, respectivamente, a fim de praticarem os ditames do casamento indeciso...

                Todavia, existem muitas relíquias populares, dentre os quais o chapéu e o cachimbo, ambos feitos por palhas distintas. A bebida alcoólica é sempre a cachaça de cabeça, do nordeste, com respeitada potência para poucos, melhor dizendo, é somente pra macho que ousa beber, fica falando demais e, termina buscando o caminho para casa. Tempos atrás, um amigo entrou no forró e, pediu uma caninha de primeira para beber rápido. Logo, tomou duas na casa, saiu para dançar e, a esposa muito brava para a bebedeira, ele teve resposta para enfrentar a mulher, disse: querida, o que é melhor: brincar na festa de São João ou, marcar o passo no carnaval? Em revelia, ela ficou muda e, imediatamente convocou todos familiares e os amigos da onça para entrar no bloco e, ainda mandou garrafas de uísque, cerveja, cana, e o famoso sanduíche de queijo e salame com direito a uma azeitona, e nada de irem para casa.

                De repente, a madame mandou fechar a rua com os veículos dos vizinhos, onde iria desfilar e, o resultado terminando à noitinha, todos não apoiarem mais azucrinar o carnavalesco, pois as forças poderiam chegar em cima dos familiares. O maestro da bandinha afiada, olhou para a lua, respirou fundo, olhou para seu trombone e seus músicos, mesmo sendo festa junina, formou todos os músicos para tocarem. Os veículos buzinando e, no meio da rua barulhenta, onde o amigo e companheiro, entrou num cordão dos passistas que a esposa tinha visto, fazendo com que todos entrassem na casa, num barulho ensurdecedor, entrando todos na casa familiar. O final da crônica e brincadeira, é que todos chegamos ao mesmo tempo, a casa cheia, e o quarto do amigo poucos viram, quando ele fechou os olhos e começou a roncar...                                         

(*) Advogado e Desembargador aposentado