O cheiro gostoso do feijão, era logo tomado por todos os espaços da casa simples, a começar pela única cozinha, seguido pela sala da frente e os três quartos: o dos pais, outro para as duas meninas e finalmente,a derradeira deste escritor,todos servidos por dois banheiros. Pois bem, por quase três horas de fogo o caldeirão do feijão, com algumas verduras, legumes e carnes salgadas, eram tocados para o fogão a lenha com única boca de ferro, de longe escutava-se o carvão chiando no compasso até chegar no ponto do prato principal. Assim, eram aos domingos de feijoada, quando os familiares sempre animados para conversar e colocar o papo em dia. Historicamente, a preciosidade do caldo uniu-se, desde os primórdios da vida indígena brasileira, que usava pelo nome genérico de canundá,que simplesmente vem a ser nosso feijão e as feijoadas deslumbrantes, principalmente com o acompanhamento de uma caninha nordestina, da mesma raiz e nada mais.Os estudioso dizem existir, pelo menos, 40 tipos de feijão encontrados no Brasil, sendo o mais aceito o carioca ou carioquinha e, os outros tipos: caupi ou de corda nas regiões Norte e Nordeste, quase sempre exportados.

Nesta semana, quase não aguento olhar, as manchetes de jornais, revistas, televisões e rádios, quando bradam o aumento desnudo, do aumento de preço de uma alimentação importante, saudável, histórica, quando a cada dez brasileiros, sete consomem feijão nosso diariamente. O aumento absurdo suportado pelo povo brasileiro gira em torno de 98,23% em apenas seis meses, de pressão na Paraíba e outros Estados, conforme registra desde esta semana, o IDEME – Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual. O desgoverno deixado por Dilma no Brasil, nada fez para enfrentar produtos essenciais e mais caros, até porque, o feijão também subiu em 26 cidades, forçando o aumento do custo de cesta básica, em R$ 444,74 em Brasília e, seguido em São Paulo com R$ 444,11, quiçá um sinal de aumento da inflação brasileira.

O presidente Michel Temer, subiu no palco para tentar baixar o preço do precioso feijão, para tanto, aumentando a importação do Mercosul, prometeu aumentar compra de feijão da Argentina, Paraguai e Bolívia. Em números do PROCON, entre 10 e 16 de julho, o quilo de feijão-carioca em São Paulo, entre junho e julho subiu 29,23% os alimentos. Para completar, os supermercados brasileiros, aproveitaram para aumentarem, por conta própria, um aumento de 41%. Subindo ainda, o poderoso Banco Central decidiu manter taxa básica de juros de 14,25 ao ano, sem definição do futuro, para o ano de 2017. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, sobre o pânico do feijão dos brasileiros, o seu governo federal, apresentou muitas conversas e estudos para tentar acabar, com a taxa de importação para países de fora do Mercosul, a exemplo do México da China,será possível?

Me espantei com o preço exagerado e, incontroverso do feijão, o qual facilmente virou a sercomida de ricos e fruto de ostentação, forçando que a maioria das famílias brasileiras deixassem de comer a preciso iguaria. Termino voltando novamente para a minha saudade imorredoura, quando cantava no primário da Grupo Escolar Thomas Mindêlo, batendo com força nos pés e gritando com fôlego: um dois, feijão com arroz; três quatro, feijão no prato!

 


(*)Advogado e desembargador aposentado